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Capítulo 128 - o filho secreto do bilionário

  • há 5 horas
  • 6 min de leitura
O filho secreto do bilionário
O filho secreto do bilionário

O enorme pátio em frente à fábrica estava cheio de gente. Antonela espiou através das gotas de chuva na janela do lado do motorista, sem tocar no vidro. Depois de alguns segundos, ela desceu, sabendo o quanto seria difícil voltar a trabalhar com Henrico. Ela fazia aquilo por Adam, ela lutaria até o fim para ter o filho ao seu lado. 



Caminhou pela rua esburacada com poças de lama e se aproximou. A maioria dos funcionários era masculina. O rosto dela tornou-se vermelho ao perceber os olhares todos voltados em sua direção. Eles não sabiam quem era ela, porque se soubessem, não teriam aberto a boca para galanteá-la tão descaradamente. 


Assobios foram se intensificando conforme ela passava, até que a voz de Henrico rompeu a diversão. 


— Vocês mal começaram a trabalhar e já querem ser demitidos? – O silêncio foi assustador – essa é Antonela Bianchi, minha filha e chefe de vocês. Qualquer um que a desrespeitar estará no olho da rua. 


Ela olhou para o pai como se ele fosse maluco e depois entrou na fábrica com o rosto ardendo em vergonha, subindo a escadaria de ferro até se refugiar no velho escritório. 


Henrico demorou para acompanhá-la. Ela se aproximou da mesa e viu alguns documentos espalhados pelo local. Observou que as dívidas da fábrica voltavam a se acumular. Quando Henrico entrou no escritório, pegou Antonela bisbilhotando as finanças da empresa. 


Por um instante, o rosto dela ficou inexpressivo e, quando percebeu que Henrico não explodiria pela sua atitude, virou-se para ele, preocupada, e lhe disse. 


— O senhor não pagou as dívidas da fábrica? 


Houve uma pausa. Ele ficou olhando pela janela e lembrando, sem perceber, dos velhos tempos em que ele era considerado o rei dos chapéus. Não havia ninguém naquela cidade que já não tivesse comprado seus produtos. Bons tempos. Mas as coisas pareciam ter mudado, ninguém além dele usava chapéu. Era como se Henrico tivesse parado no tempo. 


— Essas são as dívidas recentes – ele instalou os lábios, tirou o chapéu, o colocou no canto e levou o olhar até ela – eu tinha esperança de que as coisas voltassem ao normal. Contratei novos funcionários, liguei as máquinas, mas não consegui vender quase nada. 


Fazia sentido e fez ainda mais quando ele disse as últimas palavras. Ela largou os papéis e, olhando nos olhos cansados de Henrico, disse a ele a verdade. 


— O senhor não vai mais conseguir manter essa fábrica, apenas vendendo chapéus – ela soltou um sorriso - não estamos mais nos anos oitenta. 


— Está me dizendo para desistir dos chapéus? – Ele instalou os lábios reprovando as palavras dela. 


— Não exatamente – ela viu preocupação nos olhos dele e outra coisa – estou dizendo para expandi os negócios. Troque essas máquinas industriais por máquinas de costura, contrate boas costureiras e fabrique roupas que combine com os chapéus. 


Henrico torceu o nariz para ela e, franzindo o cenho, achou a ideia um absurdo. Ele resmungou, agitando o corpo e passando por ela. Antonela imaginou que a ideia o assustaria, mas Henrico ainda tinha tempo para pensar.  


— Essa ideia foi a coisa mais absurda que eu já ouvi na minha vida – havia um som melancólico saindo junto da sua voz, como se para ele fosse a coisa mais difícil a se fazer – as coisas irão melhorar e eu voltarei a vender os meus chapéus. 


Ela poderia acrescentar que ele estava enganado, mas isso seria arriscado demais. Antonela sorriu como se concordasse com ele e decidiu então não mais tocar no assunto. Quando as coisas realmente apertassem e Henrico percebesse estar enganado, voltaria a procurá-la para ouvir mais sobre sua brilhante ideia. 


— Como está o Adam? – Henrico perguntou na intenção de mudar de assunto. 


— Eu não falei com ele hoje – o coração dela explodiu no peito. Nunca havia ficado tanto tempo longe do filho – mas ele está seguro com o pai.


Henrico concordava com ela nesse sentido e sabia de toda a história. Percebeu então que Antonela não queria prolongar o assunto, por mais que ele tentasse se reaproximar dela, as coisas ainda pareciam impossíveis. Ela pegou alguns documentos da mesa dele e se afastou, sentando-se no sofá. 


— Tem tido notícias da Alessia? – ela perguntou, sem olhar nos olhos dele. 


— Não faço ideia de onde ela se meteu – ele a respondeu e Antonela estranhou a frieza dele em relação a esse assunto.  


Ela realmente achou que Henrico sofreria bastante com a partida da filha predileta, mas ele seguia sua vida como se nada tivesse de fato acontecido com Alessia. 


 — Ela sabe o caminho de volta para casa – ele concluiu – embora eu duvide muito que ela queira voltar. 


Ela olhou para o pai com tristeza. Se perguntou se ele pensou o mesmo quando ela partiu. Obviamente que não, prova disso foi a maneira rude com que Henrico a tratou no seu retorno. Henrico preferiria que ela tivesse morrido ao invés de vê-la voltar para casa. 


Se calaram e não trocaram mais nenhuma palavra depois disso. Ela recebeu uma mensagem de Benjamim naquela manhã dizendo que levaria Adam para um passeio. Teve a impressão de que ele estava gostando da companhia do filho. Adam nem sequer estava sentindo a falta dela. 


Quando o expediente terminou e Antonela se preparou para partir, Henrico a interceptou e se ofereceu para levá-la até em casa.  


— Vou passar na casa do Benjamim para pegar o Adam – ela respondeu sem saber como negar o convite. 


— Estou com o carro velho que a Alessia deixou – ele mostrou as chaves para ela – levo você até a casa dele. Estou querendo mesmo ver o meu neto. 


Ainda não deixava de ser estranho ver Henrico forçando uma aproximação com ela. Antonela nem se lembrava mais de qual havia sido a última vez que Henrico a destratou. Desde quando ele descobriu a existência de Adam, tudo o que havia feito fora tratá-la como filha.  


Ela resolveu aceitar o convite, porque não fazia ideia de como chegaria até o endereço que Benjamim havia indicado para ela seguir. O caminho foi silencioso e um pouco constrangedor. Às vezes ela se sentia ao lado de um estranho, embora o sangue desse estranho corresse também em suas veias. 


Pegaram o elevador e subiram até o terceiro andar. Henrico a levou até o apartamento onde Benjamim agora morava. Era totalmente diferente da casa antiga que ele havia abandonado para Carlota ficar. Tocaram a campainha, quando Benjamim atendeu.  


Antonela ficou completamente paralisada. Ele estava parado à sua frente apenas com uma toalha enrolada no corpo. Benjamim não estava nem um pouco constrangido, mas Antonela sentia a boca secar e o coração disparar aceleradamente. 


Foi o abraço de Adam que rompeu o delírio dela. Ela desviou o olhar do corpo dele, quase nu, e voltou sua atenção para o garoto que agarrava suas pernas. 


— O papai me levou para o cinema – ele dizia com os olhos brilhando – posso dormir com ele amanhã? 


— Você pode voltar quando quiser – Benjamim disse e Antonela evitou olhar para ele novamente – mas a mamãe está com saudades de você. 


Adam se despediu de Benjamim e ficou claro o quanto aqueles dois se davam bem.  


— Vai com o vovô Henrico – apontou para Henrico, que abriu um sorriso para o garoto – preciso de um momento sozinho com a sua mãe. 


Aquilo era um pesadelo. Antonela se levantou e virou as costas para ele imediatamente. Fingiu observar Henrico se afastando com Adam nos braços até desaparecer. Ela não queria olhar para ele, não com Benjamim quase nu na sua frente. 


— Posso esperar você vestir uma roupa – ela disse isso ainda de costas para ele. 


Benjamim sorriu, mas não se moveu. Ele preferiu provocá-la, ver nela o desejo. Ele queria que ela implorasse por mais um beijo. Ele estava pronto para segurá-la e obrigá-la a olhar para ele e nem percebeu aqueles homens se aproximando. 


De repente, o corpo de Antonela foi jogado contra a parede. A pancada na cabeça fez ela quase cair desacordada. Ela ainda conseguia ouvir gritos e um dos homens dizendo que iria levar Benjamim porque aquilo era um sequestro.  


Com a visão embaçada, ela viu Benjamim lutar contra os dois homens. Ela mal conseguia se mover para ajudá-lo, quando Fred apareceu e um tiro foi disparado. 


Depois disso, Antonela desmaiou.


 

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