Capítulo 104 - o filho secreto do bilionário
- 11 de mar.
- 5 min de leitura

Alessia caminhava de um lado ao outro no pequeno cômodo no último andar da velha fábrica. Nos últimos dias, o lugar havia se tornado bastante movimentado.
Henrico contratara novos funcionários, as máquinas haviam voltado a funcionar, mas a vida dela permanecia parada, monótona e sem graça desde o dia em que fora abandonada no altar e expulsa de sua casa.
Tinha dias que ela achava que iria enlouquecer. Já não podia mais caminhar tranquilamente pelas ruas da cidade sem ser apontada como a mulher que enganou Benjamim Dylon com uma gravidez falsa. A notícia do seu casamento foi manchete durante muitos dias e ainda havia quem falasse sobre o assunto.
Alessia considerava que talvez jamais vivesse em paz novamente.
O pior de tudo isso era saber que ele e Antonela estavam mais próximos agora, depois que ele soube sobre a existência de Adam. Alessia o amava e não conseguia mais esconder o quanto o queria de volta.
Quando o sino da fábrica tocou, ela bufou aborrecida. Colocou sua toca, apanhou o balde posto na porta e desceu as escadas velhas e enferrujadas. A fábrica precisava de uma reforma. Tudo era velho, inclusive as regras impostas por Henrico.
Henrico a obrigou a limpar a fábrica todos os dias, como castigo por pegar o dinheiro de suas economias. Ela trabalharia até pagar sua dívida. Sentia saudades de casa. Lembrava-se constantemente que ela era fruto de uma traição e que Francesca, a mulher a quem ela chamou de mãe por toda a vida, não era nada para ela.
Uma lagrima escorreu dos seus olhos, não de dor, mas de raiva. Alessia estava consumida pelo ressentimento de ser submetida a tudo aquilo. Era uma vida miserável que ela se recusava a aceitar.
— O senhor Henrico ordenou que você limpasse o escritório dele antes do seu retorno – a voz de Fabrício ecoou logo atrás dela, obrigando-a a enxugar as lagrimas quase que imediatamente.
Quando ela se virou se deparou com o garoto a analisando, como se estivesse bastante satisfeito em vê-la naquela situação.
— Você está se divertindo às minhas custas – ela apertou o cabo de vassoura, antes de fuzilá-lo com o olhar – não tem mais o que fazer, do que ser apenas o garoto de recado do meu pai?
— Você mereceu esse castigo, Alessia – ele disse, colocando as mãos para trás – enganou a mim e ao seu pai. Eu quase perdi o meu emprego por isso.
Alessia adoraria prolongar a discussão com Fabrício, mas foi inevitável não perceber que ele, colocando as mãos para trás, levara junto folhas de um jornal daquela manhã. Ela não costumava ler jornais, mas estava incomunicável com o mundo desde o dia em que seu celular havia parado de funcionar. Henrico se negou a dar outro a ela e Alessia vinha acompanhando as notícias pelos jornais que Fabricio sempre deixava largado por aí.
Percebendo a curiosidade dela, ele moveu as mãos e ergueu o jornal para que ela pudesse ver.
— Quer ler as notícias de hoje? – perguntou com um sorriso malicioso – posso apostar que não vai gostar de ver o que há escrito aqui.
Imediatamente, os olhos dela recaíram sobre a foto de Benjamim. Ela arrancou o jornal de suas mãos com excesso e, com os olhos tremulados, começou a ler a manchete que dizia que Benjamim Dylon agora tinha um herdeiro.
Alessia sentiu o sangue parar de correr por suas veias. Imediatamente, seu rosto tornou-se pálido. Ela já sabia que Benjamim havia conhecido Adam, mas, ouvindo as conversas de Henrico por detrás da porta, teve conhecimento de que ele havia pedido o teste de paternidade, colocando em dúvida as palavras de Antonela.
Era um pesadelo sem fim. O estalar da vassoura caindo no chão a assustou e ela largou o jornal, retirando a toca velha da cabeça e caminhando apressadamente para fora da fábrica.
Fabricio correu em sua direção, dizendo alguma coisa que ela não conseguia assimilar. Só quando ele se meteu entre ela e a saída, foi que finalmente Alessia ouviu suas palavras.
— Não pode sair sem permissão.
— E quem vai me impedir? – ela o empurrou bruscamente e voltou a caminhar para longe dele.
O gênio impulsivo de Alessia ainda a colocaria em grandes apuros. Era como se todos os problemas causados por ela e suas consequências não tivessem gerado nenhum arrependimento ou aprendizado.
E de fato não havia. Alessia odiava a vida que estava vivendo agora, mas não tinha nenhuma intensão de mudar seu comportamento ou desisti de suas ideias. Caminhou apressada pela rua em busca de um táxi. Iria procurar Benjamim e tentar reverter aquela situação ao seu favor.
Se era possível reverter alguma coisa. Alessia pensou muito sobre isso durante todo o percurso. Lagrimas escorriam pelo seu rosto. Esse garoto deveria ter morrido logo, murmurou baixinho, teria sido melhor para todo mundo.
Adam não só sobreviveu como também ganhou a atenção de Benjamim somente para ele. Era assustador. Foi direto para a empresa na esperança de encontrar Benjamim trabalhando. Levou um susto quando a secretária informou que havia dias ele não aparecia.
Benjamim jamais abandonaria seus negócios por qualquer motivo, não até aquele dia e pelo visto agora ele tinha motivos de sobra para fazer isso. Quanto tempo fazia que ela viu Benjamim pela última vez? Uma sena, ou bem mais do que isso? Chegou à conclusão que não poderia ficar tanto tempo longe dele, para não lhe dar qualquer chance de esquecê-la.
Voltou para o táxi e pediu para que o motorista a levasse até o hospital. Sabia que Henrico também estava lá e que, quando percebesse sua presença, as coisas se complicariam para o seu lado.
Não mediu as consequências de seus atos pela décima vez.
Pouco após conseguir entrar, alegando ser a tia de Adam, o que não era nenhuma mentira, ela apressou o passo na intenção de encontrar Benjamim e persuadi-lo a qualquer coisa que o levasse a ficar longe de Antonela.
Andava atordoada pelos corredores, quando, sentindo uma mão a agarrar, se assustou, deparando-se com Fred. Alessia sentiu uma pontada no estômago ao encarar os olhos dele mais uma vez. Lembrou-se então de tudo o que havia acontecido e, por culpa dele, seu casamento com Benjamim se arruinou.
Fred lançou um olhar de desdém, quando ela sacudiu o braço, o obrigando a soltá-la.
— Você não está na lista de visitantes – disse Fred, colocando o corpo à sua frente, indicando que não permitiria que ela prosseguisse.
— Quem não deveria estar aqui é você, que nem da família é.
Tentou empurrá-lo, mas Fred não se movia.
— O senhor Benjamim está passando por uma cirurgia para salvar a vida do filho dele – segurou os punhos dela e Alessia se contorceu de dor – e você não é bem-vinda aqui.
Quem aquele homem pensava ser? Antes de encontrar qualquer resposta, Fred a arrastou para fora, a colocou em um carro e ordenou ao motorista que levasse Alessia de volta à velha fábrica, enquanto ela gritava, sem poder fazer nada para impedi-lo.
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