Capítulo 115 - o filho secreto do bilionário
- há 3 dias
- 5 min de leitura

Benjamim chegou em casa sozinho. Deitou-se em sua cama e esperou que seu quarto ficasse cheio em algumas horas. Ligou para o seu advogado no caminho e explicou a ele tudo o que estava acontecendo, ouvindo o homem dizer que estaria ali dentro de poucos minutos.
Mas antes de tudo isso, ele teve que enfrentar alguns poucos jornalistas, que por algum motivo acampavam na porta do hospital. Foi envolvido por aquelas perguntas idiotas de que a sua empresa iria falir, de como ele estava se sentindo por conhecer o filho, se ele e Antonela estavam juntos. Essa última indagação rondou os pensamentos dele até que finalmente chegasse em casa.
Embora tentasse ser simpático, ele tentava ser simpático com todo mundo, ele odiava ser entrevistado por aquela gente. Eles esperavam apenas um pequeno vacilo dele, para crucificá-lo ou jogá-lo nas covas dos leões.
Tentou não pensar naquilo e se concentrar nas missões que viriam em seguida, mas o rosto de Antonela não saiu da sua mente. Lamentou-se ter partido sem dizer a ela o que sentia ou pior, não ter se despedido do filho. Adam ficaria triste quando percebesse que ele não estava mais no hospital e isso quase o perturbou completamente.
Pegou o celular na intenção de ligar para Antonela e conversar com Adam explicando de uma maneira que um garoto de 3 anos entendesse, que ele precisou ir embora, mas que voltaria em breve para buscá-lo, mas não deu tempo, Fred entrou acompanhado pelo advogado e Benjamim foi envolvido com conversas complexas demais.
Sua mente se distraiu e, quando o advogado saiu para ir ao banheiro, ele indagou Fred sobre suas obrigações.
- Você falou com a Carlota? – esperou uma resposta positiva.
- Sim – ele disse com uma enorme timidez – mas foi uma missão muito difícil. Ela me despreza.
- Carlota não tem respeito por si própria – disse Benjamim com pesar e se calou em seguida.
- Ela já deve estar chegando - disse, dando as costas para ele e saindo do quarto.
Voltou dez minutos depois com uma bandeja cheia de medicamentos, agulhas e sacos de soro. Benjamim observava Fred exercer sua função de enfermeiro, enquanto revirava os olhos, imaginando que seria entediante permanecer naquele quarto em repouso por tanto tempo.
A visita do advogado esclareceu sua mente e a conversa tirou todo o peso do encontro que ele teria com Carlota dali a alguns minutos. Achou que ela estava demorando demais para chegar, mas quando ouviu as batidas na porta, percebeu que o momento havia finalmente chegado.
Logo, o seu quarto tornou-se cheio. Carlota trouxera também seu advogado. Eles ficaram se encarando por alguns minutos em silêncio, até que finalmente ela disse:
- Arriscou a própria saúde para falar comigo?
- Não precisa fingir que se importa com minha saúde – ele descansou a cabeça no travesseiro.
O remédio que Fred havia dado a ele começava a fazer efeito e seus olhos pesavam, obrigando Fred a lutar contra o sono para continuar com aquela conversa.
- Vou travar uma guerra contra você e fazê-la desistir dessa ideia de tomar o Adam da Antonela.
- Você sabe que aquela mulher não é capacitada para cuidar do meu neto – ela bateu o pé - olha onde o menino foi parar. Ela arriscou a vida dele. Tenho certeza de que qualquer juiz concordará comigo.
- Está agindo como se o Adam não tivesse um pai – Benjamim falou sem hesitar, estava extremamente calmo – para conseguir a guarda dele, vai ter que passar primeiro por cima de mim.
Você não sabe nem a metade, pensou Carlota enquanto projetava um sorriso melancólico no rosto. Após ouvir essas coisas, ela olhou para o advogado e fez menção para que ele tomasse a frente da conversa. Mas Benjamim o ignorou porque a cada palavra que ele dizia aumentava ainda mais sua indignação.
- As pessoas não são um objeto para a senhora poder contê-los – disse Benjamim com aquele mesmo tom ofensivo – eu nunca imaginei que a senhora chegaria a esse ponto. Que essa sua obsessão por ter um neto a tornaria tão cruel.
Percebendo que Benjamim se alterava, Fred se aproximou, pedindo para que ele não se exaltasse tanto. Fred estava mais preocupado com ele do que sua própria mãe.
Carlota olhou para ele com o rosto contorcido de dor. Ela está fingindo, pensou Benjamim, enquanto Carlota lutava para organizar os pensamentos, mas não conseguia. Sua mente, antes tão lúcida, agora não passava de um nevoeiro denso e confuso.
- Em que momento você passou a odiar sua própria mãe? – disse Carlota, agora com a voz embargada.
- Quando você tentou me manipular para se casar com alguém que eu não queria – disse cuspindo as palavras sem dor – você não está ajudando a amenizar esse sentimento tentando tirar Adam do lado da mãe dele.
- Antonela mentiu para a gente esse tempo todo, Benjamim – ela se alterou – não vou permitir que ela tire o direito de ficar ao lado do meu neto nem mais por um ano.
Os sentimentos estavam se aflorando cada vez mais. Benjamim olhava para Carlota e não mais a reconhecia. Não era a mesma mulher com quem ele cresceu e conviveu por tanto tempo. A obsessão em ter um neto havia transformado seu coração em algo duro e perverso. Ou talvez ela sempre tenha sido assim, e ele que jamais havia percebido.
- Tire essa mulher daqui – isso foi tudo que Benjamim conseguiu dizer, porque as batidas obstinadas de seu coração não permitem que ele abrisse a boca para continuar aquela conversa.
Carlota olhou para ele com profundo desgosto quando percebeu que o filho a odiava. Engoliu toda a vontade de chorar e então o olhou mais uma vez e lhe disse:
- Você me chamou aqui para me convencer a desistir da ideia – ela engoliu o nó na garganta que a sufocava – e eu digo que esqueça, porque irei até o fim para conseguir ter a guarda do Adam.
A cabeça de Benjamim começou a latejar de forma lenta e regular. Ficou imaginando que tipo de contato ela tivera com o garoto para pensar que Adam seria ao menos feliz vivendo com ela. Era crueldade tirar um filho de sua mãe, ainda mais quando essa mãe era Antonela, que havia dedicado sua vida a cuidar do garoto.
- Se a senhora está disposta a enfrentar essa guerra, digo que estou preparado.
Imediatamente, ela girou as costas e saiu do quarto apressada, como se já não suportasse mais permanecer ali. Benjamim disse ao advogado para que ele fizesse tudo o que fosse preciso para evitar que Carlota continuasse com aquela loucura. E só depois de um tempo ele ficou sozinho.
Sentindo que dormiria profundamente a qualquer momento, ele voltou a pegar o celular e dessa vez concluir a ligação para Antonela. Em uma chamada de vídeo, viu o rosto dela, pesado de preocupação, e lhe disse que tudo ficaria bem.
Olhou nos olhos de Adam e explicou a ele que agora estava em casa, mas que voltaria ao hospital para vê-lo. Depois disso, ele dormiu quase o dia inteiro e, quando acordou, sabia que estava pronto para a guerra que travaria contra a sua própria mãe.
✨ Apoie este projeto e ajude a manter a leitura gratuita viva ✨
Se este livro tocou você de alguma forma, considere apoiar este site com uma assinatura simbólica.
Todo o conteúdo aqui é disponibilizado gratuitamente, e atualmente o site se mantém apenas com a renda do AdSense. Sua contribuição, mesmo pequena, ajuda a:
📚 Manter o site no ar
🌱 Publicar novos livros
💻 Cobrir custos de hospedagem e manutenção
❤️ Continuar oferecendo leitura gratuita para todos
Ao se tornar assinante, você não está apenas apoiando um site — está fortalecendo um projeto que acredita que o conhecimento deve ser acessível.
E o melhor, por apenas 4,99 voce colabora para que mais livros sejam postados no site.
Clique no link e assine: Plano básico por 4,99
Cancele quando quiser.
Continue lendo O Filho secreto do bilionário gratuitamente.
Boa leitura!
Continue lendo o filho secreto do bilionário.
Comentários