Capítulo 42 - o filho secreto do bilionário
- Erica Christieh

- 17 de jul. de 2025
- 5 min de leitura

Benjamim nunca havia sido contrariado daquela forma, ainda mais por Carlota, que sendo sua mãe sempre foi sua amiga e confidente. O sentimento dele era de decepção e incapacidade.
Era como se Carlota fosse um diabo por dentro. Sua obsessão por ter netos era tão grande que ela conseguiu passar por cima dos sentimentos do próprio filho.
Benjamim travou o maxilar sentindo a garganta inchar com as palavras que ficaram presas dentro dele. Tinha tantas coisas a dizer a mãe, mas sendo conduzido pelas mãos de Carlota, foi colocado frente a frente com Alessia mais uma vez.
Ele cerrou os punhos e segurou a língua, olhando para ela pela última vez antes dela girar os calcanhares e o deixar sozinho com sua ex noiva.
Seus pensamentos foram interrompidos, quando Alessia surpreendentemente o alcançou, pulando em seus braços como se nada tivesse acontecido.
— Que bom que você voltou, meu amor – Ela estava eufórica, enquanto seus lábios envolvia o seu pescoço subindo até alcançar sua boca.
Benjamim a segurou pelo braço e a afastou brutalmente se afastando dela em seguida. Certamente Alessia não viu ele limpar os lábios, mas ela veria a fúria estampada em seu belo rosto.
— Sua mãe não contou o que aconteceu? – a voz doce e envolvente alcançou seus ouvidos, quando ela tentou se aproximar novamente – eu estou gravida, Benjamim. Finalmente você terá o filho que tanto desejou.
Benjamim precisou controlar a respiração, antes de girar o pescoço para encará-la. Alessia tinha lagrimas nos olhos e quando percebeu a impaciência estampada no belo rosto de Benjamim, recolheu as mãos que segundos antes estavam estendidas para tocá-lo.
— Por que está me contando isso agora, horas após terminarmos tudo? – Alessia franziu a testa e ficou constrangida – acha mesmo que manipulando a minha mãe me fará ter respeito por você?
Alessia deu um passo atrás. Ela não havia se preparado para ser questionada sobre suas intenções. Temeu que Benjamim não acreditasse na gravidez, ou pior, que ele a detestasse por se sentir forçada a se casar com ela.
— O que está dizendo, Benjamim? – ela agarrou os braços e derramou algumas lágrimas – está dizendo que fiz isso de caso pensado?
— Eu estou realmente afirmando isso – Alessia piscou, uma ponta de decepção perfurando o seu coração ao ouvi-lo dizer isso.
Benjamim foi incapaz de continuar sua discussão cheio de insultos. Ele tentou engolir o nó de desconforto em sua garganta e manter sua postura, mesmo as mãos de Alessia o tocando novamente.
— Amo você, Benjamim – lutando contra a melancolia que aquelas palavras o emergiam, ele tentou ver o lado bom dessa história – eu vou dar a você não somente filhos, mas fazê-lo feliz ao meu lado.
Mas não havia nada de bom nessa história e ele deveria ter discordado da mãe desde o primeiro momento em que ela o propôs casá-lo apenas para ter filhos. Essas palavras fizeram Benjamim parar e encará-la mais uma vez. Engoliu com força, esperando que seu sangue se esfriasse e que ele pudesse terminar aquela conversa de uma vez.
— Você quer se casar comigo, Alessia? Iremos nos casar – um sorriso repuxou os lábios de Alessia – mas esse será um casamento apenas no papel, porque eu não irei mais tocar em você, e a considerar como esposa. Para mim, você não será nenhuma outra coisa além da mãe do meu filho.
O sorriso desapareceu imediatamente.
— Por que está falando assim? – ela tentou mais uma vez segurar ele, mas Benjamim estava farto de toda sua dissimulação – até ontem éramos namorados, gostarmos da companhia um do outro.
— O que tínhamos era um acordo – ele respondeu, se preparando para partir enquanto bolava um plano para lidar com a bagunça do lado de fora – seja madura o suficiente para entender que esse casamento será uma farsa.
— Não pode fazer isso comigo, Benjamim – ela correu na direção dele em desespero.
Mas era tarde demais, Benjamim saiu do quarto a deixando diante de uma porta branca e fechada. Alessia sentia o peito sendo rasgado no meio. Ela de fato, não estava preparada para lidar com a rejeição dele.
Do lado de fora, Benjamim passou por Carlota em silêncio quando ela o agarrou pelo braço para saber o que havia acontecido. Ele olhou para a mão da mulher que o agarrava, sem imaginar que sentiria nojo da própria mãe.
— Irei me casar com a Alessia como um acordo da sua chantagem – ele afastou o braço do toque dela – o que eu não posso garantir, mãe, é se irei perdoá-la por isso.
Dito isso, ele deixou o hospital. Ouvindo claramente suas palavras dessa vez, o rosto de Carlota desmoronou cada vez mais levemente em angústia e seu coração palpitou de dor. Porém, ela não correu desesperada atrás dele implorando pelo seu perdão, ao contrário, estava convicta de suas ações e seguiria com o plano até o fim.
No carro, Benjamim deu um soco no volante enquanto as veias de sua testa saltavam. Ele não estava acostumado a receber ordens ou ser chantageado, mas Carlota ainda era a herdeira legítima de tudo o que seu pai havia deixado e ela poderia deixá-lo na ruína se quisesse.
Voltou a dirigir, indo para a casa. Não viu o momento em que Carlota chegou na residência, mas sabia que a partir daquele dia não suportaria mais conviver com ela por muito tempo.
Não conseguiu dormir devidamente naquela noite, acordou mais tarde do que de costume. Estava duas horas atrasado para o trabalho e, embora fosse o chefe, Benjamim presava por dar o bom exemplo aos seus funcionários.
Tomou um breve banho e se dirigiu à empresa. Percebeu que os funcionários o observavam estranhamente e falavam baixo, de modo que ele não pudesse ouvir.
Sua aparência não era das melhores. Seu semblante indicava claramente que ele não havia dormido direito, mas soube que os olhares curiosos não eram devido a isso.
Encontrou Antonela sentada atrás das enormes pilhas de documentos. Ao perceber ele se aproximar, evitou olhar em seus olhos.
— Quero falar com você, Antonela – a calma e paciência fizeram Antonela levantar o olhar até ele – por favor, venha até o meu escritório.
Ela nunca havia visto Benjamim tão desanimado como naquele momento. Não, ela nunca tinha visto ele tão calmo antes.
Observou-o ir para sua sala e em seguida o seguiu. O escritório permanecia escuro e ela apenas via a sombra dele sendo projetada atrás da sua grande mesa. Ela caminhou lentamente até ele, pensando que talvez ele tivesse notícias de Henrico, mas estava enganada.
— Alguma notícia do meu pai? – ela indagou, quando ele puxou finalmente a persiana, revelando a claridade do dia.
O rosto dele iluminou quando, girando, a encarou mais uma vez. Com as mãos enfiadas no bolso, ele abaixou a cabeça e demorou para responder, o suficiente para deixar Antonela preocupada.
— Então, você não sabe? – O coração de Antonela se contorceu dolorosamente com suas palavras. O que ela precisava saber – A Alessia está grávida. Ela espera um filho meu.
Antonela arregalou os olhos e congelou na hora.
— Vou me casar com ela em menos de um mês.
Continue lendo o filho secreto do bilionário.
Comentários