Capítulo 83 - o filho secreto do bilionário
- 20 de fev.
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Atualizado: 27 de fev.

Antonela saiu da fábrica sob o olhar atento de Alessia, que a observava da janela. Mas ela não percebeu, estava concentrada na missão de tornar o dia de Adam feliz e nada atrapalharia seus planos.
Ela passou em uma loja infantil e saiu de lá com um carrinho embrulhado para presente. Imaginou como Adam se comportaria ao receber o agrado. Há muito tempo ela não comprava nada para o filho. Não proporcionava a ele momentos divertidos como aquele.
Voltou para casa feliz e cheia de expectativas.
Desceu do ônibus e caminhou pela longa estrada de chão, quando avistou Carmélia correndo para fora da casa, com Adam nos braços.
Foi como se o tempo parasse ao redor dela, ficasse suspenso e deixasse de existir. O presente que ela segurava nas mãos, caiu e os olhos de Antonela encheram-se de lagrimas.
Ela correu na direção de Carmélia, prevendo o pior. Correu até o alcançar. Arrancou Adam dos braços dela e deixou que o desespero tomasse conta de suas emoções.
Adam estava desacordado. Seu rosto pálido fez Antonela pensar o pior. Ela sacudia o garoto para ele acordar, mas Adam não reagia.
— O que aconteceu? – os olhos de Antonela derramaram as lagrimas que havia nascido minutos antes.
— Eu não sei – Carmélia atropelava as palavras, gaguejando-as – eu o encontrei assim, desacordado na porta do quarto, com o nariz sangrando.
Em desespero, Antonela correu para a estrada de chão, em direção à avenida principal. Ela precisava pedir ajuda e levar Adam rapidamente para o hospital antes que fosse tarde demais.
Carmélia a acompanhou, enquanto ligava para o serviço de emergência na esperança de que uma ambulância os socorresse. Um carro parou ao sinal de Antonela. Sem pensar muito, elas entraram no veículo e o homem desconhecido as levou para um hospital.
Antonela entregou o garoto nos braços do médico que o levaram, ainda desacordado para dentro. Foi orientado que ela fizesse o cadastro dele, mas Antonela mal se segurava em pé.
Carmélia a sentou em um banco e fez o que o médico havia pedido. Em seguida, ligou para Dominique informando o que havia acontecido. Quando se sentou ao lado de Antonela, ela parecia em choque, tinha o rosto branco como uma folha de papel e seu olhar permanecia perdido, como se ela estivesse desconectada do próprio corpo.
— Sinto muito, Antonela – as lágrimas escorreram pelos olhos de Carmélia – eu não sei o que aconteceu. Eu o deixei sozinho por apenas alguns minutos e, quando voltei, ele estava desacordado.
Antonela levou o olhar até ela, sabendo que a culpa não era de Carmélia. Adam já vinha apresentando falhas na saúde. O menino vivia fraco e dando sinais febris. Tinha algo acontecendo com ele, coisa a qual Antonela não deu a devida atenção.
Se havia alguém culpada nessa história era ela, que trabalhava demais, passando horas longe do filho não dando a atenção que ele merecia.
Ela não deveria ter passado a noite longe dele. Deveria ter voltado para casa. Se tivesse feito isso, talvez as coisas não terminassem assim.
— A culpa não é sua – Antonela sussurrou, passando a mão sobre o rosto molhado.
Em seguida, ela se levantou e caminhou até a emergência. Ela não suportaria ficar esperando, enquanto seu filho era socorrido. Foi autorizado que ela entrasse.
Antonela percorreu os corredores em busca de Adam. Não sabia para onde ir e ninguém tinha nenhuma informação para onde ele havia sido levado. Seus olhos atentos percorriam cada canto e sua atenção voltada apenas para encontrar o filho não a fez perceber a presença de Benjamim e se esbarrar nele de repente.
Ela olhou nos olhos dele, enquanto Benjamim a envolvia em seus braços.
Aquilo era um pesadelo. Benjamim e Adam no mesmo hospital.
— O que você está fazendo aqui? – o sangue dela congelou imediatamente e Antonela se afastou cheia de temor.
Benjamim franziu o cenho, duvidoso. Antonela parecia preocupada e com medo, como se escondesse um grande segredo.
— Vim ajudar um amigo a liberar o corpo da mãe – ele voltou a analisar o rosto dela, que evitava olhar em seus olhos – mas e você? Está doente? Por que está no hospital?
Os olhos de Antonela se encontraram com os dele. Ela não estava pronta para contar a Benjamim que ele tinha um filho. Ela nem sequer havia imaginado contar aquele segredo a ele em tais circunstâncias. Queria se preocupar apenas com a segurança de Adam e com a saúde dele. Aquele assunto ficaria para depois.
— Estou acompanhando a mãe da Dominique – ela entrelaçou os braços em frente ao corpo e se encolheu – ela está muito doente e a Dominique pediu para que eu a acompanhasse.
Voltou a desviar o olhar pela segunda vez, para que Benjamim não percebesse que ela mentia. Ainda assim, sentiu-o se aproximar e ficar apenas alguns centímetros dela. O toque dele sobre seu queixo causou calafrios. Ele ergueu a cabeça dela e a obrigou a olhar em seus olhos.
— Sobre o que aconteceu hoje – ele disse, referindo-se ao beijo – a nossa conversa não terminou.
Era claro que não havia terminado, mas Antonela não queria falar sobre nada que não fosse relacionado ao Adam naquele momento. Embora ela não conseguisse parar de pensar no beijo que ele havia dado e nos sentimentos que aquilo causara em seu coração, esse assunto precisava esperar.
Ela abriu a boca para dizer a ele que não queria falar sobre aquilo, quando Fred se aproximou, rompendo o momento dos dois.
Antonela levou o olhar até o rapaz desconhecido, que tinha os olhos cheios de lágrimas, e só então se afastou de Benjamim, quebrando o contato entre eles.
— Está tudo resolvido, senhor Benjamim – Fred disse, limpando as lágrimas e elevando o olhar até Antonela.
Teve a impressão de conhecê-la de algum lugar.
— Essa é Antonela – Benjamim apontou para ela – a irmã mais velha da Alessia.
O rosto de Fred se contorceu, transformando-se em algo sombrio. Agora ele sabia de onde vinha a impressão de conhecê-la. Antonela se parecia muito com Alessia. Por outro lado, Antonela se agitou. Ela queria encerrar aquela conversa de uma vez, embora tivesse questionamentos sobre quem era aquele rapaz e como ele conhecia a Alessia.
Antonela tinha problemas maiores para resolver. Precisava encontrar Adam e saber se seu filho estava bem. Ficando ali, corria o risco de o seu segredo ser descoberto.
— Preciso ir – ela disse, dando dois passos para trás – a Carmélia está me esperando. Conversamos em outro momento.
Benjamim abriu os lábios para dizer algo a ela, mas Antonela girou os calcanhares e caminhou com passos apressados para longe dele.
Logo, Benjamim não a viu mais.
Assim que Antonela girou o corredor, avistou o médico que havia levado Adam para ser socorrido. Correu para alcançá-lo. Ele a levou até onde o menino estava e, no caminho, explicou toda a situação.
— Precisaremos fazer alguns exames para ter certeza do diagnóstico – havia uma enorme preocupação no rosto do homem – por enquanto, Adam ficará internado, mas quero que se prepare. O caso do Adam parece grave.
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