Capítulo 109 - o filho secreto do bilionário
- 25 de mar.
- 6 min de leitura

Henrico checou o relógio, percebendo ser um pouco tarde. Além de fazer companhia para Benjamim e irritá-lo, embora ele dissesse que não, aquilo não estava o auxiliando a se preocupar menos com Adam.
Henrico sabia que deveria manter-se calmo e positivo, mas esperar por notícias era demais. Foi também para Benjamim.
Ele se levantou lentamente, quando Henrico se apressou para ajudá-lo.
— Calma aí – disse Henrico percebendo-o se agitar – para onde quer ir?
— Ver o Adam – sua voz estava ofegante – não suporto mais ficar aqui esperando por notícias.
— Devo lembrá-lo que passou por uma cirurgia e está sob o efeito anestésico?
— Não seja um velho rabugento Henrico – estalou os lábios – sei que você também quer ir vê-lo. Só não vai porque está com medo da Antonela.
Henrico murmurava para si quando se afastou, irritado com a conclusão de Benjamim.
— Pare de dizer bobagens – sua voz era como um rasgo grosseiro e irritante – evito brigar com ela pelo Adam.
Era claro que todos usariam o Adam como desculpa, mas Benjamim não acreditava naquelas palavras. Foi como se o jogo tivesse virado e Antonela passasse a desprezar o pai como ele havia feito durante todo aquele tempo. Henrico sentia na pele o próprio veneno e não gostava nem um pouco dos seus efeitos colaterais.
Benjamim estava decidido a ir ao quarto de Adam com ou sem a ajuda dele. Levantou-se, colocando-se de pé e o mundo girou de repente. Henrico o agarrou, arrastou uma cadeira de rodas e o sentou, empurrando-a para fora do quarto.
— Você sabe o que está tentando fazer, não sabe?
— É um crime querer ver o próprio filho? – indagou, fazendo Henrico sorrir. – Você pode me agradecer depois.
— Gosto de você, Benjamim – Henrico deu um leve tapa em seu ombro – embora sua teimosia pareça com a minha quando eu era mais jovem e você tenha abandonado minhas duas filhas no altar, você é um homem bom.
Ele pensou: que interessante! Henrico estava declarando-se sinceramente para ele e dizendo o que sentia. Desde quando o conheceu, sempre o via retraído, fechado no seu próprio mundo. Era duro com as palavras e não demonstrava seus sentimentos, embora Benjamim soubesse que eles existiam. Foi uma grata surpresa ouvi-lo dizer aquilo.
Poderia dizer o mesmo a ele, mas não disse. Ele precisava tomar um analgésico para a dor de cabeça que estava sentindo e comer alguma coisa de verdade. Até a comida do hospital estava lhe dando náuseas.
O silêncio se prolongou até eles pararem em frente ao quarto de Adam. Fechou os olhos, desejando que Carlota não estivesse mais ali dentro. Ele não queria ter que olhar para ela ou ouvi-la dizer o quanto estava preocupada.
Benjamim não suportaria sua falsidade. Quando abriu os olhos, percebeu que Henrico permanecia imóvel diante da porta fechada.
— Bata na porta – ele sussurrou quando ergueu os olhos até ele.
Mas o velho homem estava pálido. Benjamim se virou e, tocando na madeira, deu três toques. Ouviu passos vindo, apressados, de dentro e se deparou com Antonela, olhando para eles com um olhar semiaberto como se tivesse acabado de acordar.
O rosto dela se contorceu de desgosto ao ver Henrico e, quando abaixou o olhar, havia surpresa e irritação em sua voz.
— O que estão fazendo aqui?
Henrico pigarreou, dando um recado claro que não diria nada para se defender. Por outro lado, Benjamim forçou um sorriso, demonstrando que não temia ela e que só sairia dali após ver Adam.
— Eu não conseguiria dormir sem ver o meu filho.
Isso silenciou Antonela. Nada o impediria de ver Adam e Antonela, não se importava de que ele fizesse isso. Estava mesmo incomodada com a presença de Henrico. Imediatamente afastou o corpo para o lado e deu passagem para que eles pudessem entrar.
O quarto estava gelado. Era iluminado apenas por um pequeno abajur e o único som que ouvia era das gotas de chuva batendo constantemente na janela fechada. Caía um temporal lá fora.
Seus olhos recaíram sobre Adam. O rosto dele estava rosado e quanto mais Henrico o levava para perto do garoto, mas o coração de Benjamim se enchia de esperança.
Ele dormia.
— Como ele está? – a voz de Henrico foi finalmente ouvida, mas Antonela demorou demais para responder.
Benjamim conseguiu senti-la se aproximar e parar ao lado dele para lhe responder.
— Ele recebeu o transplante e depois dormiu – ela sussurrou, dessa vez não havia mágoa em sua voz – só saberemos se vai dar certo depois de algum tempo.
Mas havia um brilho especial no olhar de Antonela ao dizer aquilo, como se ela tivesse certeza que já havia dado certo. Que Adam estava curado e que logo voltaria para a casa.
Sem permissão alguma, Henrico se aproximou, passando as mãos enrugadas sobre o cabelo do garoto e, em seguida, dando um beijo em sua testa. O gesto de carinho fez Antonela e Benjamim trocarem olhares surpresos. Adam havia amolecido o velho coração de Henrico, aliás ele havia amolecido o coração de todos.
— Preciso voltar para casa – ele disse com um suspiro, como se tivesse guardado as emoções por muito tempo – mas amanhã voltarei para vê-lo, com ou sem sua permissão.
Ele desafiou Antonela. Ela lutou para não responder, apertando os punhos e mordendo a língua na boca. Henrico lançou a ela um olhar e depois se despediu de Benjamim, sabendo que ele conseguiria voltar para o seu quarto sozinho.
Foi embora, deixando Antonela e Benjamim sozinhos.
Os olhos verdes dele brilharam e dançaram ao se aproximar do filho, mas não ousou acordá-lo. Adam estava certamente cansado e precisava se recuperar, como ele. Girou com dificuldades a cadeira e começou a movimentá-la para longe. Antonela não conseguiu falar a ele absolutamente nada, mas outra voz o paralisou.
— Papai? – ele parou, com os olhos inundando ao ouvir o sussurro do garoto – não vá embora.
Ele girou a cadeira e viu os pequenos olhos de Adam abertos e um pequeno sorriso em seus lábios. Arrastou a cadeira novamente para perto e, se aproximando, agarrou a pequena mão do menino.
— Mamãe me disse que você doou sua medula para mim – foi inevitável a lagrima escorrer pelos seus olhos – obrigado.
— Eu que agradeço por você existir – um nó sufocou sua garganta e ele não conseguiu dizer mais nada.
Ele perdeu o exato momento em que Antonela expressou sua admiração por ele. Ela jamais imaginou que veria Benjamim Dylon chorando por qualquer motivo que fosse. Adam se levantou com mais força dessa vez e se afastou, dando um espaço maior na cama.
— Você pode dormir comigo – ele bateu no colchão – tem espaço para nós três.
Benjamim levantou o olhar para Antonela e a viu surpresa e constrangida. Ela se sentia incapaz de olhar nos olhos dele.
— Seu pai precisa voltar para o quarto dele – ela protestou.
Mas Adam não a ouviu, puxou Benjamim, forçando-o a se levantar e se deitar ao seu lado. Vendo aquela cena, Antonela pensou em sair dali e ir descansar em outro lugar.
— Vem, mamãe – ele a chamou e continuou insistindo até que ela cedesse.
Adam parecia tão feliz com a cena de ter a mãe e o pai perto dele que Antonela esqueceu por um momento o quanto estava ferida pelas atitudes de Benjamim. Eles se espremeram na cama, Adam entre eles com um sorriso sincero no rosto. Ela lembrou-se da noite no bar, de estar deitada na mesma cama que ele. De sentir o corpo dele no seu. Quando percebeu estar olhando em seus olhos, perto demais, fechou-os e não os abriu mais durante toda aquela noite.
Logo eles adormeceram e, quando benjamim despertou, Antonela não estava mais ao seu lado.
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