Capítulo 95 - o filho secreto do bilionário
- 28 de fev.
- 6 min de leitura

Antonela sentiu que não suportaria ficar nem mais um minuto perto de Henrico, ainda mais sabendo que ele estava prestes a contar a verdade a Alessia. Sentou-se em um banco, em um lugar onde não podia ver nem ouvir os dois conversando, então imediatamente lembrou-se da sua infância.
Quando eram crianças, ela e Alessia brincavam juntas. Eram amigas e se divertiram por muitos anos. Houve um tempo em que Antonela começou a perceber a preferência de Henrico pela filha mais nova. Sempre a via recebendo mais presentes, mais carinho, enquanto recebia broncas e pontapés.
Francesca de algum modo sempre tentou amenizar um pouco as injustiças de Henrico no tratamento com as duas filhas, mas nem mesmo isso conseguiu arrancar dentro dela a sensação de estar sendo rejeitada pelo próprio pai.
Conforme Alessia crescia e percebia que Henrico ficaria sempre ao seu lado, deixou o carinho que sentia por ela de lado e começou a rejeitá-la também. Ao se recordar disso, soltou o ar com força, fechando os olhos para não chorar mais uma vez, quando se assustou com a voz que surgiu ao seu lado.
— Quer saber como foi minha conversa com o Adam? – perguntou, fazendo Antonela dá um salto de susto.
Quando ela abriu os olhos viu Benjamim com um sorriso leve no rosto, como se divertisse do seu momento frágil.
— Tenho certeza de que ele me contará tudo depois – ela passou a mão sobre o rosto – mais certeza ainda de que ele está feliz por conhecer o pai.
Benjamim então trouxe a mente o sorriso de Adam ao perguntar se podia chamá-lo de pai. Havia sido uma conversa franca e rápida, Benjamim não queria cansar o menino, resolveu assim poupá-lo de muitas coisas que havia surgido em seu coração. Havia apenas falado sobre ele e o quanto desejara ter um filho. Adam pareceu compreender, mas na maioria do tempo permaneceu quieto e silencioso.
— Eu senti medo – ele confessou, quando os olhos de Antonela recaíram sobre ele – O Adam está tão frágil que tenho medo de perdê-lo sem ter a chance de conhecê-lo melhor.
Essas palavras rasgaram o peito de Antonela por dentro. Se a intenção de Benjamim era deixá-la cheia de ressentimentos por esconder dele a verdade, ele finalmente conseguiu. Era como se tivesse levado um soco no estômago.
Logo ele percebeu que a angústia se alastrava pelo belo rosto de Antonela, essa não havia sido sua intenção. Embora ele ainda estivesse bastante chateado com ela por ter lhe escondido a verdade, de modo algum ele queria fazê-la se sentir mal por qualquer que fosse o motivo.
— Me parece que as coisas entre você e o Henrico pioraram.
Ele percebeu que ela se agitou com o seu comentário.
— Prefiro não falar sobre isso – Antonela queria mentir para ele, mas não conseguiu – eu e o meu pai nunca nos demos bem, agora que sei que ele foi infiel com a minha mãe e a obrigou a cuidar de uma filha que não era dela, não sei se conseguiria perdoá-lo algum dia.
Quando Antonela desviou o olhar, Benjamim esperou até que ela voltasse a encará-lo. Era como se ele sentisse a dor dela, era nítido em seu semblante que se preocupava com Antonela e dessa vez não fez questão de esconder. Arrastou o corpo para mais perto do dela e sentiu o calor exalando dele. Foi nesse momento que finalmente ela o encarou.
— Desde quando o Henrico sabe sobre o Adam? – ele sussurrou quando se deu conta de estar perto demais.
Antonela percebeu que não havia raiva nele ao perguntar isso.
— Você deve estar pensando que todos mentiram para você – ela se hesitou e a sombra de um sorriso se formou em seu rosto – contaram a ele sobre o Adam para que ele me impedisse de partir.
— Pelo menos o plano deu certo – algo imediatamente o incomodou e Benjamim jogou o corpo para trás, quebrando o contato visual que tinha com ela – você continua aqui.
Antonela sentiu seus ombros se encurvarem. O tom de voz de Benjamim havia mudado, como se ele acabasse de lembrar da mentira dela. Engoliu a seco, imaginando o quão difícil seria conviver com ele a partir daquele momento.
Continuaria o amando, sabendo que ele a odiava.
— Eu também estou passando por alguns problemas com a minha mãe – quando Benjamim disse isso, atraiu o olhar de Antonela para ele – deixei minha casa para ela e fui morar em um lugar distante. Também não sei se conseguirei perdoá-la por ter me chantageado, me forçando a casar com sua irmã.
O olhar dela continuou firme sobre ele, quando também descansou as costas no banco duro, sentindo seu ombro encostando no dele. Benjamim não ensaiou nenhum afastamento, ao contrário, eles pareciam confortáveis um na presença do outro, pela primeira vez depois de muito tempo.
— Lamento muito – ela disse, agora com o olhar abaixado, enquanto apertava os dedos das mãos – estamos passando por problemas parecidos e carregando o mesmo sentimento de remorso pelos nossos pais. Espero que você não esteja pior do que eu.
Ele não entendeu o que ela pretendia dizer com a última frase, mas Antonela estava convicta de que Benjamim também a odiava e jamais a perdoaria por esconder o filho legítimo dele por tanto tempo.
— Temos um problema maior para nos preocupar agora – disse ele.
Foi como se a magia acabasse naquele exato momento. Benjamim se levantou, se afastando dela e lhe virando as costas. Embora tivesse sido a primeira vez que eles conversavam amigavelmente sem brigar, ela sentia algo sombrio pairando Benjamim e sabia que esses sentimentos estavam se voltando contra ela naquele exato momento.
Tentou se lembrar de que não estava ali para tentar uma reconciliação com ele, mas apenas e exclusivamente para cuidar do Adam. Tentou afastar os pensamentos e se focar apenas no seu objetivo. Levantou-se, alguns segundos depois, enxugando as mãos suadas na calça amarrotada e se preparou para voltar ao quarto de Adam e passar mais uma noite no hospital.
— Há quantos dias você não vai para casa descansar? – a voz rouca dele a pegou de surpresa.
Ela o observou se virar e a fuzilar com o olhar mais uma vez. Benjamim enfiou as duas mãos nos bolsos da calça e continuou a encarar, esperando que ela não mentisse dessa vez.
— Eu não preciso descansar. Eu só preciso que o Adam fique bem.
Ela se preparou para encerrar aquela conversa e deu alguns passos na intenção de se livrar dele, mas Benjamim a impediu, segurando-a pela mão e a forçando a olhar em seus olhos.
— Vá para sua casa, onde quer que ela esteja. Ficarei essa noite no hospital para cuidar do Adam.
Antonela pestanejou ainda tentando entender o que ele dizia. Se perguntou se Benjamim daria conta de cuidar de uma criança no estado crítico em que Adam se encontrava, mas preferiu não o constranger perguntando isso.
— Prefiro ficar – ela usou da teimosia para convencê-lo.
— Você me roubou três anos da minha vida com ele – Antonela notou muita decepção no tom de voz dele e engoliu o gosto ruim em sua boca – deixe que cuido do meu filho essa noite.
Ela o observou desviar o olhar e seu rosto ganhar rigidez. Ela esperou que ele dissesse mais alguma coisa, mas benjamim se silenciou. Pensou que talvez ela devesse dizer a ele o quanto sentia muito e até tentou dizer, mas a sombra de Alessia apareceu no segundo seguinte.
Antonela pensou que talvez não fosse uma boa ideia deixar Adam com Alessia tão perto, mas ao perceber o olhar de Benjamim sobre a presença da irmã mais nova, soube que o filho estaria seguro ao lado dele.
Se retirou imediatamente e foi para casa na companhia de Carmélia. Ela não quis conversar com ninguém mais naquela noite. Ela só desejou dormir e acordar com o fim daquele pesadelo.
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