Capítulo 126 - o filho secreto do bilionário
- 16 de abr.
- 6 min de leitura

Benjamim segurou Antonela e, a protegendo com o próprio corpo, ignorou as palavras da mãe e rompeu a multidão. Os colocou no carro e partiu em velocidade. Seu sangue fervia em suas veias. Ele descobriu que Carlota poderia ser cruel, mas não imaginou que ela ultrapassaria todos os limites.
O caminho foi silencioso, embora os dois tivessem muito o que conversar. Benjamim se remoia por dentro com as atitudes de Carlota. Ele sentia que jamais conseguiria perdoa-la por aquilo. Adam descansava no banco de trás e eles não queriam envolver o garoto com suas preocupações.
Quando estacionaram o carro, Fred e o advogado já estavam no local. Carmélia e Dominique correram na direção dos dois e mal acreditaram quando viram Adam com eles.
— Então é verdade o que os noticiários estão dizendo? – Dominique sussurrou quando viu Carmélia levar Adam para dentro – como o Adam foi parar na cidade?
— Ninguém sabe dizer – Benjamim se aproximou e ficou parado ao lado de Antonela, que permanecia calada e aérea.
Preferiu não entrar nos assuntos que ele suspeitava. A hora não era de suposições. Benjamim sabia que precisava correr contra o tempo para provar que Antonela não havia sido a responsável pelo desaparecimento de Adam.
Entraram na casa e se reuniram na pequena sala. Dominique preparou um café. Antonela não havia comido nada desde aquela manhã. Seu rosto ainda carregava uma palidez anormal e sua expressão continuava pesada pela preocupação. Ela não conseguia se concentrar em nenhuma palavra dita naquela reunião.
— Por que não me disse que recebeu uma ordem judicial? – a voz de Benjamim rompeu sua distração.
Quando ela finalmente o olhou, Benjamim segurava o documento nas mãos. Ela havia o largado sobre a mesa da sala e planejava contar aquilo a ele, mas os acontecimentos daquele dia a impediram de agir racionalmente.
— Não tive tempo de te contar – ela sussurrou e desviou o olhar em seguida.
— Não pode esquecer de uma coisa como essa – ele sacudiu o papel em frente aos olhos dela, mas sua voz era calma e reconfortante – estamos aqui para garantir que o Adam permaneça com você.
Ela sabia que Benjamim estava se esforçando o suficiente para garantir aquilo, mas ela duvidava que ele conseguisse cumprir aquela promessa. Depois do episódio daquele dia, a probabilidade de Adam ser tirado dela aumentava.
— Eu e a Antonela ficamos cerca de vinte minutos do lado de fora – benjamim tentava explicar ao advogado o que havia acontecido naquela manhã – não vimos ninguém se aproximando da casa.
— Essa não é a única entrada para a fazenda – concluiu Dominique – existe um caminho pelos fundos. Quem pegou o Adam conhecia bem o local.
Aquele debate era inútil, pensou Antonela. Ela se levantou, enxugando as mãos suadas na calça e olhando para o corredor que dava acesso ao quarto, disse.
— Preciso ir ver o meu filho – um nó sufocou sua garganta – preciso ficar ao lado dele antes que o perca para sempre.
Ela girou as costas rapidamente e saiu da sala em passos largos, sem dar nenhuma chance a nenhum deles de tentar impedi-la. Benjamim se levantou com a intenção de segui-la, mas foi impedido por Dominique.
— Deixe que ela vá – segurou no braço dele – está sendo difícil para ela.
Benjamim sabia que estava, mas precisava convencê-la de que aquilo não aconteceria. Voltou a se sentar em seguida e voltaram a buscar uma saída para resolver aquele problema.
Ela encontrou Adam no quarto, deitado no chão desenhando em uma folha branca. Percebeu Carmélia o observando de longe quando se abaixou e sentou-se ao lado do menino.
— O que está fazendo? – ela olhou o desenho enquanto ele pintava.
— Estou desenhando o papai, você e eu – não olhou para ela e não viu quando os olhos de Antonela encheram-se de lagrimas – a tia Carmélia disse que não posso ficar na sala com o papai.
Antonela não conseguiu dizer mais nada. Ficou apenas o observando silenciosamente enquanto tentava não pensar na possibilidade de perdê-lo. Era uma enorme crueldade o que estavam fazendo com ela.
Carmélia saiu e voltou com uma xícara de chá. Antonela se levantou, ainda conseguia ouvir as vozes vindo da sala, mas ela não pretendia voltar para lá, estava farta de se preocupar. A verdade era que em seu coração já não havia mais esperança.
Aproximou-se de Carmélia quando a ouviu dizer.
— Eu deveria ter ficado de olho nele – se lamentou em um sussurro – não sei como alguém entrou aqui e o pegou sem que eu me desse conta.
— A culpa não foi sua – ela disse quando seus olhos recaíram sobre a janela aberta.
Ela era grande, daria para alguém entrar por ali perfeitamente. Não tinha grades. Quem imaginaria que alguém invadiria uma fazenda para sequestrar uma criança? Mas ela não comentou isso com Carmélia. Tomou seu chá silenciosamente enquanto sentia que precisava ficar ali, de olho em Adam para garanti que nada mais acontecesse com ele.
Naquela tarde Henrico apareceu na fazenda. Todos já sabiam o que havia acontecido com Adam e os comentários que rolavam entre os moradores era péssimo para Antonela.
Ela precisava voltar a trabalhar, havia feito um acordo com Henrico, mas sentia medo de sair e algo pior acontecer com Adam. Já não era mais seguro para eles ficarem ali.
Quando voltou para a sala, surpreendeu-se com a presença de Benjamim. Ele estava sentado no mesmo lugar conversando com Henrico. Ele lançou o olhar até ela, quando Adam veio correndo logo atrás ao encontro do pai.
— Você vai dormir aqui essa noite? – Benjamim lançou o olhar até ele, que estava cheio de expectativas, depois olhou para fora, para o céu, percebendo que o dia logo se apagaria, tornando-se noite.
— Não é uma péssima ideia – ele disse, quando olhou para Antonela.
Ela desviou o olhar imediatamente, se aproximou, sentou-se em frente a eles e disse:
— Não é mais seguro para o Adam ficar aqui – o coração dela disparou ao dizer isso – leve-o para dormir na sua casa essa noite.
Benjamim ficou surpreso ao ouvi-la dizer aquilo. Carmélia, ouvindo a conversa, tentou disfarçar o quanto as palavras de Antonela haviam a deixado triste. Mas ela tinha razão. A fazenda já não era mais segura.
— Tem certeza disso? – ele segurou Adam e percebeu que o garoto estava feliz com a notícia – você pode vir conosco se quiser.
O último comentário a pegou desprevenida. Sentiu sua boca secar ao imaginar dormindo tão perto dele. O coração de Antonela bateu mais forte. Aquela seria a primeira vez que ela dormiria longe de Adam desde que ele havia nascido.
— Vou ficar aqui – respondeu e se levantou, se afastando dele – preciso voltar à fábrica amanhã. Com você, o Adam estará seguro e eu conseguirei trabalhar em paz.
Deixou Benjamim e Henrico e voltou para o quarto. Colocou algumas peças de roupa do Adam na bolsa e voltou para entregar a Benjamim. Era a coisa mais difícil que ela estava fazendo nos últimos tempos. Uma sensação de impotência havia tomado conta de Antonela. Se despediu de Adam, prometendo que o veria no dia seguinte. Mas o menino estava feliz porque dormiria na casa do pai, que de alguma forma aquilo aliviou toda a dor do coração de Antonela.
Adam saiu com Carmélia para fora em direção ao carro, quando Fred e o advogado adentraram a casa novamente.
— Não tenho boas notícias – o velho gorducho disse – os boatos no tribunal são de que o juiz já decidiu. Ele entregará a guarda do Adam para você, Benjamim.
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