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Capítulo 79 - o filho secreto do bilionário

  • 18 de fev.
  • 6 min de leitura

Atualizado: 27 de fev.

O filho secreto do bilionário
O filho secreto do bilionário

Henrico desligou o telefone e seus olhos voltaram a cair no jornal que segurava em mãos. Desde o momento que soube da verdade, ficou em silêncio, coisa rara de acontecer, mas ele não disse nada a Alessia, não gritou e não ensinou a ela uma lição.



Certamente aquele foi seu grande erro. 


Era verdade que ela estava dolorida. Ridiculamente dolorida. Tudo latejava, do pescoço aos tornozelos. Mas isso não impediu Alessia de entrar em contato com uma jornalista e usar suas últimas forças para contar uma mentira e arruinar de vez com a reputação de Benjamim.  


A dor seria mais branda se ele tivesse descoberto depois do casamento, mas o fato dele a abandoná-la no altar fez o lado mais sombrio de Alessia ser revelado. E a rejeição ela não suportaria. 


Havia se trancado no quarto desde o momento em que Antonela fora embora. Ela tinha conhecimento que todos, a essa hora, sabiam do que ela havia feito. Alessia apenas esperava, deitada em sua cama, que a bomba explodisse em cima dela. 


Não demorou para acontecer. Ela ouviu passos subindo as escadas. Passos pesados e apressados que ela reconheceria em qualquer lugar. Depois, um estrondo na porta, como se alguém estivesse arrombando, e uma mão agarrando suas cobertas e a jogando para longe. 


Alessia encolheu o corpo dolorido e lançou um olhar assustado para Henrico, que estava parado à sua frente, com uma posição assustadora. 


— Acha que pode se esconder dos seus erros para sempre? – ele não se esforçou para manter a voz calma dessa vez – levante-se e vamos conversar agora mesmo. 


— Não posso – disse, quando virou o corpo para o outro lado, ignorando Henrico – estou sentindo dores horríveis pelo corpo. Deixaremos essa conversa para depois. 


Sem alternativa, Henrico a agarrou pelo braço e a obrigou a ficar de pé diante dele, embora Alessia gemesse e reclamasse constantemente, ele não se importou. 


Havia sido complacente com ela a vida inteira, mas aquilo acabava naquele momento. Era hora de Alessia aprender uma lição. 


— O Benjamim acabou de pedir para que eu vá ao escritório dele – continuou segurando o braço de Alessia – você consegue imaginar o que ele pode querer comigo? 


Com a outra mão, jogou o jornal em cima dela, mas Alessia não fez menção de pegá-lo ou se preocupar em ler o que estava escrito. Ela desejava apenas se soltar das garras do próprio pai e se ver livre de qualquer responsabilidade. 


— Eu não me importo com o que o Benjamim quer – ela o enfrentou – agora me solte, porque preciso descansar. 


— Descansar? – perguntou Henrico com os olhos flamejantes – você disse para o jornal que o Benjamim a abandonou no altar porque havia perdido o bebê. Até quando viverá nessa mentira, Alessia? Por quanto tempo ainda continuará envergonhando a sua família? 


 Henrico a soltou, como se solta um objeto indesejado, a largando com força. Alessia precisou se esforçar para não perder o equilíbrio, fazendo suas pernas latejarem de dor. Ela quis chorar, gritar com Henrico, jogar sobre ele todo o seu desprezo, mas não o fez, enquanto continuou ouvindo suas reclamações. 


— Diante da sua irresponsabilidade, as coisas mudarão dentro dessa casa – ele apontou o dedo no rosto dela – você vai trabalhar para pagar o dinheiro que roubou de mim e desmentirá toda essa história de filho perdido. Contará toda a verdade para essa gente. E fará isso imediatamente. 


— O quê? - Os olhos de Alessia se fixaram nos dele com uma expressão desesperada que parecia mais de medo do que de dor – eu não vou obedecer às suas ordens dessa vez, pai. O Benjamim mereceu sofrer esse golpe, após ter me abandonado no altar. 


Uma estranha emoção se agitou no coração de Henrico. Viu à sua frente, não mais a filha que amou e se dedicou por tantos anos para ser uma mulher, mas agora a enxergava como sua inimiga que queria eliminá-lo.  


O suor começou a escorrer pela espinha dorsal dele. Um pensamento anterior voltou à sua mente: Antonela estava certa quando disse que ele havia dado mais atenção à Alessia do que a ela. De fato, Henrico foi frouxo com sua filha mais nova e agora colhia os frutos de seu erro. 


— Está me desafiando – ele afirmou desviando o olhar – acha que pode me vencer, mas não acontecerá dessa vez. Estou certo da sua rebeldia desenfreada. Da sua crença que pode fazer tudo sem ter o castigo que merece. Vou te dar uma segunda chance e exigir que você reconheça o seu erro agora mesmo. 


— Pois digo que recuso a sua oferta, pai – lançou um olhar intenso e virou as costas – não vou obedecê-lo, não quando minha honra está em jogo. Eu não quero me tornar a chacota da cidade.



— E quer permitir que eu me torne? – Alessia deu de ombros passando um recado claro de que não se importava nem um pouco com aquilo. 


De repente, seu coração tornou-se gelo e suas entranhas começaram a se contrair. Henrico sentiu que havia chegado no limite com Alessia. Não havia mais nada que pudesse fazer para consertar as coisas. Viu-a como uma fruta estragada. Precisava ser descartada antes que apodrecesse toda a cesta de frutas restantes. 


— Essa é sua resposta final? – ele indagou ainda com um pouco de esperança. 


— Essa é minha resposta final – ela disse com enorme desdém. 


Henrico não esperou que seus batimentos se acalmassem, ou que seus sentimentos paternos ultrapassassem sua raiva. Ele agarrou Alessia pelo braço e a arrastou escada abaixo sem nenhum remorso. Ela gesticulava e gritava, retraindo o corpo a cada degrau que eles avançavam, mas Henrico não retrocederia. 


Ele havia dado a Alessia muitas chances, tantas as quais jamais havia dado a Antonela e por muito menos havia deserdado a primeira filha, repetindo por diversas vezes que ela estava morta para ele.  


Abriu a porta da casa e arrastou Alessia para fora. 


Ao perceber o que ele estava fazendo, ela sentiu o sangue parar de circular pelo corpo. Olhou para Henrico, achando que ele fazia aquilo apenas para amedrontá-la. Mas havia tanta serenidade em seu olhar que Alessia percebeu, tarde demais, que Henrico estava decidido a cometer um grande erro. 


— O que está fazendo, pai? – ela perguntou, com a voz falhando e os olhos enchendo-se de lágrimas. 


— Estou colocando você no seu devido lugar – ele fechou os punhos e desviou o olhar – a partir de hoje você não mora mais nessa casa e não desfruta mais dos meus privilégios. Arrumará um emprego e um lugar para morar.  


— Não pode fazer isso comigo – ela girou os calcanhares depressa e correu na tentativa de voltar para dentro de casa – sou sua filha e sabe que eu não tenho para onde ir. 


— Isso já não é mais um problema meu, Alessia – ele a impediu de avançar, colocando o corpo em frente à porta – eu tentei dar a você uma chance e você se recusou. Ou devo fazer outra escolha, chamando a polícia e denunciando você por roubo? 


O coração de Alessia bateu mais forte. Olhou para si, percebendo vestir apenas uma camisola e que não havia sapatos em seus pés. O desespero ganhou forma no belo rosto dela, quando imaginou o que faria da sua vida dali para frente. Percebeu Henrico dar um passo para trás, depois outro e se preparar para fechar a porta no rosto dela. 


— Deixarei suas roupas do lado de fora – ele disse e não havia nenhuma emoção em suas palavras - até lá, comece a pensar sobre tudo o que fez e onde conseguira um emprego. Não quero que volte a bater em minha porta. Não há mais lugar para você em minha casa. 


Os olhos azuis-claros do velho foram a última coisa que Alessia viu antes dele fechar a porta e deixá-la do lado de fora. Ficou parada por longos minutos diante da porta fechada, acreditando que ele iria voltar, se arrepender e colocá-la para dentro novamente, mas isso não aconteceu. 


Alessia caiu de joelhos e berrou de dor. As palavras ecoavam em sua cabeça como uma marcha fúnebre: 


“Agora você está só, sem casa, sem emprego e sem o Benjamim”.

 

 

Continue lendo o filho secreto do bilionário.



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