Capítulo 59 - o filho secreto do bilionário
- Erica Christieh

- há 6 dias
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Com o ódio permeando seus sentimentos, Alessia se aproximou do pai, sem que ele se intimidasse. Parou em frente a ele esperando impacientemente que ele respondesse sua pergunta.
— Cheguei do hospital há exatos uma hora e você, mesmo sabendo que eu estava em casa, não apareceu para me cumprimentar – Henrico desviou o olhar até Benjamim, fazendo algo que Alessia não esperava – eu não lhe devo satisfação, garota mimada, então por favor, volte para o seu quarto.
Foi pega de surpresa e erguendo a cabeça, Alessia viu seu pai caminhar em direção a Benjamim, emanando uma áurea fria enquanto a ignorava completamente.
— Por que você pediu para Antonela ficar pai? – Ela insistiu mesmo sabendo que sua atitude despertaria a fúria de Henrico – o senhor sabe o quanto ela tentou arruinar o meu casamento com o Benjamim.
— Cale-se, Alessia! – Os olhos de Henrico se arregalaram imediatamente e ele gritou – converso com você em outro momento, embora considere que a você não deve nenhuma explicação.
— Como não me deve explicação? – Uma lagrima riscou pelos olhos dela e seu rosto tornou-se vermelho, quando ela gritou com Henrico – devo lembrá-lo que eu me casando com Benjamim você recupera aquela sua maldita fabrica?
Os punhos de Henrico se fecharam instantaneamente como se ele segurasse a fúria nas palmas das mãos, impedindo-a de ganhar vida. Percebendo o que acontecia, Benjamim se colocou entre eles na intenção de acalmar os ânimos.
— Alessia, obedeça ao seu pai, e vá para o seu quarto – o olhar de Benjamim era frio e intimidador.
— Eu só saio daqui quando ele me responder os motivos que o levaram a cometer tamanha irresponsabilidade.
Henrico sentiu que se engrandecia em raiva por dentro e não precisou de forças para manter o tom de voz auto, autoritário e a expressão facial contorcida. Ele daria a Alessia uma boa lição para ela aprender a não mais o contrariar.
— Explicarei tudo a você, quando me disser o que diabos fez com o meu dinheiro – explodiu Henrico.
As palavras de Henrico fizeram Alessia se desarmar. Como ela diria ao pai a verdade? Benjamim a encarava com grande expectativa, certamente Henrico havia contado a ele o que ela fizera e agora ele a via com decepção.
Alessia deixou a pergunta no ar e tentou, em silêncio absorver aquele impacto. Abaixou a cabeça, sabendo que havia perdido essa batalha, mas Henrico estaria enganado se pensasse que ela desistiria de descobrir toda a verdade.
Ela parecia angustiada, mas não os deixou convencer. Girou os calcanhares e partiu, correndo pela velha escadaria de volta ao quarto. A porta velha de madeira batendo foi tudo o que eles escutaram depois disso.
Henrico desabou sobre o sofá, como se não sentisse mais as forças das pernas. Sua respiração acelerada fazia seu peito doer. Depois que saiu do hospital passou por fortes emoções e precisava manter a calma para não ter outro infarto.
Angustiado, Benjamim olhou para Henrico, depois olhou para a porta, pensando que talvez o melhor seria ir embora deixar o velho homem descansar. Benjamim quis fugir daquela confusão e pensou o quanto seria infeliz ao lado daquela mulher. Havia feito um péssimo negócio e havia se dado conta disso tarde demais.
— Sente-se, Benjamim – a voz de Henrico era fraca e cansada.
Benjamim abaixou o olhar para ele, percebendo que havia uma poltrona logo atrás. Ele demorou para tomar essa decisão, até ele perceber que Henrico estava mais calmo, sentou-se, entrelaçando os dedos e observando o semblante cansado do homem.
— Impressionante, não? – Benjamim franziu o cenho em dúvida sobre o que ele falava – deve estar me achando um velho louco, que impediu a Antonela de partir horas antes de você se casar com minha outra filha.
Ele também não conseguiu esconder o próprio espanto, mas se manteve em silêncio, apenas escutando o que Henrico ainda tinha para dizer.
— Pois bem, Benjamim, eu não posso contar a você os motivos que me fizeram tomar tal decisão – lembrou-se então do rosto do pequeno Adam e do segredo que Antonela escondia dele – a Francesca não ficaria feliz se soubesse que eu não impedir a filha dela de partir novamente.
Benjamim considerou a resposta fraca e percebeu que Henrico escondia algo a mais. Chegou à conclusão de que Henrico só faria aquilo por um motivo bem maior do que manter as boas lembranças da falecida esposa, mas conhecendo bem Henrico sabia também que ele não contaria a verdade.
— Não se preocupe – disse ele aproximando sua cadeira – eu fiquei realmente surpreso quando soube que você a impediu de partir. A Antonela pediu demissão depois que minha mãe usou suas chantagens contra mim.
Henrico olhou para ele com espanto. Ele se inclinou para frente, apoiando os antebraços sobre a pernas, ficando alguns centímetros de Benjamim, para ouvi-lo com cuidado e atenção.
— Eu estou sendo forçado a me casar com sua filha, embora antes eu concordasse, hoje não concordo mais – ele soltou o ar como se ele esmagasse seu coração - não preciso lembrá-lo dos motivos que a escolhi ou do porquê desejei esse casamento, mas hoje não vejo Alessia como uma boa companhia. Só faço isso por ela está gravida.
O peito de Henrico se afundou quando ele se lembrou de que Antonela tivera o herdeiro que ele tanto desejou. Permaneceu em silêncio, afundando nesses pensamentos. Parecia injusto casar-se Alessia com ele agora, mas Henrico não poderia permitir duas filhas sendo a mãe solteira. Ao menos uma deveria se casar.
— Que bom que estamos sendo honestos um com o outro – murmurou ele – sempre estive ciente de que era um acordo. Não deve explicação alguma a mim.
Benjamim estranhou a atitude de Henrico. Ele parecia mais calmo agora, porém, não muito satisfeito com o fim daquela história.
— Quero fazer outro acordo com você, Henrico – a luz tênue da sala de estar emprestava um quê de mistério aos seus traços, e benjamim pigarreou antes de continuar – você receberá todo o suporte necessário para reerguer sua fábrica, mas quero que a Antonela tenha o melhor cargo e o melhor salário. Eu preciso consertar a injustiça que minha mãe cometeu com ela.
Henrico então percebeu um brilho surgir nos olhos de Benjamim. A expressão no rosto dele era de melancolia e por muito tempo Henrico acreditou que Benjamim era bondoso com Antonela por remorso. Ele se culpava por abandoná-la no altar, mas naquele momento ele percebeu estar enganado.
— Eu aceito o seu acordo – disse ele, encarando-o – desde que você não a procure mais. Devo lembrá-lo de que você se casará com minha outra filha. Não quer que as pessoas digam por aí que você tem uma amante?
Benjamim sentiu a boca ficar seca.
Sem deixar de observá-lo, Henrico manteve silêncio, dando-lhe tempo para refletir sobre o que ele dizia. Só depois de algum tempo, Benjamim estendeu a mão e selou o acordo.
Seu coração se estraçalhou depois disso. Ele viveria o resto da vida amando Antonela em segredo. Havia feito sua escolha, ficou com os herdeiros de que a família precisava ao invés da mulher que amava.
Levantaram-se e se despediram. Depois que Benjamim partiu, Henrico subiu as escadas enquanto a madeira desgastada rangia, rompendo o silêncio da casa. Alessia saltou da cama, assustada, quando viu o pai abrindo a porta e entrando em seu quarto. Não gostou do que viu em seus olhos.
— Agora podemos conversar, Alessia – ele deu um passo em direção a ela – Você não queria a verdade? Eu lhe contarei tudo.
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