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Capítulo 129 - o filho secreto do bilionário

  • 19 de jun.
  • 6 min de leitura
O filho secreto do bilionário
O filho secreto do bilionário

Benjamim estava olhando para o brilho dos cabelos de Antonela. Ela permaneceu de costas para ele, evitando olhá-lo e ele se divertia com aquilo. Ele não ouviu o barulho que a porta do elevador fez, nem os passos dos homens caminhando em sua direção. Ele estava tão fascinado com a beleza da mulher que ele amava e concentrado na possibilidade de dizer ali o quanto a amava, que só percebeu o perigo quando Antonela foi empurrada bruscamente contra a parede.



Os olhos dele recaíram imediatamente nela, que caiu quase desacordada. Seu instinto quis salvá-la, mas a mão de alguém puxou seu braço. Ele desviou o olhar do rosto de Antonela e, quando se virou, viu dois homens com o rosto encoberto o agarrando e dizendo que o levaria dali porque aquilo era um sequestro.  


Benjamim lutava contra eles. Ele voltou a olhar para o lado e vê Antonela se mexendo, agora com os olhos semiabertos. Ele não podia deixar aqueles homens o levar, ele precisava socorrer Antonela. 


Os homens conseguiram o imobilizar, Benjamim chegou a pensar que aquele seria o seu fim quando um deles levantou uma arma com a intenção de apontar na sua direção. Por um momento ele viu a morte diante dos seus olhos. Um disparo seria dado a qualquer momento.  


Fechando os olhos, Benjamim pensou em se render, quando Fred apareceu de repente e foi para cima de um dos homens. Benjamim conseguiu se soltar, mas quando Fred avançava na direção do homem armado, o disparo foi efetuado.  


Os olhos de Benjamim se arregalaram. Fred caiu de joelho bem na frente dele com uma das mãos no abdômen. Gritos são ouvidos, os homens encapuzados estavam assustados e fugiram do local sem conclui a missão.  


Os olhos de Benjamim estavam cheios de lagrimas. Ele caiu de joelhos diante de Fred o segurando, enquanto ele gemia de dor. 


— Vou chamar ajuda médica – a mão de Fred agarrou a sua com tanta força que Benjamim achou que era um último adeus. 


Ele se arrastou até Antonela, desacordada. Levantou-se com o coração socando seu peito e correu.  


Foi só quando pegou o celular percebeu sua mão cheia de sangue. Discou o número com as mãos tremulas e pediu ajuda. Voltou para a cena do crime, os moradores do prédio se amontoavam ao redor de Fred. Benjamim não sabia mais o que fazer. 


Ele segurou a mão de Fred que tremia e ia perdendo o calor conforme os segundos passavam. O rosto ficou pálido e se o socorro não chegasse rápido, Fred não resistiria. 


Os paramédicos o arrastaram para longe enquanto socorriam Fred e Antonela. Benjamim ficou sentado na escadaria por dois minutos, seis, dez. Ele já não fazia ideia. Viu-os levarem Antonela ainda desacordada, mas Fred continuava estirado no chão frio.  


Ele acompanhou Antonela até o andar de baixo e, quando viu Henrico correr na direção dela, percebeu que a tragédia poderia ter sido pior. 


— O que aconteceu? – Henrico olhava para Antonela sendo colocada na ambulância – por que estão levando-a? 


— Eu não consigo explicar agora – Benjamim o olhou lacrimejando – por favor, leve o Adam para sua casa e cuide dele por mim. 


— Eu não posso sair daqui sem saber o que aconteceu com a minha filha – tentou vencer o obstáculo que Benjamim colocava entre eles. 


— O Adam precisa de você agora – o segurou com as mãos manchadas de sangue – a Antonela vai ficar bem. Prometo isso a você. 


Os olhos de Henrico recaíram sobre as mãos de Benjamim. Ele temeu pela primeira vez perder Antonela. Henrico espiou atrás dos largos ombros dele e a viu sendo medicada. Olhou para trás, viu Adam no banco de trás do carro. Antonela jamais o perdoaria caso não tivesse ninguém para cuidar do seu filho. Ele sabia que ficar com Adam era o certo a fazer.


Henrico girou as costas e voltou para o carro. Um policial se aproximou de Benjamim com um caderno nas mãos já aberto em uma folha se enrugando de umidade. Benjamim se virou para ele. 


— O delegado Vladir quer falar com você. 


Desviou o olhar para a porta do prédio, não havia nenhum sinal de que Fred sairia por ali e aquilo lhe pareceu um péssimo sinal.  


Ainda enrolado em uma toalha, com as mãos ensanguentadas e o corpo com hematomas de uma luta corporal que havia acontecido, Benjamim foi direcionado novamente ao local do crime. Vladir o interceptou antes que ele pudesse ver Fred ainda estirado no chão. 


— Onde está o Fred? – Vladir se aproximou e fez sinal para o policial se afastar. Depois olhou nos olhos de Benjamim, havia um peso sobre eles. 


— Sinto muito – o coração de Benjamim parou de bater – mas o Fred não resistiu aos ferimentos. 


Benjamim balançou a cabeça. Fred estava morto? Aquilo não podia ser verdade. Ele não queria aceitar que isso fosse verdade. Em um gesto desesperado, empurrou Vladir e correu pelos últimos degraus, se deparando com o corpo de Fred no mesmo lugar onde ele havia deixado, coberto por um pano. 


Ele cambaleou para trás batendo as costas na parede. Arrastou o corpo até o chão e ficou com os olhos vidrados na cena, sentindo as lagrimas descerem uma após a outra. Por vários minutos ele fica paralisado sentindo o corpo congelar, olhando para o seu amigo agora sem vida deitado no chão. 


— Você precisa me contar o que aconteceu aqui – Vladir se aproximou, agachando-se e olhando para Benjamim, que estava em choque. 


— Salvei a vida dele, quando o tirei da prisão – sussurrou – e ele salvou a minha levando um tiro no meu lugar.  


Benjamim nem considerava contar o resto da história. Ele se levantou, se aproximou do corpo de Fred, passou pela porta, vestiu uma roupa qualquer e saiu do prédio. Vladir veio correndo na direção dele, ofegante. 


— Você pode me perseguir a cidade inteira se quiser – Benjamim olhou nos olhos dele – mas eu não direi nada até ter certeza de que a Antonela está bem. Você sabe onde me encontrar, delegado.  


Entrou no carro e partiu.  


O caminho até o hospital foi o mais longo de toda a sua vida. Sentiu-se culpado por partir e abandonado Fred sozinho na porta de casa. Não era justo ele ter uma morte trágica como aquela. Havia sido fiel a ele, o ajudado, o protegido, e agora Fred estava morto.  


Foi levado até onde Antonela estava. O lugar era frio e ela estava sendo examinada. Foi interceptado no percurso. Impediram a sua entrada. Tudo o que ele queria era olhar nos olhos de Antonela e ter certeza de que alguém havia se salvado.  


— Ela vai ficar bem – o médico disse – Chegou no hospital acordada, confusa, perguntava por você. Demos um remédio para as dores que ela estava sentindo.  


— Posso vê-la? – havia ansiedade em sua voz. 


O médico o autoriza, ele atravessa o corredor e, quando entra no quarto, os olhos dela enchem-se de lágrimas. Benjamim desabou ao lado dela e a viu afundar o rosto em seu ombro, o envolvendo em um abraço apertado e desesperador. 


— Achei que você… – ela não conseguiu concluir a frase – eu ouvi um tiro. 


— Foi o Fred – o peito dele explode de dor pela segunda vez – o Fred está morto.


 

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