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Capítulo 57 - o filho secreto do bilionário

O filho secreto do bilionário
O filho secreto do bilionário

Carmélia segurou pelo braço de Dominique e a compeliu para dentro da casa, levando Adam junto. Precisava deixar Henrico se acertar com Antonela para convencê-la de que o melhor a fazer era ficar na cidade.



— O que a senhora acha que está fazendo, mãe? – Dominique quis voltar, mas Carmélia a impediu. 


— Deixe que eles conversem – Carmélia rompeu em direção à porta e a trancou – não se mete onde não é chamada, Dominique, você não pode defender a Antonela o tempo todo. 


Dominique expressou todo o seu descontentamento, mas não conseguiu dizer nada que convencesse Carmélia de que suas atitudes eram um erro. Se arrastou até a porta e, encostando o ouvido próximo à madeira, tentou ouvir a conversa dos dois. 


Tudo era silêncio. 


Na cozinha, Henrico se arrastou, sentando-se em um banco próximo a Antonela. Sua aparência estava péssima. O cabelo grisalho, tão bem penteado, tentava esconder as falhas sobre o couro cabeludo. Sua pele enrugada parecia mais desgastada agora. Ele soltou o ar com força no mesmo momento em que olhou para Antonela e solicitou a ela um favor. 


— Estou com sede – Antonela o observou, sem se mover por um momento. Ela ainda não acreditava que Henrico estava ali pedindo para ela ficar – por favor, traga água para mim para que eu refresque a garganta antes de continuarmos. 


Finalmente, Antonela se moveu, quando percebeu que ele estava confortável e que não sairia dali até dizer tudo o que precisava. Ela caminhou até a geladeira e, enchendo um copo, ofereceu a ele. 


Esperou pacientemente que Henrico tomasse toda a água e dissesse de uma vez o que ele queria realmente com ela. Ele estreitou os olhos ligeiramente enquanto a observava. A ausência de maquiagem não diminuía a beleza natural de Antonela, embora seus olhos estivessem marejados de emoção. 


Ele havia esquecido como a filha era bonita e se parecia com Francesca. 


— Como você teve coragem de se deitar com o homem que a abandonou no altar? 


Antonela franziu o cenho. Quando Henrico aprenderia a ter uma conversa civilizada com ela sem a ofender? Desviou o olhar do dele e pensou na melhor resposta sem necessidade de afrontá-lo, o que seria difícil então.  


Ignorou aquilo como uma ofensa para não tornar as coisas ainda mais árduas. 


— Eu não o conhecia, lembra disso, pai? – sabendo que não seria prudente contrariá-lo, abaixou a cabeça em seguida – eu descobrir que era o Benjamim quando fui à empresa tentar uma vaga de emprego. 


— E por que não me contou sobre a gravidez? 


Ela ficou surpresa com a pergunta dele e um silêncio arrastado se instalou entre eles. 


— O que o senhor faria se eu tivesse contado? – Henrico deu de ombros como se não soubesse o que responder – o senhor sempre me detestou, sempre colocou sobre mim responsabilidades maiores do que eu podia suportar. Quando soubesse que eu estava grávida, não pensaria nem duas vezes em me expulsar de casa. 


— O que está dizendo é uma grande bobagem – ele se agitou, levantando-se imediatamente e dando a volta no balcão, ficando de frente para ela – eu sempre tentei educar você da melhor maneira e isso não significa que eu te odiava. 


— Mas me odeia agora por achar que sou responsável pela morte da mamãe – ela gritou, mal percebendo que os sentimentos fluíam como rios dentro de suas veias.  


Olhou para o rosto de Henrico, que estava vermelho. Ela não queria ser a causadora de outro infarto. Tentou acalmar o coração e se calou. Seus olhos estavam vermelhos como se ela tivesse chorado muito. Foi incapaz de olhar nos olhos de Henrico, que permaneceu de pé em frente a ela, digerindo cada sílaba que saíra pela sua boca. 


— Você vai ficar na cidade e vai deixar que eu cuide do meu neto – Antonela elevou o olhar até ele, assustada – vai trabalhar comigo na fábrica e seguirá sua vida. 


— Achei que minha presença na cidade era apenas para arruinar o casamento da Alessia.


O semblante de Henrico se fechou de repente, como se ele já não estivesse contente com aquele fim. 


— Eu não estou aqui para mudar as coisas, Antonela – Henrico pigarreou – o que eu disse está dito, não posso tomar as palavras de volta para mim, cabe apenas a você saber o que fazer com elas. Por outro lado, eu posso impedir que você vá embora e submeta aquele garoto a uma vida infeliz. 


— Posso cuidar do meu filho sozinha, pai. 


— Não, você não é – ele bateu os punhos sobre o balcão e olhou para ela com uma expressão raivosa – ou devo lembrá-la de que eu ainda sou o seu pai e que você deve a mim obediência. 


— Agora você quer exercer o seu papel de pai? – Henrico fechou os olhos já impaciente, lembrou-se então de quem Antonela havia herdado tanta teimosia – não se lembrou disso quando tentou me expulsar do funeral da minha mãe. Tem esquecido desse papel há muito tempo. 


As lágrimas rolaram pelos seus olhos de repente e Antonela sentiu o rosto queimar na mesma proporção que um nó sufocou sua garganta. Ela perdia as forças e há muito tempo havia esquecido o quão exausto era brigar com Henrico. 


— Traga o menino para que eu possa vê-lo. 


Ordenou-o, ele e Antonela perceberam que Henrico havia ignorado todo e qualquer sentimento fraternal que ela havia expressado. Ele continuava fechado e frio com ela, como se buscasse apenas seus próprios interesses. 


Vendo que ele não desistiria, Antonela girou os calcanhares e pediu para que Carmélia trouxesse o Adam. Havia muita resistência dentro dela em relação àquilo, mas pela primeira vez ela resolveu acreditar que Henrico fazia aquilo por amor. 


Carmélia se aproximou dele com Adam nos braços. Antonela até imaginou ver um lampejo de emoção brilhar em seus olhos, mas que logo desapareceu. 


Henrico levantou a mão e, com os dedos, acariciou o rosto de Adam. Seu rosto, embora inexpressível, não revelava a verdadeira emoção que o seu coração escondia. 


— Olá, Adam – Henrico disse e seu tom de voz saiu carregado de afeto – sou o Henrico, seu avô. 


Adam se encolheu no colo de Carmélia, envergonhado, com medo e não disse nada. Henrico também não insistiu. Desviando a atenção dele para Antonela, voltou a repetir o que havia dito antes para que ficasse claro a ela suas intenções. 


— Não ouse ir embora da cidade – ele apontou o dedo em sua direção – espero você na fábrica amanhã bem cedo. 


— Como vou trabalhar para o senhor se a fábrica está falindo? 


— Não deveria me questionar – ele voltou a pegar o velho paletó jogado na cadeira e se preparou para partir – apenas me obedeça. 


Henrico girou, ficando de costas para ela, confiante. Ele sabia que Antonela não o desafiaria e que, no outro dia, ele a encontraria na fábrica para trabalhar com ela. Segurou a maçaneta da porta, a girando para abri-la, quando a voz de Antonela o impediu de prosseguir. 


— Espera, pai – ele parou e girou o pescoço para olhá-la – não pode contar ao benjamim que Adam é o filho dele. 


Henrico voltou a olhar para frente e abriu a porta. 


— Isso vai depender de você e da decisão que tomará daqui para frente. 


Com passos apressados, Henrico se afastou da casa, desaparecendo em seguida pelas porteiras e pela estrada de chão. Antonela ficou observando-o desaparecer, no mesmo momento em que se perguntava o que ele quis dizer com aquilo.

 

 

 

Continue lendo o filho secreto do bilionário.



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