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Capítulo 92 - o filho secreto do bilionário

  • 27 de fev.
  • 6 min de leitura
O filho secreto do bilionário
O filho secreto do bilionário

Os minutos se arrastavam e Antonela não fazia ideia para onde Benjamim havia ido. Ela caminhou por aqueles corredores frios por diversas vezes procurando-o por cada canto, mas ele não estava. Havia fugido como um covarde que ela jamais imaginou que seria.



Já sentindo as pernas fraquejarem, ela o avistou sentado em um banco, do lado de fora do hospital. Seu coração disparou quando os olhos dele se encontraram com os seus. O par de olhos agora parecia mais escuro e frio. Já não vestia mais o seu terno impecável que lhe dava um ar superior. 


Ele inclinou o corpo apoiando os cotovelos sobre as pernas e abaixou finalmente o olhar, soltando o ar nervosamente. Não viu quando Antonela marchou corajosamente em sua direção e parou em frente a ele. 


Meio segundo depois, enquanto o coração socava seu peito, ela sentou-se ao seu lado, mas Benjamim não conseguiu olhar em seus olhos.  


Ele se esforçou para manter a calma, com ela tão próxima e pronta para jogar em cima dele um caminhão de verdades. Sua cabeça ainda girava com o que ele viu minutos atrás. Mas ele não podia fugir disso, ele não queria. 


— Me dê uma explicação – sua voz saiu rouca como se estivesse presa por muito tempo. 


Diante do silêncio dela, Benjamim inclinou-se e a olhou nos olhos. Seus cílios longos ainda estavam molhados e havia uma vermelhidão profunda em seus olhos, indicando que ela havia chorado por horas. 


Antonela sentiu um nó apertando sua garganta ao ver a fúria estampada no belo rosto de Benjamim. Foi incapaz de olhá-lo por muito tempo. Com as mãos tremulas passou as nos fios embaralhados da cabeça, inspirou o ar com força e soube que a hora havia chegado. 


— A noite em que estivemos juntos – sua voz saiu tremula, ela odiava falar sobre aquela noite – alguns dias depois descobri que estava grávida e, como você não havia me procurado, eu decidir ir embora. 


Benjamim sentiu o peito arder por dentro e a raiva explodir. 


— Está dizendo que a culpa foi minha? – ligeiramente, ele levou a mão e puxou o rosto dela, forçando-a a olhar em seus olhos – por que não me contou? Por que não foi atrás de mim e disse a verdade? 


Ele se esforçava muito para não gritar com ela. Antonela fechou os olhos quando percebeu que não podia mais segurar o choro que estava preso na garganta desde o momento em que o encontrou. 


Aquela discussão era totalmente inútil, assim ele pensava, mas a revelação o feria de tal forma que ele precisava saber tudo, cada detalhe, todos os motivos que levaram Antonela a tomar a decisão de manter aquele garoto longe dele por tanto tempo. 


— Você não merecia saber a verdade – uma lagrima escorreu pelos seus olhos – todos me viam como a noiva rejeitada do bilionário, você me tornou uma vergonha para minha própria família. Como acha que o Henrico reagiria quando soubesse que eu estava grávida do homem que me abandonou no altar? 


Ao ouvir isso, ele deu um salto, colocando se de pé. Passou a mão sobre o rosto tentando acalmar os sentimentos que ferviam dentro dele. Agora tudo fazia sentido para ele. Por isso Antonela não permitia que ele soubesse onde ela estava morando, não o deixando se aproximar. Ele não estava errado quando enxergou nela uma áurea de mistério e medo.  


Estava aí a verdade, sendo jogada em seu rosto sem dó nem piedade. 


— Você não tinha o direito de fazer isso – ele apontou o dedo para ela na representação da sua fúria – não tinha o direito de esconder esse garoto de mim, sabendo que um herdeiro era tudo o que eu queria. 


As palavras dele as feriram profundamente. Olhando para o rosto dele contorcido pelo ódio, ela também se levantou, se aproximando e segurando o dedo levantado, lhe disse com indignação. 


— Meu filho não é o seu herdeiro – ela jogou a mão dele para longe e lhe mostrou os dentes – que fique claro que se o Adam não estivesse entre a vida e a morte, você jamais saberia que ele é seu filho. 


Ele franziu o cenho e a indignação se alargou no peito dele. Um sorriso irônico atravessou os lábios de Benjamim e ele virou as costas para ela para não a ofender por uma segunda vez.  


Precisou de alguns minutos para se acalmar. Era como se o amor que ele sabia sentir por ela já não fosse forte o suficiente para compreendê-la. Algo nas últimas palavras de Antonela chamou sua atenção. Silenciosamente ele pensou sobre aquilo.  


— O que o garoto tem? – ele se virou lentamente para olhá-la. 


Antonela já não parecia frágil nem amedrontada. Agora, com a postura ereta ela fincava seu olhar no dele, passando um recado claro que lutaria para proteger o filho de quem quer que fosse, até mesmo dele. 


— O nome dele é Adam – ela deu um passo na direção dele – e ele tem anemia aplástica genética. Precisa de uma transfusão de medula de um doador compatível.


Benjamim balançou a cabeça. Cada vez que Antonela abria a boca para dizer qualquer coisa, ele se afundava ainda mais no abismo que ela mesma havia o enfiado.  


— E o doador certamente serei eu. 


— Eu faria qualquer coisa para salvar a vida do meu filho – ela lhe respondeu imediatamente – até mesmo contando a você a verdade. 


Ele se aproximou tão rápido dela que Antonela não teve tempo de se defender. Benjamim agarrou seu pulso e a puxou para mais perto, olhando bem em seus olhos. 


— Se o Adam for mesmo o meu filho, pode desistir dessa ideia de mantê-lo longe de mim. 


Ela soltou um grunhido ao sentir o aperto dele em seu pulso, enquanto experimentava a respiração quente dele tocar sua pele. Imediatamente, o olhar dele recaiu sobre os seus lábios e ele se lembrou do beijo que havia dado nela.  


Sentiu-se obrigado a se afastar para não cometer outra loucura. O suor molhou sua camisa branca, fazendo-a grudar em seu corpo. Ele jamais consideraria aquele acontecimento como um pesadelo. Ele havia tido um filho, o herdeiro que tanto esperou, com a mulher que agora ele amava.  


Mas uma guerra estava sendo travada com Antonela naquele exato momento. Benjamim a olhou mais uma vez, sem saber ao certo se conseguiria perdoá-la por aquele erro. Ele precisava se apressar, se quisesse salvar a vida do menino.  


— Me leve até o médico do Adam – ele disse e um brilho atravessou os olhos de Antonela – quero fazer o teste de compatibilidade. 


Ela se segurou para não sorrir, mas as palavras de Benjamim reacenderam a esperança em seu coração. Ela se aproximou dele, que agora permanecia de costas, e disse, antes de partir. 


— Você não vai pedir um teste de paternidade para saber se ele é seu filho? 


— Eu não sei se vou conseguir perdoá-la algum dia – ele travou o maxilar, mas não olhou para ela e não viu quando uma tristeza invadiu seu rosto – mas não tenho motivos para duvidar. Tenho certeza de que ele é meu filho. 


Observou-a passar por ele de cabeça baixa, silenciosamente e caminhando próximo, lhe disse pela última vez. 


— Ainda temos muito o que conversar – voltou a olhar nos olhos dela – primeiro vamos salvar a vida do nosso filho.

 

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