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Capítulo 81 - o filho secreto do bilionário

  • 20 de fev.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 27 de fev.

O filho secreto do bilionário
O filho secreto do bilionário

Benjamim segurou nos ombros de Fred e olhou para o rosto do rapaz, que estava coberto por lágrimas. Calmamente, sentou Fred em uma das poltronas que havia no escritório e chamou a secretária para resolver aquilo. 


Ela lhe trouxe uma jarra com água, mas Fred se recusou a tomar qualquer coisa. Pensou que assim ele logo ficaria desidratado porque as lagrimas não paravam de escorrer pelo seu rosto cansado.



— Lamento muito a sua perda – sentou-se na frente dele e lhe faltaram palavras para tentar consolar o rapaz – tentamos salvá-la, siga sua vida sabendo que você deu o seu melhor. 


Fred levantou o olhar até ele e imaginou o quanto devia aquele homem. Benjamim não somente o tirou da prisão, como também pagou todas as despesas médicas que sua mãe precisava para ter chance de sobreviver.  


Mas não foi o suficiente. Agora ele só não estava desempregado, como também havia perdido a razão do qual lutara por tantos anos. 


— O hospital me demitiu – ele disse isso passando a mão sobre o rosto e enxugando as lagrimas – e disseram que vão me processar e me colocar de volta na cadeia. Talvez esse seja o melhor fim para mim. 


— Não diga bobagens – Benjamim se afastou para olhá-lo melhor – você pode trabalhar para mim e eu posso arrumar os melhores advogados para defender sua causa. 


Fred levantou o olhar para ele e um constrangimento enorme caiu sobre sua cabeça. Por que, afinal, Benjamim o ajudaria depois do crime que ele cometeu? Benjamim já havia respondido à pergunta, mas a resposta parecia fraca demais para Fred. 


— E antes que me pergunte por que faço isso, pode considerar que me sinto em favor com você – Benjamim disse, como se lesse os pensamentos mais íntimos de Fred – eu não queria me casar com aquela mulher e você de alguma forma me livrou desse pesadelo. 


— Eu quase o coloquei nele, senhor Benjamim – voltou a abaixar a cabeça se lamentando – não mereço nem mesmo sua compaixão. 


O sentimento de inferioridade dominava Fred. Ele não conseguia pensar direito quando tinha uma mãe para velar e sem nenhum dinheiro no bolso. 


Por outro lado, Benjamim preferiu não alongar aquele assunto. Fred estava ali para resolver um problema e buscar consolo em alguém e embora Benjamim também tivesse seus próprios problemas, ele resolveu ajudar Fred primeiro, antes de qualquer outra coisa.  


Antes de Benjamim ter a oportunidade de dizer a ele que resolveria tudo, Alessia entrou no escritório com a secretária gesticulando que ela não poderia entrar ali sem autorização.  


Os olhos de Benjamim recaíram sobre ela. Vestia uma fina camisola e tinha os cabelos despenteados. Seu semblante era o mesmo da noite passada, quando ele chegou em casa e a viu vestida de noiva, expressando seu descontentamento por ser abandonada no altar. 


Alessia segurava uma mala e tinha os pés descalços. 


Quando os olhos de Fred recaíram sobre ela, tudo o que ele havia sentido ao longo do dia retornou como enxurrada. A mistura de fúria, medo e frustração ampliou o seu sentimento de perda, até que Fred não suportou. Alessia era a culpada por tudo aquilo ter acontecido. 


Ele levantou-se em uma velocidade anormal e avançou em cima dela. Por poucos centímetros, Fred não cometeu uma loucura. Benjamim o agarrou, afastando-o, enquanto Alessia tremia diante da reação dele. 


— O que você faz aqui? – Fred gritava – veio debochar da minha dor após brincar com a vida da minha mãe? 


Alessia se encolheu, enquanto Fred a fitava com raiva. Ele precisava culpar alguém e encontrou a vítima perfeita. 


— Saia daqui, Alessia – Benjamim disse com dificuldade, sentindo que não conseguiria segurar Fred por mais tempo – me espere do lado de fora e depois conversamos. 


Ele precisou gritar para que ela saísse. Benjamim detestava ter que fazer aquilo e somente quando ela saiu, ele teve confiança em soltar Fred. 


Benjamim demorou um tempo para se recompor quando lançou um olhar de incredulidade a Fred.



— Você quer voltar a ser preso? – perguntou – quer ser indiciado por violência doméstica e não ver sua mãe ser enterrada?  


— Ela é a culpada pela morte da minha mãe – Fred gritou. 


— A Alessia pode ser cruel e irresponsável – Benjamim também elevou o tom de voz – mas sua mãe já estava doente antes dela o conhecer. Você só está tentando arrumar um culpado para a sua dor. 


Fred balançou a cabeça como se não aceitasse nada do que Benjamim dizia. 


— Vai dar a ela outra chance? 


Benjamim se perguntou do que ele estava falando. 


— Não - respondeu, agora com um tom de voz mais calmo – eu só quero que se acalme e volte para casa. Cuidarei do funeral da sua mãe e você ficará longe de confusões, combinado? 


Fred demorou para concordar, porque, no fundo, não tinha outra saída. Logo depois, Benjamim chamou o motorista da empresa e pediu para que ele levasse Fred para casa. Não soube direito o porquê de sua atitude. Trazia conforto para o garoto, mas sabia que a vida dele não seria mais a mesma dali em diante.  


Benjamim certificou-se de que Fred e Alessia não se encontrassem no caminho para não aumentar a tensão entre eles. Depois, pediu para a secretária chamar Alessia até sua sala.  


Enquanto esperava que ela chegasse, pensou que aquele estava se revelando mesmo um dia e tanto. Se viu voltando horas antes, no instante em que beijou Antonela e no impacto que os seus sentimentos por ela causavam ao seu redor. 


Não percebeu quando Alessia entrou na sala e parou à sua frente, o chamando algumas vezes. Levantou o olhar e ela se encolheu pela segunda vez. 


— Meu pai me expulsou de casa – começou-a, então cruzou os braços desviando o olhar – não tenho para onde ir, nem mesmo dinheiro. 


Benjamim levou um tempo para responder. Alessia ficou em pé por um longo tempo, sem se mexer, esperando que ele dissesse qualquer coisa. 


Benjamim, em um gesto rápido, mostrou a ela o jornal. Os olhos de Alessia encheram-se de lágrimas. 


— Você veio pedir ajuda para o homem que você ferrou a vida? - ele se levantou lentamente e a fuzilou com o olhar – você tem ideia do que essa mentira causou nos meus negócios e na minha reputação? 


Alessia parecia chocada e Benjamim balançou a cabeça rapidamente. 


— Você não sabe – ele disse, travando o maxilar, enquanto ela mantinha o olhar longe do dele – o que você quer de mim dessa vez, Alessia? 


No fundo, ele sentiu pena dela, por vê-la frágil e perdida nos próprios erros. 


— Convença o meu pai a me aceitar de volta – as palavras soaram ridículas – e eu retiro tudo o que disse contra você. 


Benjamim teve que usar todo o seu autocontrole para não perder a compostura. 


— Recuso a sua oferta – disse ele, oferecendo um sorriso falso a ela – agora, por favor, se retire da minha sala, nós não temos mais nada para falar um com o outro.  


Alessia pigarreou, levantando o olhar até ele, sem acreditar que aquilo estava acontecendo. Suas palavras eram secas e seu olhar frio. Benjamim a odiava, Alessia sabia disso e não suportaria conviver com aquela rejeição. Já não havia mais saída para ela. Nada que ela dissesse parecia capaz de convencer Benjamim. Ela engoliu todo o choro preso na garganta e se arrastou com a mala para fora do escritório. 


Quando finalmente se viu sozinho, Benjamim pensou que, se Alessia não tivesse o chantageado, ele a ajudaria. Mesmo que ela não merecesse, ele faria.  


Agora, era tarde demais.

 

 

Continue lendo o filho secreto do bilionário.



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