Capítulo 70 - o filho secreto do bilionário
- 3 de fev.
- 5 min de leitura

Alessia derramou uma lagrima no canto dos olhos.
Mas as coisas não faziam o menor sentido para ela. Por que o delegado estava ali dando o recado de Benjamim? Como Benjamim havia descoberto tudo?
Paralisada, sem conseguir se mover, ela viu Vladir se afastar e ser interrompida por Henrico. Ele era tão ranzinza que não se importou, que desacataria o delegado e seria preso em seguida.
— Primeiro você vai explicar por que virou garoto de recado do Benjamim – ouvindo suas palavras Vladir parou se virando para olhá-lo com grandes sinais de constrangimento – está querendo dizer que o Benjamim está preso e por isso não poderá se casar com minha filha?
Os olhos profundos de Vladir piscaram e ele formulou um sorriso falso no rosto quando se aproximou de Henrico para intimidá-lo.
— Eu não preciso lembrá-lo com quem você está falando – cerrou os dentes – mas vou responder sua pergunta claramente. O Benjamim não está preso. Em breve, ele virá para explicar tudo a vocês.
— Hora essa, delegado – percebendo que Vladir se virou para ir embora, Henrico agarrou sua farda sem ressentimento – você joga uma bomba em cima da gente e depois quer ir embora sem nos dar qualquer satisfação?
Os olhos de Vladir recaíram sobre a mão pesada de Henrico que o agarrava, depois levantou um olhar ameaçador até ele antes de obrigá-lo a soltá-lo.
— Como o senhor mesmo disse – fez uma pequena pausa, passando a mão sobre o uniforme amarrotado, demonstrando grande desprezo – eu não sou o garoto de recado do benjamim. Não tenho que dizer nada a nenhum de vocês.
Henrico ficou com as palavras presas na garganta ao ver o delegado saindo da igreja confiante de que havia feito um bom trabalho. Ele se remoía por dentro, buscando uma explicação convincente para tudo o que estava acontecendo, mas não encontrou nada.
De um lado, Carlota chorava, baixinho, tentando esconder a própria dor. Do outro lado, parada no meio da igreja, estava Alessia, com as mãos tremulas, consumida pelo medo e o desespero de forma tão intensa, que correu atrás do delegado, gritando para que ele parasse e a levasse para onde Benjamim estava.
Era demasiadamente tarde demais, o carro de Vladir avançou para longe e Henrico teve que testar suas pernas já fracas e velhas para alcançar Alessia e pará-la com sua insanidade.
Ele a agarrou com as duas mãos e, somente olhando para trás, percebeu o quanto ela havia corrido atrás do carro em movimento. Ela chorava, enquanto perdia as forças do corpo e dizia coisas sem nenhum sentido. A agarrou com toda a força e deixou desabar no asfalto sujo, enquanto esperava ela se acalmar.
Minutos depois um carro parou ao lado deles e Carlota abriu a porta, pedindo que Henrico entrasse para que pudessem sair dali o mais rápido possível.
Não foi difícil para Henrico colocar Alessia no carro, agora ela já não manifestava nenhuma resistência e ele, não sabia onde havia conseguido tanta força. Entrou no carro em seguida, abandonando a igreja vazia, decorada agora com a tristeza e a tragédia de um casamento que já não mais aconteceria.
Metade do caminho percorreu em silêncio, cada um afundado em sua própria dor. Henrico sentia-se dolorosamente cansado. O silêncio só foi quebrado quando ele percebeu o carro ganhando mais velocidade.
— Para onde estamos indo? – ele observava as coisas passarem rápido pela janela do carro, mas não fazia ideia de que caminho era aquele.
— Para a minha casa – ela disse – se o benjamim retornar, estaremos o esperando para que ele explique tudo o que aconteceu.
Alessia gemeu e outras lagrimas escorreram pelo seu rosto, como se ela pudesse se manifestar apenas com aquele gesto. Carlota precisou dar a ela alguns de seus comprimidos para dormir. Henrico a levou, agora adormecida para um dos cômodos da casa, e depois sentou-se no sofá disposto a ficar ali a madrugada inteira acordado, com os olhos atentos na porta, esperando que Benjamim entrasse e lhe contasse tudo.
Quanto tempo levaria? Ele não sabia.
Quando Vladir retornou a delegacia, Benjamim ainda estava em sua sala, com a cabeça e o olhar profundo, olhando para os próprios pés. Certamente ele nunca o havia visto tão abatido.
— Fiz o que você pediu – ele disse, sentando-se em frente a ele – mas não quero que considere isso como um ato de amizade. Eu ainda o detesto por tudo o que tem feito.
Mas a declaração do delegado não surtiu nenhum efeito para ele que continuou parado.
— Não vai relatar o que aquele rapaz contou a você? – esticou o corpo na direção dele – desde a hora que retornou da cela, permanece em silêncio. O que de tão grave ele fez para deixá-lo assim?
Benjamim levantou o olhar lentamente e então se lembrou do que Fred o havia contado. Uma onda de choque percorreu seu corpo e ele sabia que era hora de resolver as coisas.
— Quero que solte o rapaz – disse, causando espanto em Vladir – meu advogado está vindo para cá e eu pagarei a fiança dele e toda a sua defesa.
— Do que você está falando? – Vladir franziu a testa – está pedindo para que eu deixe em liberdade o homem que falsificou um exame de gravidez para enganá-lo?
— É exatamente isso que estou dizendo – levantou-se depressa e a postura de derrotado se esvaziou. Sua fraqueza momentânea tornou-se uma firme resolução – ele foi coagido a fazer o que fez. Foi chantageado.
Um sorriso de deboche repuxou os lábios de Vladir que não aceitava que Benjamim tornasse-se um herói. Pensou em impedi-lo de tentar livrar o pobre garoto das consequências de seus atos, então lembrou-se de que até mesmo ele havia sentido pena do rapaz ao ouvir seu relato sobre a própria mãe.
Vladir sabia que Benjamim não iria embora até ele libertar o garoto. Então, ele ficou parado ali, em frente ao delegado, esperando pacientemente que o advogado chegasse.
Alguns minutos depois, o advogado chegou com a fiança paga e Vladir não teve outra alternativa a não ser se encaminhar até a cela e soltar Frederico.
— Você está livre, rapaz – Vladir podia sentir os olhos dele encherem-se de lágrimas – você teve sorte de cometer um crime contra o bilionário mais safado dessa cidade.
Benjamim, por outro lado, ignorou o veneno que exalava nas palavras de Vladir. Aquela noite havia sido intensa e dolorosa demais para que ele piorasse ainda mais as coisas. Benjamim queria sair daquele lugar e resolver seus problemas de uma vez por todas.
Observou Fred caminhar na direção dele, tímido e envergonhado. Depois de tudo o que havia ouvido dele, era natural que agisse assim.
— Por que está fazendo isso? – perguntou Fred, com a voz tensa, incapaz de olhar nos olhos de benjamim – por que está me ajudando a sair da prisão?
Benjamim soltou um longo suspiro, como se absorvesse a pergunta lentamente.
— Os motivos do porquê estou fazendo isso não são importantes – ele disse, quando Fred levantou a cabeça lentamente – Agora precisamos ir salvar a vida da sua mãe.
Continue lendo o filho secreto do bilionário.
Comentários