Capítulo 110 - o filho secreto do bilionário
- 25 de mar.
- 6 min de leitura

Benjamim se levantou vagarosamente para não despertar Adam, que parecia dormir tão bem que ele ficou com dó de acordar o garoto. Benjamim deveria estar no seu quarto, esperando a visita matinal do médico, mas ele estava naquele lugar, pronto para ir atrás de Antonela mais uma vez.
Ele ainda estava refletindo, por onde começaria a procurá-la, quando encontrou o médico caminhando pelo corredor.
— O que está fazendo aqui, Benjamim? – indagou o médico, estupefato – deveria estar descansando. Passou por uma cirurgia delicada.
— Estou ciente – disse, como se não ligasse para as palavras do médico e continuou procurando Antonela com os olhos – eu precisava ver o Adam e saber como ele estava.
— Agora quem precisa de cuidados é você – disse se aproximando – venha, eu o levarei até o quarto.
— Consigo fazer isso sozinho – ele o encarou com seriedade.
O médico assentiu como se estivesse admirado e não ousou ajudá-lo mais. Se afastando, não contestou, observou apenas Benjamim passar por ele e caminhar para o outro lado.
Benjamim não tinha nenhuma intenção de ir para o quarto, ele queria encontrar Antonela e saber por que ela havia saído tão cedo. Tão pouco explicaria seus motivos do porquê eram tão importantes vê-la àquela hora, ele sentia que apenas precisava ouvi-la dizer qualquer coisa para que assim seu dia se tornasse mais calmo.
Era estranha essa necessidade de tê-la por perto, mas ele deixou que esse sentimento fluísse em seu peito como a coisa mais natural possível. Parou ainda no corredor e olhou para trás. O médico já havia partido e ele poderia desviar o caminho sem nenhuma culpa.
Mal havia dado um passo quando encontrou Fred. O homem levou um susto ao vê-lo de pé, vestido com as roupas do hospital. Fred quase não o reconheceu. Segurou em seus ombros e ficou o olhando admirado. Havia obstinação em seu olhar, como se Benjamim buscasse algo que havia perdido de muito valor.
— Você viu a Antonela por esses corredores?
Desviou o olhar, buscando com urgência e imediatamente Fred entendeu o que ele fazia ali.
— Eu não a vi – ele disse – mas o senhor deveria estar no quarto descansando.
Benjamim deu um sorriso ao mesmo tempo, triste e irritado. Era a segunda vez em poucos segundos que ele ouvia o mesmo. De que ele deveria estar descansando, enquanto Antonela caminhava por aí, sabe-se lá Deus, para onde.
— Vai auxiliar a encontrá-la, ou veio aqui para me dar conselhos?
Benjamim estava sorrindo agora. Ele estava feliz, era possível ver isso em seus traços, que se alargavam conforme seu sorriso se intensificava. Ele viu Benjamim se aproximar e desviar como se ele fosse uma pedra e seguir o seu caminho. Precisou correr para alcançá-lo, pensando ser melhor se manter por perto caso algo desse errado e ele resolvesse passar mal ali mesmo.
— Lamento não ter chegado mais cedo, senhor – Fred se justificava – A Alessia não apareceu por aqui hoje?
Benjamim olhou para Fred com uma expressão que pareceu totalmente nova.
— Se ela tivesse aparecido por aqui, você já estaria demitido – Fred não respondeu. Ficou o observando com as sobrancelhas franzidas, se questionando se Benjamim faria mesmo o que estava dizendo – conte-me como foi com ela ontem.
— Foi confuso – ele mentiu porque, no fundo, não foi isso o que sentiu – a Alessia não vai desistir tão facilmente, deve estar preparado para isso.
— Sei que ela não vai – Benjamim falou como um elogio – você vai garantir isso e depois que saí daqui resolverei tudo.
Fred não disse mais nada. Gostou da confiança em que Benjamim depositava nele. Era estranho perceber que agora ele era o segurança do homem mais poderoso daquela cidade e estava se tornando também seu confidente.
— Quero te pedir outro favor – parou por um momento, olhando nos olhos dele – mantenha também a Carlota longe.
— Como?… – Gaguejou – ela é a sua mãe. Como faço isso sem ofender?
— Prefere não a ofender do que manter o seu emprego? – Fred fez uma careta ao ouvir isso – diga que foi ordem minha.
Fred fez uma expressão desesperada e começou a considerar que trabalhar para Benjamim não seria tão incrível assim. Pensava sobre tudo isso quando percebeu que já havia passado por aquele lugar outras vezes. Observou Benjamim parar, com uma expressão confusa no rosto. Ele também havia percebido que estava perdido.
— Estou dando voltas no mesmo lugar e não encontro a Antonela em lugar algum.
— Puta merda – a expressão no rosto de Fred ao dizer isso acendeu todos os alerta em Benjamim.
Ele girou o pescoço para onde Fred olhava e viu o que temia. Antonela tomava café com Dante. Ela sorria enquanto o governador fazia graça. Os punhos de Benjamim se fecharam instantaneamente e seu rosto tornou-se vermelho de raiva.
Benjamim disse a si que essa cena não significava merda nenhuma, mas não foi suficiente para convencer a sua consciência. Automaticamente, suas pernas o levaram para perto deles e, quando percebeu, estava no meio dos dois, interrompendo toda aquela maldita diversão.
— O Adam quer ver você – ele mentiu, mas o que chamou atenção de Antonela foi o tom de voz que ele usou para dizer isso a ela.
Benjamim não estava nada feliz com o que via.
— Que bom vê-lo de pé, Benjamim – disse Dante, alegremente.
Do que esse traidor de merda está sorrindo? Ele se perguntou. E dessa vez não forçou nenhum sorriso, fingindo simpatia como fez da primeira vez. Dessa vez, Dante saberia que ele estava detestando aquela visita.
— Você não tem um estado para cuidar, governador? – A alegria de Dante desapareceu como se Benjamim o tivesse jogado para longe – eu não quero receber suas visitas, então já pode voltar de onde veio.
Antonela se colocou em frente a ele e Benjamim não acreditou que ela defenderia outro homem na frente dele.
— Por que está falando assim com ele?
Antonela ergueu o queixo para o homem corpulento parado à sua frente, enquanto Benjamim travava o maxilar já pronto para dar a ela uma boa resposta.
— Não deve se preocupar com isso, Antonela – Dante agarrou-a pelos ombros e delicadamente a afastou - vá ver o seu filho, eu preciso conversar com o Benjamim.
Os olhos de Benjamim recaíram sobre as mãos enormes de Dante, em cima dela. Ele engoliu a própria saliva e pensou: se eu não me apressar em tê-la, Dante o fará em meu lugar.
Alguns segundos depois, encarando-os, ela partiu. Benjamim espiou na direção em que ela caminhava e só voltou a encarar o governador depois que Antonela desapareceu.
— Sei que você está aborrecido comigo por retirar os investimentos da empresa – não, ele não fazia ideia do motivo da sua irritação, pensou Benjamim – mas tenho boas notícias e vim aqui para dá-las a você.
Benjamim riu. Isso era um bom sinal, pensou Dante, mas não era. Ele apenas estava colocando para fora, de uma forma inusitada, sua revolta com aquele momento.
— Eu não quero mais nenhum centavo do governo nas minhas empresas – se aproximou de forma tão rude que Fred precisou contê-lo – quando precisei da sua amizade, você virou as costas para mim.
— Está sendo inconsequente, Benjamim. Pense melhor.
— Eu não vou discutir negócios com você em um hospital, Dante – ele suspirou, com se já estivesse cansado – só tenho duas coisas para te dizer, a nossa parceria acabou e fique longe da Antonela.
Benjamim suspirou fundo, prendeu o ar e o soltou. Depois, virou as costas e partiu. Aquilo era ridículo, foi o que Dante pensou, mas ali ele entendeu o que Benjamim queria dizer e o porquê dele estar tão furioso.
Os dois gostavam da mesma mulher.
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