Capítulo 96 - o filho secreto do bilionário
- 28 de fev.
- 5 min de leitura

Benjamim passou um bom tempo apenas olhando para Alessia, que tinha os olhos fundo e vermelhos. Aliás, todo o rosto dela estava vermelho, demonstrando que havia chorado bastante. Ele não desviou o olhar do dela nem por um segundo, esperando pacientemente que ela falasse qualquer coisa, e que suas palavras não fossem suficientes para causar uma briga entre eles.
Ela se encolheu, passando os braços sobre o corpo e abaixando a cabeça quando o viu se aproximar. Era estranho ela se sentir desconfortável na presença dele, ainda mais naquela situação.
Ela queria correr para os seus braços e encontrar um pouco de consolo, mas Alessia sabia o quanto Benjamim estava magoado com ela e o quanto ele a rejeitaria, caso fizesse isso.
— A Antonela conseguiu o que ela tanto queria – sua voz saiu embargada, mas Benjamim não gostou do que ouviu – conseguiu te convencer de que esse bastardo é seu filho.
O rosto de Benjamim se contorceu. Ele fechou os punhos e fuzilou Alessia com um olhar ameaçador. Era uma pena que ela não estivesse olhando nos olhos dele para ver todo o seu descontentamento com aquele comentário.
Ele deu um passo a mais, ela se encolheu, parecendo menor do que já era.
— Então, você sabia sobre o Adam? – ele indagou, quando lentamente ela elevou os olhos até ele – antes ou depois do casamento?
— O quê? – ela ficou confusa – que tipo de pergunta é essa?
— Se você sabia da existência do Adam antes do casamento, a sua situação comigo piora bastante, Alessia.
— Está tentando me consolar? – finalmente ela se desfez da armadura frágil que vestia e mostrou sua verdadeira natureza – porque não há mais nenhuma situação entre nós dois a qual possa ser favorável.
O olhar de Benjamim continuava tão intenso quanto antes e ele recuou mais um pouco, esperando que o espaço entre os dois tornasse as coisas mais fáceis. Esperando que ele não tivesse uma impressão errada sobre ela, afinal, porque Alessia estava ali?
— Apenas responda à minha pergunta.
— Você realmente acredita que esse menino é seu filho?
Ele enxergou desprezo quando ela levantou o olhar e encarou. Sentiu-se mal em imaginar que quase se casara com ela e a tornara mãe de seus futuros filhos. Seria desastroso. Alessia não amava nada do que a si própria.
— Foi antes do casamento – ele concluiu e flash de memórias ressurgiram de repente – você relatou haver encontrado Antonela no hospital. Foi naquela noite que você descobriu sobre o Adam?
Ficou a observar, percebendo as mudanças em seu rosto se contorcer, transformando-se em uma confissão. Alessia não responderia sua pergunta, ele teve convicção disso naquele momento. Seria inútil insistir.
— O que você está fazendo aqui, Alessia? – A pergunta auxiliou a se recompor e aceitar que ela sabia de tudo desde o início – e não tente me convencer de que veio visitar o menino que você odeia.
— Eu ouvi quando a Carmélia contou ao meu pai que você estava aqui, prestes a conhecer o bastardo. Acreditei que poderia impedi-lo.
— Da mesma maneira que me impediu de casar-se com a Antonela? – um sorriso melancólico atravessou seus lábios – exijo que você pare imediatamente de se meter na minha vida. Que você não me procure mais, ou que relacione a sua vida à minha.
Benjamim mal percebeu que a fúria o fizera encurralar Alessia, a colocando contra a parede. Somente quando parou de falar, percebeu estar próximo dela e levantado o dedo, indicando o quanto falava sério sobre suas intenções.
Mas não havia constrangimento no rosto de Alessia, ao contrário, ela mantinha o queixo erguido e o olhar afiado na direção dele.
— Quero estar aqui para ver sua decepção quando descobrir que esse garoto não é o seu filho.
As palavras cuspidas atingiram-lhe o rosto, o obrigando a recuar.
— Se ele não é meu filho, por que você tentou me esconder a sua existência?
— Eu não tentei, Benjamim – ela debochou dele, fazendo um buraco de dúvidas se abrir em seu peito – quem tentou foi a Antonela. Certamente porque o filho não é seu.
Estava aí o grande motivo da visita repentina de Alessia. Ela havia saído do quarto escuro e frio da fábrica quase abandonada, para se arrastar atrás dele e plantar a dúvida em seu coração. Benjamim tentou não transparecer que ela vencia o jogo de narrativas, mas Alessia conseguiu mexer com algo dentro dele.
Percebendo, enfim, que perdia tempo com ela e que Adam o aguardava, ele decidiu encerrar aquele assunto, não permitindo que Alessia jogasse mais semente de discórdia em seu coração.
Ele assentiu sem dizer mais nada. Lançou a ela um olhar gélido, e ela lembrou-se de que sempre fora assim que ele costumava encerrar os assuntos que o incomodavam.
Alessia o observou passar à sua frente e sentiu os ombros relaxarem instantaneamente, sem ter se dado conta, até aquele momento, do quanto estava tensa. O viu caminhar apressadamente em direção ao corredor e desaparecer entre as paredes brancas do hospital, deixando-a sozinha, dessa vez com um sentimento diferente no coração.
Alessia sentia que havia vencido aquela batalha.
Benjamim caminhava tão distraído que só percebeu que Henrico ainda permanecia ali quando o ouviu chamá-lo. Seu rosto deve ter entregado sua confusão, porque ouviu Henrico questioná-lo em seguida.
— Onde está a Antonela? – ele desviou o olhar para além de Benjamim, para o corredor vazio – o que a Alessia queria com você?
Quando Henrico voltou a olhá-lo, percebeu que Benjamim estava distraído, como se estivesse submerso nos próprios pensamentos.
— A Antonela foi para casa – ele respondeu vagarosamente, mas isso foi tudo o que ele conseguiu dizer.
Ele continuou parado, como se não soubesse o que fazer. Alessia havia conseguido plantar em seu coração a dúvida. Algumas horas atrás, Benjamim tinha certeza de que Adam era filho dele, mas naquele momento ele já não sabia de fato se Antonela dizia a verdade, embora tivesse encontrado nos traços do garoto um pouco dele.
Benjamim levou a mão até a maçaneta da porta e a abriu, ouvindo seu ranger. O ar estava fresco lá dentro e seus olhos recaíram sobre Adam, que dormia tranquilamente.
— Você veio aqui para ver seu neto – ele disse, parado ainda do lado de fora – entre e o veja.
Henrico abriu um largo sorriso para Benjamim. Ele precisava aproveitar a oportunidade que ele estava lhe dando. Entrou com empolgação, parando em frente a Adam, tentando fazer o menor barulho possível para não o despertar. Ficou silenciosamente observando o garoto, não percebendo Benjamim se aproximar.
— Acha que ele é o meu filho?
A pergunta dele assustou Henrico. Ele pestanejou surpreso.
— Você não deveria duvidar – respondeu com rugas na testa – olhe para ele, o menino se parece com você em tudo.
Henrico tinha razão, mas Benjamim queria ter certeza. Depois de alguns minutos, viu Henrico partir e ficar sozinho com o garoto, o que o fez pensar bastante sobre a paternidade. As palavras de Alessia não saíam de sua mente nem por um segundo e, quando amanheceu, ele aguardou ansioso que Antonela retornasse.
Ele tinha algo importante para dizer a ela.
Ele pediria o teste de paternidade.
✨ Apoie este projeto e ajude a manter a leitura gratuita viva ✨
Se este livro tocou você de alguma forma, considere apoiar este site com uma assinatura simbólica.
Todo o conteúdo aqui é disponibilizado gratuitamente, e atualmente o site se mantém apenas com a renda do AdSense. Sua contribuição, mesmo pequena, ajuda a:
📚 Manter o site no ar
🌱 Publicar novos livros
💻 Cobrir custos de hospedagem e manutenção
❤️ Continuar oferecendo leitura gratuita para todos
Ao se tornar assinante, você não está apenas apoiando um site — está fortalecendo um projeto que acredita que o conhecimento deve ser acessível.
E o melhor, por apenas 4,99 voce colabora para que mais livros sejam postados no site.
Clique no link e assine: Plano básico por 4,99
Cancele quando quiser.
Continue lendo O Filho secreto do bilionário gratuitamente.
Boa leitura!
Continue lendo o filho secreto do bilionário.
Comentários