Capítulo 50 - o filho secreto do bilionário
- Erica Christieh

- 20 de jan.
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Henrico, nervosamente, gritava com os enfermeiros, insistindo para eles chamarem Alessia imediatamente.
Fred observou a cena e saiu do quarto em seguida, sem que ninguém visse e se afastou. Tomou o celular do bolso e ligou para o número que Alessia havia dado a ele.
Lembrou-se de que o dinheiro que ela o havia dado ajudou-o a pagar boa parte do tratamento de sua mãe. Pensava sobre isso quando Alessia atendeu o celular e disse rudemente.
— O que você quer, afinal, Fred? – mas ela não esperou que ele respondesse – eu disse a você que tenha paciência. Preciso de tempo para conseguir mais dinheiro.
Quem Alessia pensava que ele era? Alguém parecido com ela ou pior? Ele resolveu deixar de lado os maus modos dela e dizer o que precisava, embora considerasse que não era seu trabalho dar recados.
— Eu não liguei para isso – as palavras dele não fizeram nenhum sentido para ela – o seu pai está alterado há horas, insistindo para falar com você. Recomendo que, para a segurança dele, você venha imediatamente até o hospital.
Alessia revirou os olhos e bufou do outro lado da linha. O que Fred não sabia era que Alessia não tinha amor e nem dedicação ao pai, como ele tinha pela mãe dele. Se Alessia pudesse se livrar de Henrico, ela não pensaria duas vezes.
Pensando que não teria como fugir daquilo, disse enfim.
— Tudo bem, – disse com enorme insatisfação – estou indo vê-lo.
Encerrou a ligação imediatamente, sem esperar uma despedida, nem mesmo agradecer a Fred pela preocupação. Alessia sentia um peso enorme esmagando seu coração e não tinha cabeça para pensar em outra coisa além do que seu casamento com benjamim. Era doloroso para ela saber que, mesmo diante dos seus esforços, Benjamim não parecia preocupado nem mesmo com o filho, que ela fingia carregar no ventre.
Era insuportável para ela lembrar das últimas palavras proferidas por ele. Mas, no fundo, Alessia tinha esperança de que, depois do casamento, Benjamim cedesse e gradualmente se apaixonasse por ela, como deveria ser.
Se preparou para sair, ainda que desejasse ficar ali, pesquisando buffer e vestidos de noiva, pegou sua bolsa e as chaves do carro e se preparou para sair.
Seu celular tocou pela segunda vez. Ao olhar para o identificador de chamada, seu coração bateu mais rápido. Era benjamim e um sorriso sincero repuxou seus lábios ao atendê-lo.
— Oi, meu amor – ela disse com enorme empolgação.
— Estou indo até a sua casa para podermos conversar – Alessia considerou aquilo um bom sinal.
Então, lembrou-se de Henrico. Revirou os olhos.
— Preciso ir ao hospital – ela soltou o ar dos pulmões com pungência – o Henrico está desesperado para falar comigo. Podemos nos encontrar lá?
— Como queira – não havia nenhuma grande empolgação em sua voz, como alguém ansiosa para ver alguém que ama.
Benjamim encerrou a ligação repentinamente e deixou Alessia com as palavras soltas no ar, sem quem pudesse escutá-las. Ela afastou o celular e, olhando para a tela, teve certeza de que ele havia realmente terminado a ligação sem nem ao menos se despedir.
Seu coração voltou a se apertar ao imaginar o que de urgência ele teria para dizer. Saiu de casa em passos apressados, debaixo de grande estresse. Em pouco menos de vinte minutos ela estava em frente ao quarto de Henrico pronta para enfrentar a fúria do pai.
Ele estava sentado sobre a cama, na companhia de Fred. O coração de Alessia gelou instantaneamente, afinal Fred era cúmplice de todo o seu plano e temeu que ele contasse a Henrico toda a verdade.
— Oi, pai – os olhares de ambos recaíram sobre ela e Alessia fuzilou Fred, avisando a ele que não gostara de vê-lo na companhia do pai.
Mas Fred não pronunciou nenhuma palavra, recolheu todos os medicamentos e se retirou, deixando Alessia confusa e amedrontada.
— O que ele estava fazendo aqui? – ela mal percebeu a falta de sentido em sua pergunta.
— O que um enfermeiro poderia fazer? – ela desviou o olhar e observou Henrico. O rosto dele estava contorcido de ódio – agora você vai me explicar o que diabos você fez com o dinheiro da minha fábrica. E vai me explicar agora mesmo.
O coração de Alessia afundou no peito. Teria sido Fred o responsável por Henrico saber daquilo? Mas Fred não sabia que o dinheiro viera de sua fábrica. Ela ficou perdida em pensamentos e mal percebeu que a impaciência de Henrico diante do silêncio dela se alargava medonhamente.
— Me diga a verdade, Alessia – o grito dele a despertou para a realidade – o Fabricio me disse que você pegou todo o dinheiro da fábrica para pagar as despesas do hospital, mas sei que não foi você quem pagou a conta. O Benjamim me confessou tudo.
Um nó se formou em sua garganta e seus olhos se arregalaram ao ponto de quase saltarem pelo seu rosto. Todas suas perguntas foram respondidas, mas ela não sabia como responderia às dúvidas do pai. Contar a verdade estava fora de cogitação.
— Pai, eu precisei do dinheiro – as palavras quase pereceram em sua garganta – eu não sabia quando o senhor sairia daqui e pensei que, pegando o dinheiro da fábrica, poderia pagar as despesas da casa e comprar mantimentos.
— Está querendo me convencer de que você usou o meu dinheiro para isso? - o rosto de Henrico se enrijeceu – todas as contas da casa estão pagas, Alessia, e eu fiz o supermercado na semana passada. Ou você me conta a verdade, ou eu não sei do que serei capaz de fazer.
O corpo dela tremulou diante da declaração do pai.
— Considere como um empréstimo, pai – já não havia para onde fugir – eu não posso contar ao senhor o que fiz com o dinheiro, mas prometo que vou pagar e devolver tudo o que peguei.
— E como você fará isso, garota esperta? Henrico se pôs de pé e caminhou na direção dela – você não trabalha, não estuda, se tornou uma inútil igual à Antonela. Se sua intenção é me enganar, não está conseguindo.
— Mas vou me casar com o Benjamim – ela elevou a voz para ele, demonstrando avidez – e finalmente o senhor poderá salvar a sua empresa da falência. Quer um pagamento de dívida melhor do que isso?
Henrico fechou os punhos e se aproximou ainda mais, intimidando Alessia. As desculpas dela serviram apenas para deixá-lo ainda mais inquieto. Ele estava pronto para pressioná-la ao ponto de Alessia contar o que ela havia feito com o dinheiro, mas uma segunda visita atravessou a porta, acabando de vez com suas investidas.
— Que bom vê-lo de pé, Henrico – a voz de Benjamim rompeu o clima ruim entre eles e Alessia pôde ficar calma.
Henrico olhou nos olhos de Benjamim e se afastou de Alessia, mas seu olhar devorador permaneceu em cima dela por algum tempo até ele se afastar definitivamente e ir cumprimentar o genro.
Mas Benjamim também parecia ter pressa, caminhou até Alessia e, segurando-a pela mão, a arrastou para fora do quarto. Alessia acreditou estar sendo salva, até Benjamim a fuzilar com o olhar e, de forma ríspida, dizer a ela.
— Você vai parar agora mesmo de chantagear a Antonela – ele a pressionou contra a parede, usando toda a sua frieza e arrogância – ou não vai ter filho que vai me obrigar a casar com você.
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