Capítulo 99 - o filho secreto do bilionário
- 2 de mar.
- 6 min de leitura

Carlota desviou o olhar e ficou perdida nos pensamentos por longos segundos.
Ela havia sonhado durante muito tempo com aquele neto, mas não imaginou que ele viria daquela forma repentina. Voltou a olhar para o rosto de Benjamim, não havia felicidade nele, ao contrário, seu filho sequer dormira direito. Uma preocupação rondava seu semblante. Carlota conseguia sentir que tinha um problema no meio de tudo isso.
— Tem certeza de que esse menino é seu filho? – A pergunta fez Benjamim travar o maxilar e a preocupação se estender.
Carlota sentia Benjamim distante dela. Sabia que precisaria de tempo para recuperar a confiança do filho depois de tudo o que aconteceu. Para que isso acontecesse, ela não o jugaria, nem mesmo jogaria sobre ele suas frustrações com aquela informação.
— Eu não sei – respondeu, enfim, sentindo um nó sufocar sua garganta – solicitei um teste de paternidade.
Suas palavras saíram secas, não porque o assunto não era importante, mas porque ele não desejava conversar com a mãe. Ao menos Carlota teve essa impressão.
Sabendo que havia um clima ruim entre eles, ela tentou se aproximar e, mudando o tom de voz, lhe disse com afeto.
— O que mais o aflige, meu filho? – Benjamim estranhou o modo como ela disse isso – tem algo a mais acontecendo que você queira me contar?
Ele não a respondeu imediatamente. Girou os calcanhares, abriu a porta do apartamento e entrou. Sabia que Carlota viria logo atrás, ainda que não fosse convidada, deixou assim para que ela fechasse a porta. O silêncio que seguiu foi perturbador. Carlota permaneceu parada observando o lugar. Era pequeno, nada aconchegante. Como o homem mais rico da cidade poderia viver naquela situação?
Não havia tempo para questionar sobre isso. Carlota precisava saber tudo sobre o garoto, mas Benjamim parecia não querer continuar aquele assunto.
— Como você descobriu? – ela insistiu – e porque a Antonela escondeu isso de você por tanto tempo?
Benjamim desabotoou a camiseta e ficou com os peitos à mostra. Queria ir para o seu quarto, tomar um demorado banho e descansar, mas seria uma missão quase impossível.
— O Adam está doente, ele tem anemia aplástica e precisava de um transplante de medula – os olhos de Carlota encheram-se de surpresa e dor ao mesmo tempo – foi por isso que a Antonela me contou, porque acredita que posso salvar o menino.
— Então ele é seu filho – os olhos dela brilharam – ela jamais pediria ajuda se não tivesse certeza.
Benjamim inalou profundamente, controlando suas emoções, mas foi impossível, em seguida, um sorriso incrédulo repuxou seus lábios. Ele não acreditava no que estava ouvindo.
— A senhora não vai se zangar com o fato dela ter escondido seu neto por três longos anos? - sua voz profunda, pesada de cansaço, murmurou pela sala – Antonela iria me deixar casar com a irmã dela, mesmo tendo os motivos para impedir esse casamento.
Carlota observou Benjamim pela segunda vez e percebeu uma profunda tristeza ao vê-lo dizer aquilo. Havia sentimentos escondidos dentro dele, que a todo custo Benjamim tentava esconder, mas Carlota conseguia ver.
— Eu não estou zangada com ela – foi sincera e suas palavras causaram estranheza em Benjamim – Antonela teve seus motivos, afinal, você a abandonou no altar e depois a engravidou, fingindo que não a conhecia.
Benjamim arregalou os olhos e se irritou imediatamente. Atordoado, o olhar dele recaiu sobre a porta e seus pés o levaram instantaneamente para lá. Foi nesse momento que todo o ressentimento contra Carlota recaiu sobre ele. Lembrou-se de tudo o que ela havia feito antes e não permitiria que ela se metesse em sua vida uma segunda vez.
— Eu nem deveria estar tendo essa conversa com você – abriu a porta, convidando-a a sair – estou cansado e quero ficar sozinho. Por favor, vá embora.
Carlota engoliu em seco, percebendo haver exagerado nas palavras mais uma vez. O desprezo de Benjamim estava partindo seu coração de modo que ela já não conseguia mais suportar. A conversa daquela manhã a fez ter esperança de que ele a perdoaria. Mas essa esperança fora destruída naquele momento.
Ela o olhou com tristeza, mas ele não a impediria de conhecer Adam e saber mais sobre ele.
— Quero conhecer o Adam – disse, enquanto erguia o queixo e o encarava com determinação - diga-me em que hospital ele está.
— É uma péssima ideia – ele passou a mão sobre o rosto cansado – conhecendo bem a senhora, certamente vai piorar ainda mais a situação.
— Sabe que, se não me contar, eu descobrirei sozinha.
A atmosfera tornou-se tão assustadora e sufocante, que se o assunto não fosse encerrado naquele momento, o abismo entre eles se alargaria tanto ao ponto de se tornar inacessível.
— Faça como achar melhor – disse, apontando para fora – mas não conte com minha ajuda para isso.
Carlota segurou as lágrimas e cerrou os punhos ao sentir o desprezo de Benjamim. Ela sentia que ele jamais a perdoaria e não havia o que ela pudesse fazer para reverter isso. A amargura de suas palavras se espalhou em seu coração e ela foi embora antes que elas a entorpecessem por completo.
Caminhou pelo longo corredor silencioso com as lagrimas presas na garganta. Ela faria o que precisava ser feito. Encontraria Adam e quando olhasse para o garoto teria certeza ou não de que era seu neto.
Já do lado de fora do prédio, ligou para o advogado e pediu para ele localizar Antonela Bianchi. Em menos de duas horas, Carlota tinha o endereço do hospital onde Adam estava.
Percorreu a cidade para encontrá-los, embora soubesse que sua presença causaria estranheza e resistência de todos, ela precisava conhecer Adam. Chegou ao hospital e pediu para falar com Antonela.
Esperou sua recusa, afinal ela havia sido a culpada por sua demissão e humilhação na empresa de Benjamim. Antonela certamente não a queria por perto, mas se surpreendeu quando viu a mulher sair da emergência para atendê-la.
Antonela parou seus passos, de frente para ela, seu corpo ficou rígido. Ela imaginou que Benjamim contara a mãe sobre a existência de Adam. Logo toda a cidade saberia, e ela o odiaria ainda mais por isso.
Um momento de silêncio se passou, cheio de tensão. Carlota a observou com a respiração suspensa, seus batimentos cardíacos aumentando. Como ela pediria aquilo a Antonela, sem antes se desculpar?
— Suponho que a senhora veio ver o Adam? – Antonela tomou corajosamente a frente da situação, surpreendendo Carlota.
Ela balançou a cabeça timidamente, afirmando.
— Você me deixaria vê-lo?
Ela levantou o olhar e Antonela os viu repleto de lagrimas.
— Claro – respondeu – mas por favor, não diga nada sobre ser a avó dele. O Adam está fraco demais. Não quero confundi-lo com esses fantasmas.
Carlota concordou com a condição e a seguiu para dentro do hospital. Enquanto caminhava em direção ao quarto de Adam, sentiu-se ansiosa e envergonhada. Ela não esperou tal atitude nobre de Antonela.
Observou-a a abrir a porta e permitir sua entrada. Adam dormia no leito do hospital. Os olhos de Carlota encheram-se de lágrimas ao olhar para o garoto no primeiro momento, foi impossível conter a emoção.
— Não há dúvidas de que ele é filho do Benjamim – desejou acariciá-lo, havia esperado anos por aquele momento – ele se parece com o pai quando era criança.
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