Capítulo 119 - o filho secreto do bilionário
- 13 de abr.
- 5 min de leitura
Atualizado: 15 de abr.

Henrico lia as notícias pelo jornal, sentado em sua velha e desgastada cadeira e sua expressão ia mudando a cada frase lida. Seu coração se enchia de certeza cada vez que ele se aproximava do fim: Alessia estava envolvida naquilo.
Amassou o jornal e o jogou longe. Não deveria se importar com a filha, que ele nunca demonstrou carinho. Antonela sempre foi desprezada por ele, embora, no fundo, ele a amasse, não demonstrou.
Levantou-se impaciente, percebendo que Alessia era um caso perdido. Chegou à conclusão de que nem mesmo o seu comportamento diferente com as filhas havia as influenciado. Enquanto Antonela era cobrada e maltratada por ele sempre deu menos trabalho do que Alessia, que sempre tivera tudo.
Se culpava pela educação que dera para elas e sentia um enorme alívio por Francesca não estar viva para ver a família ruir.
De repente os gritos de Henrico foram ouvidos de longe. Os passos apressados de Fabrício ecoavam no chão velho de madeira indo em direção ao escritório. Quando entrou encontrou o patrão com o rosto encarnado como se estivesse chamando por ele há muito tempo.
Fabricio mal tinha folego para perguntar, mas Henrico não lhe daria essa chance.
— Chame a Alessia imediatamente a minha sala – seus dentes estavam cerrados.
— Aconteceu alguma coisa, patrão? – finalmente ele conseguiu dizer e só um tempo depois percebeu ser melhor ter ficado calado.
— Não faça perguntas Fabrício, apenas execute a minha ordem.
Mas Fabrício continuou parado à luz fraca do abajur, com um sentimento de medo invadindo seu coração. Só depois de outro grito de Henrico, ele despertou e correu para fora, mas rápido do que havia chegado.
Porém, Fabrício demorou para voltar, foi quase como uma eternidade. Henrico arrastava os pés sob o piso desgastado da madeira, presumindo que, se ele demorasse mais dez minutos, um buraco se abriria debaixo de seus pés.
Quando ele voltou, Alessia não estava com ele.
— Onde está Alessia?
Uma curiosa emoção, ruim, se apossou do coração de Fabricio.
— Eu não a encontrei, senhor – ele disse isso e logo em seguida fechou os olhos e se encolheu esperando outra explosão.
Mas não houve explosão. Henrico instalou os lábios e pensou que ele mesmo deveria ir atrás de Alessia. Ela não ousaria desobedecê-lo mais uma vez e sair da fábrica sem seu consentimento. Mas ele foi interrompido novamente por Fabrício, que em um gesto rápido estendeu um papel branco em sua direção.
— Encontrei isso na cama dela – claramente ele estava muito assustado e com razão.
Henrico olhou para o papel dobrado ao meio e imaginou o que seria. Tomou das mãos de Fabrício e reconheceu imediatamente a letra de Alessia. Pelos garranchos, ela havia escrito tudo muito rápido, confessando que tinha culpa nos últimos acontecimentos.
“Eu não suporto mais viver dentro desse lugar e implorei para que o senhor me libertasse. Mas, como é um velho egoísta, não quis me ouvir. Precisei arrumar meu próprio jeito de escapar dos seus castigos. Recebi uma boa quantia de Carlota para acabar com a reputação da minha adorável irmã e estou indo embora para nunca mais voltar. Adeus”.
Henrico amassou o papel e seu rosto tornou-se ainda mais vermelho. Ele resmungou várias coisas, mas que Fabricio não entendeu por que estava afogado no desespero.
— Como ninguém nessa fábrica viu a Alessia sair? – ele gritou novamente e sentia que se fizesse isso mais uma vez perderia completamente a voz.
— Sinto muito, senhor, ela deve ter partido de madrugada, quando não havia ninguém na fábrica.
— Ela faria isso até mesmo na luz do dia, porque nenhum funcionário meu parece conseguir obedecer a uma ordem sem cometer erros.
O momento seguinte foi de silêncio, como se Henrico já não tivesse mais nada para dizer. Uma onda de fracasso fluía de Henrico para Fabricio como se eles estivessem conectados pelo próprio sentimento. Ele pensou em ir até a casa de Carlota e exigir que ela dissesse para onde Alessia havia ido, mas a garota já era de maior, dona da própria vida e, se ele, como pai, não havia conseguido ensinar a ela boas lições, a vida certamente o faria.
Jogou o corpo cansado na cadeira velha e soltou o ar com pungência. Henrico estava cansado de se preocupar com os problemas que as filhas vinham lhe causando. A ideia de ver Carlota tomar Adam de Antonela o atormentava dia e noite. Ele havia acabado de descobrir que tinha um neto, um menino que sempre quis ter e agora uma velha maluca queria tomar da sua família esse grande privilégio.
Quando finalmente se desconectou dos pensamentos e emergiu de volta a realidade, percebeu que Fabrício continuava parado no mesmo lugar, como se esperasse outra ordem vinda dele.
— O que você continua fazendo aí? – Dessa vez a voz estava mais calma – volte ao trabalho e me deixe ter um momento de paz.
Fabricio olhou para ele com os olhos arregalados e apenas gaguejou sem pronunciar nenhuma palavra compreensível. Com as pernas bambas, girou os calcanhares e finalmente saiu, deixando Henrico sozinho.
Henrico sentia seu corpo em pedaços de tão cansado que estava. Seu corpo não só parecia partido, como também dolorido em cada membro. Agora estava tudo acabado, ele podia simplesmente se aposentar, vender aquela fábrica e viver os anos que lhe restavam deitado em uma rede apenas aproveitando o dia.
Era hora de começar a considerar isso. Quando levantou os olhos, Fabrício entrava novamente em seu escritório. Nem dois minutos haviam se passado desde que ele saiu e já estava de volta, com a mesma expressão assustada no rosto.
Henrico se levantou impaciente, voltando a ficar furioso.
— O senhor tem uma visita – ele gaguejou.
— Eu não quero receber visitas – ele resmungou como resposta – seja lá quem for, peça para voltar outra hora.
Henrico já estava pronto para virar as costas, tomar o seu chapéu em mãos e sair da fábrica, indo para casa descansar, quando se deparou com Antonela parada à sua frente.
— O que tenho para falar com o senhor é importante, pai – a voz dela se arrastou e seu rosto foi coberto por vergonha – eu não posso deixar para outro dia.
O primeiro pensamento que veio à mente de Henrico foi que algo havia acontecido com Adam. Seu coração encheu-se de temor. Deveria realmente ser algo muito grave para que Antonela fosse até a fábrica atrás dele.
— Aconteceu algo com o Adam? – deu um passo à frente.
A preocupação de Henrico com o garoto não deixava de surpreender Antonela. Ela não estava acostumada com essa nova versão do seu pai.
— O Adam está bem – ela fez uma pausa porque um nó sufocou sua garganta. Não era fácil fazer o que ela estava prestes a fazer – vim aqui pedir o meu emprego de volta. Preciso dele para garantir que o Adam fique comigo.
Os olhos de Henrico ganharam um brilho diferente. Os seus planos de aposentadoria acabavam ali.
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