Capítulo 65 - o filho secreto do bilionário
- Erica Christieh

- há 10 minutos
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Alessia não precisava ser informada do que era necessário fazer. De repente, quando chegou, viu sua casa ser tomada por montes de rostos desconhecidos e animados que a arrastaram para um quarto e a obrigando sentar-se em uma cadeira começaram com sessões de massagens, maquiagens e planejamentos de uma noite perfeita, que Alessia não fazia questão de imaginar.
Nada naquele casamento seria perfeito, nem mesmo sua lua de mel, a qual não existiria. Benjamim já havia deixado claro o quanto a detestava e que nela ele não mais tocaria.
Tudo parecia até mesmo um pesadelo, mas Alessia não desistiria, ainda havia esperança em seu pobre coração, de reverter aquele fim.
Um casamento arranjado e apressado estava longe de ser um marco romântico ou ao menos parecido com que Alessia sonhou um dia. Ela se perguntou por que todo esse aparato era necessário para um casamento, que no fim das contas era apenas mais um contrato.
— Você não me parece feliz, Alessia – o comentário da moça de cabelos negros fez ela levantar o olhar. O sorriso debochado instalado em seus lábios a irritou profundamente – vai se casar com Benjamim Dylon. Todas as mulheres dessa cidade desejam estar no seu lugar.
Embora ela estivesse destruída por dentro, forçou um sorriso, fazendo questão de validar o comentário e mostrar que, além de sortuda, ela também era amada.
— A gravidez tem me deixado enjoada – ela comentou, embora fosse uma enorme mentira – mais me sinto nas nuvens porque vou me casar com um homem que me ama profundamente.
Imediatamente o olhar de Carlota recaiu sobre ela, mas a mulher não ousou desmentir a nora na frente daquela gente, ainda mais sabendo que ainda que as mulheres fossem ótimas profissionais, não passavam de mexeriqueiras, que estavam ali para também despejar seu veneno sobre a Alessia.
Benjamim não amava Alessia e Carlota sabia muito bem disso. Enquanto ficou apenas ouvindo os comentários fermentarem sem nenhuma base verdadeira, ela tentou pensar no lado bom desse casamento, ela teria finalmente um neto e nada mais importava.
Benjamim aprenderia amar Alessia e Alessia o ensinaria a ser um bom marido.
Juntou as duas mãos e silenciosamente suplicou para que tudo ocorresse bem naquele dia, que nada atrapalhasse o casamento. Carlota não suportaria outro escândalo envolvendo sua família. Da última vez que isso aconteceu, a cidade ficou semana falando sobre o fato de benjamim ter abandonado sua noiva no altar.
Ela garantiu que ele não fizesse isso novamente quando o ameaçou deserdá-lo. Se tinha algo que Benjamim amava mais do que as mulheres, era sua vida financeira tão bem estabelecida. Pensando sobre isso, ela colocou um sorriso no rosto e pensou da maneira mais positiva a qual conseguiu.
Não havia percebido Alessia se levantar e se aproximar dela com certa urgência. Sentiu um toque leve em seu ombro e, quando girou o pescoço para olhar, viu Alessia parada ao seu lado, com um véu preso em seus cabelos e lindamente maquiada. Os olhos de Carlota se encheram de emoção e ela precisou abordar as lágrimas para não chorar antes do tempo.
— Podemos conversar por um instante? – Alessia disse com a voz carregada de urgência.
Carlota abaixou o olhar para o relógio de pulso e, vendo as horas, percebeu terem tempo para descansar de toda a pressão que aquele casamento vinha trazendo sobre elas. Levantou o olhar novamente e percebeu muita preocupação no semblante de Alessia.
— Podemos, sim, querida – sorriu para ela, embora não soubesse distinguir o sentimento em relação à Alessia, sentia-se obrigada a tratá-la bem porque ela carregava um herdeiro em seu ventre – está acontecendo algo urgente?
Imediatamente depois da pergunta, o olhar de Alessia passeou pelos cantos da casa, onde as outras convidadas estavam alojadas. Ela precisava garantir que ninguém ouvisse suas confissões.
Segurou delicadamente pelo braço de Carlota e a conduziu para a cozinha da casa, trancando-se com ela. Depois olhou nos olhos de Carlota consciente que sua atitude levantaria suspeitas e que seriam irreversíveis.
Com o coração socando contra o peito ela finalmente disse.
— O meu pai está magoado comigo e eu temo que ele se negue a me levar até o altar.
A confissão dela foi inesperada e gerou em Carlota uma curiosidade gigantesca.
— O que a leva a pensar isso?
Boa pergunta, pensou Alessia e necessária para seguir com o seu plano de convencê-la.
— Eu me sinto muito envergonhada em confessar isso – abaixou a cabeça e fingiu constrangimento, sabendo que Carlota se assustaria com o que ela diria em seguida – mas quando Henrico estava internado, eu peguei todo o dinheiro da fábrica como um empréstimo. Precisei do dinheiro para pagar algumas dívidas.
A reação da Carlota não foi outra além da esperada. Ela olhou nos olhos de Alessia espantada e ela enrubesceu. Sem esperar que ela concluísse qualquer julgamento prosseguiu.
— Ele pensa que eu o roubei, mas foi um empréstimo apenas e eu prometi que devolveria o dinheiro o mais rápido que pudesse – parou para recuperar o folego enquanto Carlota desviou o olhar para longe do dela, como se fosse um peso continuar olhando em seus olhos – não quero que ele me odeie ou me abandone no altar no dia mais importante de minha vida.
— Henrico jamais faria isso com você – falou com um suspiro, demonstrando que, mesmo impactada com sua confissão, tentava compreendê-la.
— Você teria que conhecê-lo para compreender – forçou de repente um choro para convencê-la ainda mais – nada do que fiz se encaixa na imagem de filha ideal que ele quer. Meu pai tem ideias bem definidas sobre o papel das mulheres nessa casa, principalmente eu, como a filha preferida dele.
— Como assim? – insistiu Carlota, porque realmente não entendia onde Alessia pretendia chegar.
— Que ele está magoado comigo ao ponto de me deixar entrar naquela igreja sozinha – gemeu como se o que dissesse a ferisse profundamente – eu não quero ser uma vergonha para ele como Antonela foi, você entende?
Carlota olhou e imaginou ver muito sofrimento após a confissão de Alessia. Imediatamente se compadeceu da dor dela.
— Sinto muito, querida – ela pensou o quanto seria constrangedor caso acontecesse o que Alessia dizia – e como eu poderia ajudá-la para evitar que isso acontecesse?
Alessia olhou para Carlota cheia de esperança. Ela era a solução para o seu problema.
— Preciso devolver o dinheiro a ele – admitiu ela sem nenhum pudor – mas preciso fazer isso antes do casamento.
Carlota hesitou por um instante ao perceber que era isso ou ver o casamento de Benjamim passar outra péssima impressão aos convidados. Carlota não permitiria que isso acontecesse.
Imediatamente retirou o celular do bolso decidida a ajudar Alessia a resolver aquele problema deixando os questionamentos para depois.
— Irei transferir o valor para seu pai agora mesmo.
— Envie-o para mim – tocando em sua mão ela a interceptou – eu mesma quero fazer isso.
A atitude de Alessia causou estranheza em Carlota, mas ela sentiu que devia isso a Alessia por estar se sacrificando, casando-se com benjamim mesmo ele não a amando apenas para dar a ele herdeiros.
Concordou e, logo depois que Alessia informou o valor para ela, o dinheiro foi depositado em sua conta. Deu um breve abraço na mulher. Vestiu-se de noiva e, quando faltava uma hora para o casamento, saiu da casa apressadamente, dizendo que resolveria aquele problema imediatamente. Carlota tentou impedi-la, afinal se atrasaria para o próprio casamento, mas Alessia não deu ouvidos aos seus conselhos.
Chegou à casa de Fred em menos de dez minutos e, batendo na porta de sua casa, encheu-se de certeza de que aquele problema estaria finalmente resolvido.
Mas Fred não estava na casa e ninguém sabia para onde ele havia ido.
O tempo se esgotou.
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