Capítulo 116 - o filho secreto do bilionário
- há 3 dias
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Antonela ficou parada, com o celular em mãos, olhando para a parede branca e vazia à sua frente, enquanto Adam continuava se questionando por que Benjamim teve que ir embora. Ela não conseguia dizer nada, como explicaria aquilo para ele? Que a mulher que ele conheceu uns dias atrás estava querendo o tomar dos braços de sua mãe?
Essa situação estava deixando Antonela sem paciência. Ela deu um beijo em Adam e disse que sairia por alguns minutos, mas que ele ficasse ali a esperando. Adam sempre foi um menino obediente e fez o que Antonela pediu, embora ele odiasse ficar sozinho dentro daquele quarto.
Voltou alguns minutos depois com um copo de café em mãos. Pegou um livro, dos muitos que Benjamim havia deixado para ler para o garoto, e contou a história para ele. Adam sorria e fazia perguntas sobre a história, demonstrando que avançava no tratamento. Antonela sentia-se aliviada porque o garoto estava voltando a ser o menino alegre e ativo a qual sempre foi.
Esperava que o médico o liberasse pelos próximos dias, para que voltasse para casa. Não suportava mais ter que encontrar jornalistas na porta do hospital a cercando, fazendo perguntas absurdas sobre Adam ou Benjamim. Sua vida e de Adam haviam virado de ponta a cabeça desde o momento em que ela resolveu revelar toda a verdade.
Terminou de contar a história e largou o livro ao lado de Adam, se levantando e dando sinais corporais de que estava preocupada com tudo o que estava acontecendo. Se questionava se Carlota tinha realmente o poder de tomar a guarda de Adam para ela. Com o poder e influência que ela tinha, seria possível?
Precisou convencer-se de que era uma boa mãe e que nenhum juiz teria motivos para tirar Adam do lado dela.
A tarde se arrastou rapidamente, com Antonela pensando sobre isso o tempo todo. Não houve um momento em que ela conseguiu descansar e as coisas pioraram quando a noite finalmente chegou.
Com a melhora de Adam, levou o menino para dar uma volta pelo hospital. Mal havia saído da porta do quarto quando avistou Carmélia, Dominique e Henrico caminhando em sua direção. O que realmente a surpreendeu foram os rostos exalando a mesma expressão preocupada.
Pacientemente, ela esperou que eles cumprimentassem Adam para que finalmente conversassem com ela. Tinha algo de errado, Antonela conseguiu sentir isso, ao perceber Carmélia e Dominique levando Adam e a deixar sozinha com Henrico mais uma vez.
Ela vinha evitando a todo custo conversar com ele, mas parecia inevitável naquele momento. Em silêncio, observou Henrico tirar o chapéu, abaixar a cabeça e levantar os olhos segundos depois, demonstrando que tinha uma péssima notícia para dar a ela.
Então, ele retirou o jornal escondido no paletó e esticou-o a ela. Jornais sempre eram objetos de péssimas notícias, ao menos vinha sendo assim para Antonela. Ela temeu o que veria ali e não se moveu na intenção de pegá-lo.
Percebendo que ela resistia em saber das notícias, Henrico corajosamente lhe disse:
- Saiu nos jornais que a Carlota cogita ter a guarda do Adam – disse com um tom de voz pesaroso – ela deu uma entrevista falando algumas coisas sobre você.
Antonela não deveria estar surpresa com aquilo, mas o choque foi inevitável. O seu rosto tornou-se pálido de repente e ela demorou para reagir, levando a mão até o jornal estendido por Henrico e lendo finalmente o que estava escrito.
A cada palavra lida seu rosto mudava de expressão. Em pouco menos de dois minutos Antonela teve vários sentimentos visitando seu coração.
- Você deveria ter me contado – Henrico passou a mão sobre o rosto, aflito – ela é uma mulher poderosa, sabe que pode conseguir tomar Adam de você.
O comentário dele fez o medo aumentar dentro do seu peito.
- O senhor não está ajudando muito com esse comentário – disse, enquanto apertava o jornal com força – nenhum juiz dará a ela esse direito.
- Não seja ingênua, Antonela, a Carlota pode comprar quem ela quiser com o dinheiro que ela tem, até mesmo juízes – ele tomou o jornal das mãos dela e o levantou para que ela ficasse atenta ao que ele dizia – leia tudo o que está escrito aqui. Essa mulher arrumará só um motivo para prevalecer a vontade dela.
As pernas de Antonela estremeceram. Ela achou que não conseguiria permanecer de pé. Adam não havia se recuperado e ela já arrumava outro grande problema para resolver.
Percebendo que a notícia havia abalado, Henrico a segurou pelo braço, a arrastando até o velho banco de madeira e se sentando ao seu lado. Esperou que Antonela reorganizasse os pensamentos para que finalmente pudessem juntos encontrar uma solução.
- Eu não quero que isso aconteça – disse Henrico, quando voltou a abrir o jornal – a Carlota afirma que você manteve o Adam em um cárcere privado, longe da própria família.
- Isso não é verdade – o coração dela disparou mil batidas em um minuto.
- Claro que não – Henrico enfatizou – mas ela usará qualquer motivo para ter razão e as pessoas vão acreditar nela.
Henrico tinha razão. Imediatamente, os olhos de Antonela encheram-se de lágrimas e ela deixou toda a dor, o medo transparecer pelos seus olhos.
- O Benjamim me garantiu que não vai deixar isso acontecer – ela disse com a voz embargada.
- Isso é um bom sinal – disse Henrico – mas não sei se será o suficiente.
Antonela se levantou impaciente. Henrico estava inflamando ainda mais as coisas com todo o seu pessimismo e, tendo ele perto, não a ajudaria a pensar em uma solução. Agora com o rosto vermelho e o sangue fervendo em suas veias, ela virou as costas e, fechando os olhos, tentou reorganizar os pensamentos.
- Eu deveria ter ido embora quando tive a chance – murmurou – ou melhor, eu nunca deveria ter voltado.
- Não diga tantas besteiras, Antonela – as palavras dele a fizeram girar o pescoço rapidamente e o olhar furioso. Não havia ninguém naquele lugar que estivesse falando besteiras mais do que ele – e não pense em ir embora, achando que assim seus problemas com a Carlota estarão resolvidos. Se fizer isso, será o seu fim.
- Chega, pai – ela esbravejou – já disse que não está me ajudando falando essas coisas.
Fechou os olhos e voltou a ficar de costas para ele. Antonela estava esgotada e, por mais que ela estivesse incomodada com aquela situação, seria inútil buscar uma saída com o estado mental em que ela se encontrava. Um longo silêncio percorreu entre eles e dessa vez Henrico pareceu entender o significado das palavras de Antonela. Pensou que o melhor seria se calar e não dizer mais nada.
- Preciso ir para casa descansar – disse arrastando as palavras – amanhã penso melhor sobre isso.
- Pode ficar na nossa casa, se quiser.
Aquilo era um pedido de desculpas? Ela pensou, sem ter coragem de olhar nos olhos dele. Ainda não se sentia preparada para acertar suas diferenças com Henrico, embora acreditasse que ele considerava aquela conversa um bom sinal.
- Aquela casa deixou de ser minha há muito tempo – ela finalmente olhou nos olhos dele – vou me refugiar onde sempre estive.
Finalmente, ela saiu de perto dele com o coração mais destruído dessa vez. Foi até o quarto de Adam para se despedir dele, sentindo que Carmélia e Dominique queriam conversar com ela, na intenção de trazer algum conforto. Mas Antonela estava farta, ela não suportaria ter nenhum diálogo com mais ninguém.
Precisou se esforçar para transparecer a Adam que estava tudo bem. Saiu do hospital e se deparou com dezenas de jornalistas acampados na saída. Se amontoaram ao redor dela, fazendo perguntas e acusando de coisas que ela nunca imaginou que conseguiria fazer.
A imprensa já a via como um monstro pintado pela própria Carlota.
Antonela se exprimia entre eles para escapar e, quando percebeu ser o seu fim, sentiu uma mão a agarrar e a tirar dali. Era Fred. Benjamim havia o enviado para salvá-la.
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