Capítulo 58 - o filho secreto do bilionário
- 22 de jan.
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Benjamim chegou à empresa, imerso nos pensamentos. Parou em frente à mesa de Antonela, agora vazia, sabendo que não a veria mais. Sabia que ainda era muito cedo, e que talvez ela desistisse da demissão e retrocedesse. Ele tinha esperança de vê-la entrando pela porta da empresa e pedi seu emprego de volta.
Antonela era orgulhosa, ela não retrocederia em sua decisão.
Ele bateu com os dedos sobre a mesa dela e lembrou-se do seu belo rosto, e então, depois de alguns segundos, se virou para Caroline e se dirigiu a ela.
— Peça para que a Dominique vá até minha sala quando chegar.
Ele girou e virando as costas se trancou no escritório. A noite anterior havia sido a mais longa de sua vida. Ele chegou em sua casa se deparando com Carlota, que preparava o seu casamento com grande empolgação. Ela não percebia que a única que estava feliz com aquela decisão era exclusivamente ela.
Considerando que já não havia clima para permanecer debaixo do mesmo teto que Carlota, Benjamim decidiu que depois do casamento, compraria uma casa, longe dali para não ter que ver Carlota depreciar de sua infelicidade.
Ela bateu algumas vezes na porta, na tentativa de convencê-lo a participar de suas decisões, mas Benjamim a tratou com indiferença e nenhuma palavra foi proferida por ele.
Demorou para dormir, às vezes tinha o celular em punho, com o número de Antonela aparecendo em sua tela, mas lhe faltou coragem para concluir a ligação. Benjamim deixaria Antonela ir embora, sem se despedir. Ele não via outra saída.
Ele nunca imaginou que perderia o sono por uma mulher e que ela lhe roubaria a paz ao ponto de ele pensar somente naquilo.
Despertou na manhã seguinte, assustado. O dia clareava lentamente, quando ele abriu a janela para recuperar o ar que havia fugido de seus pulmões. Ele jamais havia experimentado um sentimento tão profundo quanto aquele. Sentiu a ar frio em contato com os peitos descobertos. Depois de muito, muito tempo ele entrou, indo direto ao banheiro. Era hora de voltar a vida normal, como sempre fora antes de Antonela aparecer em sua vida.
Surpreendeu Carlota por ter que acordar tão cedo, ainda envolvida em suas loucuras daquele casamento. Ela olhou com grande expectativa para Benjamim, levantando-se e indo em direção a ele. Ela não queria ter que tomar as decisões do casamento sozinha. Desejava ardentemente que ele participasse, dando sua opinião, mas Benjamim passou por ela e saiu da casa em silêncio.
Ele se recusava a falar com ela e sua decisão magoava Carlota profundamente. Não havia nada mais doloroso do que o desprezo de um filho.
Agora, no escritório pouco iluminado, ele tinha reuniões e decisões importantes para tomar na empresa, mas não conseguia se concentrar em nada além dos acontecimentos de sua vida.
Viu a porta do escritório abrir e Dominique entrar, para a surpresa de Benjamim ela estava atrasada e ele nem se deu conta disso, até olhar as horas no relógio.
— Peço desculpas pelo meu atraso, senhor – disse, ofegante, como se tivesse corrido muito para chegar ali – precisei resolver algumas coisas antes de vir para o trabalho.
Dominique acreditou que ele a puniria depois, claro de lhe dar um sermão sobre como não chegar atrasada no trabalho. Mas estranhamente não foi isso o que aconteceu.
— Onde está a Antonela? – Benjamim quase entrou em uma crise depressão ao dizer isso.
Dominique abaixou a cabeça e soltou um pesado e longo suspiro.
— Devo lembrá-lo que ela não trabalha mais aqui, senhor – havia grande tristeza em sua voz – a Antonela não vai voltar na decisão dela. Sinto muito.
— Então ela foi embora da cidade – a afirmação de benjamim fez Dominique levantar o olhar imediatamente até ele. Uma pitada de tristeza disparou pelo rosto de Benjamim, coisa a qual ele não disfarçou.
— A Antonela não vai mais embora da cidade – um sorriso repuxou os lábios de Dominique de repente – incrivelmente Henrico apareceu em nossa casa essa manhã e a impediu de partir.
A revelação caiu como uma bomba no colo de Benjamim. Ele ficou paralisado com as palavras de Dominique, tentando imaginar os motivos que levariam Henrique a fazer tal coisa. Ele, que vivia dizendo detestar a própria filha e demonstrava isso com afinco, de repente mudou de postura e a impediu de partir.
Por que, afinal?
— Sei que parece estranho e inacreditável – Dominique prosseguiu com empolgação o seu relato – mas o Henrico conseguiu fazer a Antonela desistir da ideia da partida e ainda ofereceu um bom trabalho para ela em sua fábrica.
A informação fez Benjamim saltar da cadeira. Ele arregalou os olhos e ficou perdido pela segunda vez nos pensamentos. Agora, mais do tudo, ele precisava dar a Henrico todos os recursos para reerguer sua fábrica, porque Antonela precisava daquilo.
Uma felicidade instantânea explodiu dentro dele e transpareceu em seu belo rosto tão bem esculpido. Dominique por sua vez, tentou disfarçar que já havia percebido tudo.
— Isso é uma ótima notícia, Dominique – ele sorria, quando percebendo que Dominique o observava, disfarçou pigarreando e fechando todas as portas de entradas para os seus sentimentos – agora pode voltar ao trabalho.
Dominique saiu da sala na mesma velocidade em que entrou, satisfeita por ser ela a portadora de boas notícias. Quando Benjamim se viu sozinho novamente, pegou o celular em punho e ligou para o seu advogado.
Em seguida, pediu para o setor financeiro depositar uma enorme quantia para a fábrica de Henrico. Instituiu uma equipe para orientá-lo e ajudá-lo a erguer sua fábrica.
Ele precisava garantir que os negócios de Henrico prosperassem, para assim Antonela permanecer por perto.
O pensamento de tê-la parecia errado a princípio, se não fosse, claro, pelo casamento falso a que ele seria submetido dali a poucas horas. Saiu da empresa e se dirigiu à casa de Henrico. Ele arriscava encontrar Alessia, o que era estranho para ele não sentir nenhuma empolgação ao encontrá-la, mas ele precisava saber os motivos de Henrico em pedir para Antonela ficar na cidade.
A expressão de Henrico, ao se deparar com Benjamim parado em frente à sua porta, era de surpresa. Dando espaço, pediu para que ele entrasse sem questionar seus motivos de ter ido ali pessoalmente.
— Sei da verdade, Henrico, ele disse isso, fazendo uma ruga a mais se formar no rosto do velho homem – por que você pediu para a Antonela ficar na cidade?
De repente, um grito agudo os interrompeu e passos apressados desceram a velha escadaria da casa. Benjamim se viu de frente com Alessia, que ouvia toda a conversa às escondidas.
— O senhor pediu para Antonela ficar na cidade? – Um brilho cruel brilhou em seus olhos, quando ela se aproximou de Henrico, possuída pelo ódio – por que fez isso, pai?
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