Capítulo 45 - o filho secreto do bilionário
- Erica Christieh

- 18 de jan.
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— Mas o que diabos você fez, garoto? – Ele fechou os punhos imediatamente quando Fabrício se encolheu.
Desde o começo Fabrício sabia que fazendo o que Alessia havia pedido ele arrumaria um grande problema com Henrico.
— Eu sinto muito patrão – ele fechou os olhos imaginando que Henrico avançaria em sua direção e bateria nele até suas mãos cansarem – ela disse que sua vida dependia disso.
Henrico nem chegou a levantar o braço, ele não batia nem nas próprias filhas, jamais cometeria a loucura de agredir um funcionário seu. Ele era considerado muita coisa, mas jamais de ser um homem violento em suas ações.
— Quanto você deu a ela? – Ele afrouxou, abrindo as mãos e se afastando do rapaz.
Lentamente, após ouvir a pergunta, Fabricio abriu os olhos e observou Henrico, que estava virado de costas para ele. Seu coração palpitava descontroladamente e ele, sentindo a garganta seca, pensou em não responder à pergunta.
Percebendo a demora, Henrico girou o pescoço para olhar nos olhos dele.
Fabricio encolheu os ombros e abaixou a cabeça sob o olhar rigoroso de Henrico. Ele sabia exatamente o que aquilo significava.
— Dei tudo para ela – sussurrou enquanto sentia o corpo estremecer.
Henrico soltou um rígido grito, alto enquanto seu rosto tornava-se vermelho. Ele vinha guardando aquele dinheiro para uma emergência maior, e não considerava a atitude de Alessia correta.
Fabrício ficou atordoado, mas não conseguia se mexer e nem dizer nenhuma coisa. A porta do quarto se abriu pela segunda vez e a figura de Benjamim preencheu o lugar. Vendo a fúria do homem, ele franziu o cenho em dúvida e caminhou com pressa na direção dele.
— Você está bem? – Ao ouvir a voz do genro a fúria de Henrico aumentou descontroladamente – eu ouvir seu grito do corredor.
— Como posso estar bem? – Ele fuzilou Benjamim com o olhar enquanto sentia o ar fugir de seus pulmões – vim parar nesse lugar por sua causa e parece que desde quando acordei coisas horríveis têm acontecido.
Benjamim não se intimidou, não havia nenhum sentimento expresso no belo rosto do homem, embora ele estivesse confuso e em choque com o estado de Henrico.
— Você não pode se estressar, Henrico – disse Benjamim enquanto o homem se arrastava até a cama – paguei todas as despesas do hospital, mas não é bom permanecer nesse lugar por mais tempo.
— Você fez o quê? – a informação caiu como uma bomba aos ouvidos de Henrico e Fabrício, que imediatamente se entreolharam, espantados.
— Eu paguei todas as despesas do hospital – ele voltou a repetir sem entender o que estava acontecendo – era o mínimo que eu podia fazer por você, depois do que aconteceu.
O rosto de Henrico tornou-se pálido e o brilho que outrora decorava seus olhos haviam esmaecido. Benjamim acreditou que ele ficaria agradecido por tal ato, mas não foi o que aconteceu.
— O que Alessia fez com o meu dinheiro, afinal? – ele sussurrou perguntando a si, mas não foi o bastante para que Benjamim não escutasse. As coisas pareciam mais confusas agora.
Porém, logo em seguida Henrico desmaiou, fazendo seu corpo fraco e velho desabar no chão causando um estrondo horroroso. Paralisado com a cena, Fabricio mal escutava os gritos de Benjamim exigindo que ele procurasse um médico. Só depois de alguns segundos o garoto correu desesperado e quase perdeu o folego com o que acabara de acontecer.
Enquanto esperava do lado de fora Henrico ser atendido, Benjamim afundou nos próprios pensamentos, tentando encontrar algum significado nas palavras do genro. Percebeu então que não estava sozinho. Abaixou o olhar e viu Fabrício sentado em um dos bancos, com os olhos cheios de lágrimas, enquanto suas mãos tremiam.
Imediatamente ele saiu do hospital e comprou uma garrafa com água e voltou para tentar acalmar o garoto.
— Você é o único funcionário que sobrou nas empresas do Henrico, ou estou enganado?
O garoto o observou estender a garrafa em sua direção e olhando nos olhos de Benjamim, não conseguiu aceitar a gentileza.
— Qual é o seu nome, garoto? – Perguntou enquanto insistia para que ele pegasse a garrafa.
— Eu sou o Fabrício – abaixou o olhar segurando o objeto oferecido – e sim, eu sou o único funcionário do Henrico.
Percebendo o nervosismo na voz de Fabricio e entendendo que o que havia acontecido era mais sério do que ele imaginara, tentou diminuiu o tom de voz, para não deixar Fabrício nervoso.
— O que aconteceu para deixar o Henrico tão furioso? – a pergunta fez Fabrício levantar o olhar.
— Deveria perguntar isso a ele, senhor – levantou-se acuado e se afastou de Benjamim – eu já tenho problemas demais com ele, prefiro não responder a sua pergunta.
Imediatamente Fabricio girou os calcanhares e quase tropeçando nas próprias pernas, saiu apressadamente pelo corredor. Observando o garoto partir, amedrontado, viu o elevador se abrir e Antonela sair de dentro apressada, quase correndo pelo longo corredor.
Benjamim se levantou ao perceber a presença dela e mal percebeu haver ficado completamente paralisado pela beleza da mulher. Os olhos dele brilharam na direção dela, vendo-a chegar cada vez mais perto.
— Onde está o meu pai? – a voz alterada, enquanto os olhos dela recaiam sobre os seus.
Benjamim sabia que precisava sair dali imediatamente e que era um erro manter contato com Antonela depois de tudo dito entre eles. Ele travou o maxilar e lançou um olhar gélido e indiferente para ela, talvez para castigá-la por desprezá-lo.
— Ele desmaiou. Os médicos estão cuidando disso agora.
Pego de surpresa, Benjamim apenas sentiu o corpo de Antonela chocar com o seu, enquanto os braços dela o envolviam em um abraço apertado e caloroso. Ele ficou parado com as mãos levantadas, completamente sem reação.
Antonela estava abraçando-o enquanto chorava. Ele depositou as mãos lentamente sob as costas dela e sentiu o aroma doce exalar dos seus longos cabelos de fogo.
Quando finalmente o sangue esfriou sobre suas veias, Antonela percebeu o que estava fazendo. Na mesma velocidade com que se aproximou para abraçá-lo, ela se afastou, olhando para ele como se tivesse cometido um grande erro. O arrependimento a consumiu e ela achou que estava ficando louca.
— Desculpa, eu não deveria – ela foi incapaz de concluir a frase porque ficou perdida no olhar dele.
Pela primeira vez, Benjamim não conseguiu dizer nada, apenas observou Antonela virar as costas e voltar pelo mesmo caminho que havia vindo.
Ele não conseguiu parar de pensar no corpo dela tão próximo ao seu.
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