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Capítulo 67 - o filho secreto do bilionário

O filho secreto do bilionário
O filho secreto do bilionário

Vladir pegou em suas mãos o papel amassado e com manchas de sujeira, como se Fred o olhasse diariamente. As marcas de seus dedos estavam em todos os lugares e o desgaste do papel provava que ele pensava sobre o que havia feito insistentemente por vezes que Vladir não soube enumerar.



Voltou a olhar para as horas no relógio. Já não havia tempo para pensar sobre o que fazer. Pediu para o policial levar Fred para a cela e saiu da delegacia em direção ao local onde o casamento aconteceria.  


Do lado de fora da igreja, Carlota olhava para todos os lados, aflita, em busca de Alessia. Henrico caminhava de um lado a outro em frente à enorme escadaria com o celular em punho, insistindo em uma ligação atrás da outra, em vão. Alessia não atendia o maldito telefone. 


Henrico sentiu um aperto no peito ao olhar a igreja cheia e os minutos transcorrendo sem ter ideia do que havia acontecido. Ele fartaria novamente se Alessia não aparecesse imediatamente. Desligou o aparelho e voltou a perguntar a Carlota o que havia acontecido.  


Carlota vinha relutando contra a ideia de contar a ele a verdade. Alessia pedira total sigilo com a única intenção de fazer a ele uma surpresa, mas os acontecimentos não faziam o menor sentido para ela. 


— Ela disse que iria atrás de você – as mãos dela tremularam ao confessar – me confessou que havia pegado seu dinheiro emprestado e que precisava pagá-lo. Dei o dinheiro a ela e Alessia atravessou a porta desesperada atrás de você. 


Henrico franziu a testa completamente confuso. 


— E ela não saberia que eu estaria aqui, na porta da igreja esperando por ela? 


— Ela não sabia – sentiu o cansaço abafar sua voz e precisou encher os pulmões de ar para finalmente prosseguir – ela acreditava que você se negaria a levá-la até o altar se ela não lhe devolvesse o dinheiro. 


Aquilo não fez o menor sentido para Henrico. Ele jamais havia declarado isso para Alessia nem levantado hipóteses que certamente existiam apenas em sua mente conturbada. Tentou pensar nos lugares que Alessia o procuraria. 


Lembrou-se da fábrica. Antonela estava lá e o encontro das duas não terminaria nada bem. 


— Sei onde encontrá-la – ele disse, sentindo uma camada de suor tomar conta de seu rosto enrugado – irei trazê-la de volta. 


Henrico não havia dado nem um passo sequer, quando viu o carro de Alessia estacionar em frente à igreja e ela descer lentamente do veículo, vestida de noiva.  


O olhar de Alessia se desviou ligeiramente para o seu pai. Henrico, que estava furioso, suspirou aliviado por vê-la. Correu até ela, com os olhos baixos sem nenhum sinal de perturbação, lhe disse: 


— O que deu em você para desaparecer no dia do seu casamento? – percebeu então que os olhos de Alessia encheram-se de lagrimas ao ouvir sua pergunta. 


— Sinto muito, pai – ela desviou o olhar e observou tudo, cada centímetro ao seu redor – onde está o Benjamim? 


— Ele ainda não chegou – o coração de Alessia se apertou no peito e ela pensou que Fred havia conseguido o que tanto desejara – mas não deve se preocupar com isso, ele não está atrasado para o casamento. 


— E se ele desistir? – uma lagrima escorreu pelo rosto dela estragando a maquiagem – e se ele fizer comigo o que fez com a Antonela? Por favor, pai, não permita que isso aconteça. 


Ele não conseguia acreditar, que Alessia sendo arrogante e destemida ficasse tão desesperada e temendo um possível abandono do pai do seu filho. Henrico suavizou um pouco ao ver o medo estampado no rosto da filha, mas ainda assim falou friamente. 


— Isso não vai acontecer – ele agarrou a mão gelada de Alessia – você carrega dentro do seu ventre o herdeiro que ele sempre quis. É tarde demais para que ele desista. 


Alessia tentou acreditar nas palavras do pai, embora não conseguisse parar de pensar que Fred cumpriria sua promessa a qualquer momento e contaria a Benjamim a verdade sobre sua falsa gravidez.  


Henrico voltou a abrir a porta do carro e pedir para que Alessia entrasse de volta no veículo para que esperassem ali dentro a chegada de Benjamim. Observou-a estremecer e ficar com o olhar fixo na entrada da igreja, como se pressentisse o pior. Henrico, por outro lado, ficou com as palavras de Carlota martelando em sua mente o tempo todo, porém considerou que aquele não era o momento para perguntar a Alessia sobre o dinheiro que ela deveria lhe entregar.  


Talvez ela se lembrasse desse assunto em outro momento.


O carro que levava Benjamim até a igreja parou há alguns metros de distância, quando o celular vibrou insistentemente em seu bolso. Ele segurou o aparelho em suas mãos e olhando para a tela mal acreditou. 


O que o delegado Vladir queria com ele, minutos antes do seu casamento? Ele relutou muito em não atender, mas a curiosidade foi maior. Talvez conversando com alguém que o odiava pudesse diminuir a dor dentro do seu peito. 


Levou o aparelho até o ouvido e esperou que ele dissesse qualquer coisa. 


— Onde você está? – a pergunta não fez o menor sentido, mas o desespero com que ela foi pronunciada acendeu um alerta em Benjamim. 


— Onde eu estaria, se falta apenas alguns minutos para que eu me case? – a ironia de Benjamim não sutil o efeito desejado – ou você vai dizer que não tinha conhecimento desse casamento? 


— Nada sobre sua vida me interessa, Benjamim – foi rude de repente – mas preciso falar com você agora e peço que escute o que tenho a dizer. 


— Podemos deixar seus interrogatórios para depois, delegado? – levou a mão até a maçaneta – eu não posso me atrasar para o meu casamento. 


— Sei que você não quer se casar com a Alessia, benjamim – a mão de Benjamim congelou e ele ficou imóvel enquanto ouvia aquilo – eu já estou chegando na igreja, peço que me espere e escute o que tenho para dizer. Prometo que não vai se arrepender. 


Afinal, porque Benjamim deveria confiar em Vladir, se ele o detestava por iludir uma de suas irmãs e tê-la abandonado em seguida? Se moveu, olhando para as horas, percebendo que, se Vladir não se apressasse, ele teria grandes problemas.  


Resolveu ouvir o que ele tinha para dizer e lhe dar uma única oportunidade. Encerrou a ligação e esperou Vladir aparecer. Cinco minutos depois, observou o carro do delegado estacionar logo atrás do seu e viu ele sair do veículo e entrar, sentando-se ao seu lado. 


A situação era constrangedora e estranhamente misteriosa. Havia algo incomum no rosto de Vladir como uma urgência de justiça.  


A atmosfera ficou em silêncio por um instante quando Vladir retirou um papel desgastado do bolso e direcionou-se a ele. Os olhos de Benjamim recaíram sobre o documento dobrado e ele demorou a entender o que acontecia. 


— O que é isso? – levantou o olhar até ele, pensando que talvez fosse a cartada final de sua vingança pessoal. 


— Eu não tenho tempo para explicar agora – balançou o papel na direção dele, insistindo para que ele pegasse – apenas veja e pode me agradecer depois. 


Benjamim franziu a testa ao ouvir isso, olhando para Vladir com uma expressão preocupada. Se realmente não fosse importante, Vladir jamais abandonaria sua delegacia, percorrendo metade da cidade para lhe entregar algo que realmente não mudasse as coisas. 


Sem pensar muito, Benjamim agarrou o papel, tomando para si e o abrindo com dificuldade. O documento estava amassado, mas ao recair seu olhar sobre as letras grifadas, o impacto da verdade expressa ali o atingiu como um tiro dado à queima-roupa. O rosto de benjamim tornou-se pálido e ele prendeu a respiração. 


— Um teste de gravidez no nome da Alessia – ele sussurrou ao perceber o resultado e a data em que o teste foi realizado. 


— Eu não vou dizer que sinto muito ao lhe dar essa notícia – Vladir ajeitou a jaqueta marrom que vestia – mas a Alessia mentiu para você. Ela não está grávida, Benjamim. Ela não está esperando o herdeiro que você tanto desejou.

 

 

Continue lendo o filho secreto do bilionário.



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