Capítulo 132 - o filho secreto do bilionário
- 2 de jul.
- 6 min de leitura

Antonela acordou às seis da manhã. Tivera um terrível pesadelo com Benjamim. Olhou ao redor, apenas Dominique dormia encolhida na cadeira desgastada. Ela não suportaria ficar nem mais um minuto naquele hospital.
Levantou-se, sentindo ainda tonturas, e foi ao banheiro. Ficou trancada por alguns minutos e, quando voltou, Dominique já estava acordada. A expressão em seu rosto era péssima, lamentava muito ter que fazê-la passar por aquilo.
— Não sei se vou conseguir ir trabalhar hoje – ela disse, enquanto colocava as mãos nas costas e fazia uma careta de dor – estou assustada com a morte do Fred.
Antonela a encarou nos olhos. Ela também estava, todos estavam. Ainda era inacreditável que ele havia morrido. Ela sentiu que precisava ir embora do hospital logo. Precisava saber como Benjamim estava.
— Logo agora que eu estava me interessando por ele – Dominique continuou dizendo, agora com o olhar perdido no nada – o Fred daria um ótimo marido.
— Você estava saindo com o Fred? – calmamente, como se não tivesse dito nada daquilo, Dominique olhou para ela com os olhos arregalados.
— Eu não disse isso – ela voltou a se mover, tentando disfarçar – eu sentia um certo interesse dele por mim, mas nunca chegamos a conversar sobre isso. Ainda bem, imagina como eu estaria agora se tivesse alimentado isso.
Antonela levantou as mãos, como se achasse absurdo o que ela havia acabado dizer. No momento seguinte sorriu, embora a tristeza no coração dela fosse desproporcional ao sorriso. Isso fez seu estomago dobrar como um origami.
Ela abaixou a cabeça e se direcionou de volta à cama na intenção de se deitar e se afundou na dor e solidão, quando Benjamim entrou no quarto. As pessoas costumam emergir sob o sol matinal, Antonela emergiu com a presença dele.
Os olhos dele estava abatido, mas quando olhava para ela pareciam ganhar um brilho diferente. Benjamim não conseguia tirar os olhos dos dela, era como se ele precisasse daquilo, precisasse da presença dela para sobreviver.
Ele ainda vestia a mesma roupa do dia anterior. Uma blusa simples que deixava à mostra a força dos seus braços e uma calça de moletom. Era diferente ver Benjamim sem um terno. Tinha os cabelos desgrenhados, uma tristeza estampada no rosto, uma presença impecável e poderosa, um olhar afiado e sedutor.
Estavam prontos para uma conversa matinal, quando do lado de fora passo apressados se aproximava e a figura do médico apareceu se instalando no meio deles.
Ele obrigou Antonela desvia o olhar de Benjamim e olhar para ele cheia de expectativa. Foi o sorriso do médico que deu a ela a certeza de que boas notícias seriam dadas naquela manhã.
— Você está de alta, senhorita Bianchi – a notícia a surpreendeu – os resultados dos exames indicam que não houve nenhuma lesão. Só precisa seguir as orientações médicas.
Ao ouvir isso Antonela sorriu, mas foi envolvida pelas palavras do médico e aquilo deu a ela a impressão de que a distância entre ela e Benjamim havia aumentado drasticamente. Ela ainda o observava enquanto o médico a examinava. Viu Dominique se aproximar dele, conversarem algo, ela o abraçar, ele retribuir o abraço.
Seu coração quase parou de bater quando ele se aproximou, parou ao lado dela sem tirar os olhos do seu nem por um momento. O que ela sentia por ele estava aumentando de uma forma tão intensa que ela já não conseguia mais controlar. Viu o médico partir. Observou-o levantar o braço e passar os dedos sobre o seu cabelo carinhosamente.
— Como você está? – a voz dele carregava agora um tom diferente.
Sua respiração tornaram-se pequenas rajadas e ela tentou ignorar a sensação que o toque dele causava em sua pele.
— Estou bem – ela sorriu, quando observou ele afastar a mão o enfiando no bolso da calça – onde você esteve esse tempo todo?
Benjamim soltou um longo suspiro e só nesse momento ele desviou o olhar, abaixando a cabeça. Foi como se ele se perdesse nos próprios pensamentos e não conseguisse mais voltar.
— Eu estava aqui o tempo todo, vigiando você – levantou o olhar de repente – eu já perdi o Fred, não posso perder você também.
Benjamim estava se declarando? Ela se questionou enquanto sentia o corpo esquentar e as bochechas ficarem vermelhas conforme o olhar dele se intensificava. Benjamim não disse o que era óbvio para ele e Antonela também não consegue decifrar, mas se viu perdida naquelas palavras.
— Vocês formam um casal tão lindo – as palavras de Dominique quebraram como um soco todo o encanto daquele momento.
Benjamim girou o pescoço e olhou para ela de uma maneira divertida.
— Se abrir a boca de novo, demito você.
Dominique jogou a cabeça para trás e sorriu, porque sabia que ele não falava sério, mas decidiu não o contrariar. Percebeu o constrangimento no rosto de Antonela e só depois ela se deu conta o que havia feito. Ela deveria ter se mantida calada e assim deixar que eles dois declarassem de uma vez por todas todo o amor que sentiam um pelo outro.
— Preciso tirar você daqui – Benjamim se afastou e começou a juntar os pertences de Antonela.
Ela se levantou, um pouco decepcionada. Ela queria mesmo resolver aquela situação que vinha esmagando seu coração como pedra, mas todas às vezes que eles estavam próximos alguma coisa extraordinariamente ruim acontecia, os impedindo de viver aquele amor.
Antonela temia até mesmo dizer a ele o quanto o amava e, em seguida, uma catástrofe acontecesse.
Eles se preparavam para sair, quando encontraram Henrico correndo no corredor. Ele parou em frente à Antonela, ofegante, com os olhos marejados, e lhe disse:
— Sinto muito – disse, arrastando as palavras – eu deveria ter vindo antes.
Sem que ela esperasse ou que desse tempo de Antonela responder qualquer coisa, Henrico a abraçou. Em todos os anos em que passou ao lado do pai, nunca havia recebido um abraço tão caloroso quanto aquele. Um abraço desesperado.
— Eu senti medo de perder você – ele disse, agora com a voz embargada – sinto muito Antonela, e eu espero que você me perdoe algum dia.
Antonela estava petrificada. O rosto inexpressivo, as mãos levantadas como se não soubessem o que fazer. Ela realmente não sabia o que fazer porque em toda a sua vida, jamais imaginou viver um momento igual àquele. Na cabeça de Antonela, Henrico jamais se arrependeria por tratá-la com tanto desprezo, mas ele estava ali, pedindo o seu perdão.
— Está tudo bem, pai – foi tudo o que ela conseguiu dizer.
Quando olhou para Benjamim, viu os olhos deles cheios de emoção. Talvez ele torcesse por aquele momento ou tivesse planejado para que acontecesse. Afinal, foi ele mesmo quem havia pedido que Henrico viesse ficar com Antonela.
Henrico se afastou. Passou a mão enrugada sobre os olhos. Estava aí outra cena que Antonela jamais imaginou ver, seu pai chorando e o motivo sendo ela.
— Fiz o que você pediu, Benjamim – ele disse, tentando se recompor – o Adam está com a Carmélia, mas não para de perguntar pela mãe.
Benjamim assentiu com um sorriso. Em seguida, olhou para Antonela, segurou na sua mão e a tirou daquele lugar. Levou-a para casa de Henrico e prometeu que voltaria com Adam.
Ela finalmente achou que as coisas se acalmariam dessa vez e naquela manhã ela conseguiu ter um pouco de paz.
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