Capítulo 77 - o filho secreto do bilionário
- 8 de fev.
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Atualizado: 27 de fev.

Ao ouvir o pedido de Benjamim, Antonela quis imediatamente abrir a porta do carro em movimento e sair para não ter que escutá-lo.
Ela o observou, enquanto ele, atento a estrada não percebeu o quanto ela estava confusa.
— Por que considerou que eu voltaria a trabalhar para você? – a pergunta o pegou desprevenido e então ele freou o carro bruscamente fazendo o corpo de Antonela se lançado para frente – o que está acontecendo com você?
Benjamim parou o carro. Não conseguiria ter aquela conversa com Antonela enquanto dirigia. Percebeu então que estava apenas alguns metros de distância da fábrica. Travou o carro para garanti que ela não sairia até ouvir tudo o que tinha para dizer.
— Uma grande injustiça foi cometida contra você – ele disse, enfatizando para que talvez ela aceitasse suas boas intenções – estou tentando consertar as coisas aqui.
Um falso e forçado sorriso surgiu nos lábios de Antonela que não demonstrava nenhuma concordância com o que ele dizia. Ela passou a mão sobre os cabelos soltos e lançou o olhar para frente, observando a velha fábrica de Henrico logo a frente.
— E se eu não aceitar voltar a trabalhar para você, o que acontecerá? – Ela girou o pescoço e olhou para ele – vai retirar todo o investimento da fábrica do meu pai? Vai desfazer a parceria? Afinal, você não vai mais se casar com Alessia.
Fazia sentido suas indagações, porém elas trouxeram a certeza de que Antonela recusaria seu pedido.
— Eu não investi na fábrica do seu pai devido à Alessia – ele precisou desviar o olhar para longe – fiz por você, para manter você aqui, perto de mim.
A confissão fez o coração dela parar de repente por frações de segundos. O rosto de Antonela tornou-se vermelho e seus olhos tremeram assim que Benjamim a encarou de volta. Ela jamais imaginou ouvir aquilo dele, não depois dele abandonar Alessia no altar.
— Não acha que é um pouco tarde demais para consertar as coisas? – Benjamim olhou para ela confuso – eu me lembro que depois que você me abandonou no altar e me enganou só para me levar para cama, nunca mais me procurou depois daquilo e nem se esforçou para me manter por perto. Por que está fazendo isso agora?
Aquele não era o rumo que a conversa deveria tomar. Ele nem sequer deveria ter confessado seus sentimentos, nem ouvir Antonela confessar os seus. Mas havia algo diferente no olhar dela, algo profundo e desafiador.
Ele não gostou do que viu.
— Achei que você não se importava – os olhos de Benjamim brilharam de curiosidade – você mesmo disse que não se lembrava daquela noite, que o que aconteceu entre nós dois foi totalmente insignificante.
— Eu disse e continuo pensando assim – ela se agitou como se a conversa a incomodasse e desfivelou o cinto de segurança – mas considero sua atitude estranha e não preciso das suas desculpas agora.
Ela levou a mão até a maçaneta e tentou abrir o carro, em vão. Continuou insistindo, mas Benjamim não se moveu para destravar o veículo.
Ao contrário, ele a estudava, tentando encontrar verdade em suas palavras.
— Destrave o carro – ela olhou para ele – eu já dei a resposta que você queria. Eu não quero voltar a trabalhar para você. Prefiro aturar o ódio do meu pai a sua arrogância.
A respiração de Benjamim parou em sua garganta. O modo como as palavras foram pronunciadas deu a impressão de que Antonela o odiava por tudo o que ele havia feito. Observou o movimento rápido dela, avançando nas chaves do veículo e antes que ele pudesse impedi-la, ela destravou o veículo e se libertou dele rapidamente.
Ele precisou ser mais rápido, tirou o cinto enquanto a observava descer do carro e se afastar em passos apressados para longe. Mas Benjamim ainda não havia dito tudo o que precisava.
Ele andou atrás dela para alcançá-la, mas cada vez que se aproximava, Antonela ia mais rápido para longe dele.
— Sinto muito por não consertar as coisas – as palavras dele a paralisaram, a petrificando no lugar – eu deveria ter ido atrás de você. Deveria ter pedido desculpas e tentado consertar as coisas. Como você acha que me sinto quando penso que hoje deveríamos estar casados, com os nossos filhos?
Sua voz foi ligeiramente rouca ao falar, mas seu tom era sereno como se estivesse carregada de verdade. Mas ela não teve tempo de se recompor do impacto que a declaração dele causou em seu coração. Ela o viu parar em sua frente com os olhos cintilando em um misto de desejo e paixão.
— Está tentando me convencer de um arrependimento tardio? – ela mordeu os lábios ao sentir uma resposta mordaz na ponta da língua, mas não evitou que ela ganhasse vida – digo que também não aceito suas desculpas e nem acredito no seu arrependimento.
Benjamim franziu a testa, tentando encontrar sinceridade dela.
— Exijo que você se afaste de mim. Que esqueça que um dia nos conhecemos – um imenso sentimento de mágoa se apoderou dela – que essa seja a última vez que nos vemos e falamos sobre qualquer assunto. Fico melhor longe de você.
O vinco entre as sobrancelhas de Benjamim se aprofundou e as palavras de Antonela foram como facadas, enfiadas em seu peito. Ele sentiu um nó em seu estômago ao vê-la mover os pés, desviando-se dele para partir.
Olhou para o chão onde ela pisava e o viu vazio. Deixaria que as coisas entre eles terminassem assim? Deixaria que Antonela partisse de sua vida pela segunda vez sem fazer nada para impedi-la?
Ele não podia mais negar a si que Antonela invadia seus pensamentos a qualquer hora, e que era ela quem fazia seu coração acelerar. Isso aconteceu desde o primeiro momento em que ele colocou os olhos nos dela pela primeira vez.
Sentindo o coração acelerar, ele girou os calcanhares e a alcançou, segurando em seu braço fortemente e a puxando de volta. Os olhos assustados de Antonela miram os seus, quando ele a envolveu pela cintura, disposto a não a deixar ir.
— E eu digo a você que não aceito suas condições – ele aproximou o rosto do dela – eu não vou deixar você ir embora da minha vida pela segunda vez.
Ela ficou surpresa ao ouvi-lo dizer aquilo. Suas mãos congeladas sobre o seu peito. Seus olhos estão fixados nos dele. O calor das mãos dele sobre sua cintura. Mesmo que ela pensasse em fugir, seu coração não permitiria.
Ela o viu se aproximar e encostar seus lábios nos dela. O gosto ainda era o mesmo de anos atrás. A língua envolvendo a sua, enquanto com os olhos fechados, ela o deixava beijar como na noite em que ficaram juntos.
Ela sentiu-se afastar, ainda de olhos fechados, desejando um pouco mais do seu beijo. Nenhum dos dois conseguiu dizer nada por longos segundos. Ela voltou a olhar nos olhos dele novamente e não havia mais confusão. Antonela entendia tudo agora.
Viu-o se afastar e voltar a entrar no carro e, enquanto Benjamim partia, ela ficava parada como se ele tivesse ido embora levando um pedaço dela com ele.
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