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Capítulo 85 - o filho secreto do bilionário

  • 23 de fev.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 27 de fev.

O filho secreto do bilionário
O filho secreto do bilionário

Uma chuva caía forte. Um relâmpago cortou o céu assim que o caixão desceu à sepultura. Não havia ninguém além de Benjamim e Fred no velório da mulher. 


Benjamim agarrou Fred e o tirou dali. O levou até em casa. O caminho foi silencioso, Fred via a cidade passando pela janela do carro, sem acreditar que agora estava sozinho. Que todo o esforço para salvar a sua mãe havia sido em vão.


Quando o carro parou em frente à casa dele, os pingos de chuva tornaram-se mais intensos. Ele se virou para olhar Benjamim, com os olhos inchados e lhe disse: 


— Obrigado por me ajudar a enterrar a minha mãe - sentiu os olhos inundarem novamente – a proposta de emprego continua valendo? 


— Sou um homem de uma palavra só - sua resposta firme deixou Fred ainda mais aliviado – mas não tenha pressa, vá até a empresa quando estiver melhor. 


Fred balançou a cabeça em afirmação, mas não havia muita empolgação em seu rosto. Ele sentia como se a vida o tivesse arrancado todos os motivos para viver. Nada mais fazia sentido para ele. 


— Li os jornais hoje de manhã - ele mudou de assunto de repente – Alessia mentiu de novo e prejudicou você. 


Benjamim desviou o olhar, porque as palavras de Fred lembravam-no de resolver aquela situação. Ele recordava que a empresa havia tido um enorme prejuízo financeiro devido às mentiras de Alessia. 


— Isso já não é mais um problema seu. Resolverei tudo – ele respondeu com a voz fria, depois se virou para olhá-lo – agora vá descansar. Nos veremos em breve. 


Frederico assentiu, respirando fundo. Percebeu certo aborrecimento no semblante de Benjamim e a última coisa que ele pretendia era deixar a única pessoa que havia o ajudado, irritado com suas atitudes. 


Somente quando ele entrou em casa, Benjamim partiu de volta para sua realidade. Ele tinha muitos problemas para resolver na empresa, mas estava ficando tarde, o fim do expediente se aproximava e ele precisava resolver uma coisa de cada vez.  


Quando ele cruzou a porta de casa, observou Carlota se apressar em sua direção. A última coisa que Benjamim queria naquele momento era conversar com ela sobre qualquer assunto. 


Tentando permanecer forte diante da indiferença de Benjamim, ela se aproximou com um sorriso forçado nos lábios. 


— Por onde você esteve? - ela tentou manter o tom de voz neutro para não provocar um desconforto ainda maior – fui à empresa e você não estava. O que está acontecendo, Benjamim? 


Embora Carlota estivesse acostumada com o comportamento frio e distante de Benjamim, a sua atitude, quando direcionada a ela, machucava como facas afiadas, indo direto em seu coração. Ele costumava ser mais caloroso com ela, o que não vinha acontecendo nos últimos dias. 


Observou-o parar, irritado e não olhar nos olhos dela antes de responder. 


— Tenho os meus próprios problemas para resolver – disse abruptamente – eu deveria devolver a presidência da empresa e deixar que a senhora mesmo recupere os investimentos, já que foi a causadora de todo o prejuízo. 


— Está tentando colocar a culpa em mim? - Carlota disse com indignação - como eu poderia saber que a Alessia mentiria dessa forma? 


— Deveria ter sido mais cautelosa e não ter tanta pressa em chantagear o próprio filho. 


Benjamim girou as costas e subiu as escadas apressadamente. A maneira como a conversa terminou deixou Carlota atordoada. Ela queria perguntar a ele quando a perdoaria? Mas Benjamim não deu tempo para que ela se defendesse. 


Meia hora depois, ela o viu descer novamente as escadas carregando suas roupas em uma mala. Ele estava cumprindo a promessa de ir embora. Carlota apenas observou, silenciosamente, Benjamim levar tudo o que era dele para fora da casa.



Sendo acometida pela indiferença do filho, ela chorou silenciosamente. Aceitou a punição como justa e não implorou para que ele ficasse ou a perdoasse. Talvez o tempo curasse todas as feridas e Benjamim relevasse pelos erros cometidos. 


Alessia não havia só roubado o seu sonho de ter um neto, mas também destruiu a sua família. Agora ela viveria sozinha naquela casa, sem a companhia do único filho.  


Benjamim saiu de casa e foi em direção ao local que havia alugado. O imóvel estava mobiliado e ele conseguiu finalmente se deitar na cama e descansar para resolver os problemas no dia seguinte. Era estranho para ele essa nova realidade. Estar sozinho em um lugar, tomando o controle da própria vida e rompendo com os caprichos de Carlota, trouxe satisfação a ele. 


Demorou para se levantar no dia seguinte. Havia vestígios da chuva anterior espalhado por toda a cidade. O céu estava limpo e o sol alto indicava que aquele dia seria mais calmo. Chegou ao prédio meia hora depois dos funcionários e, na entrada, se deparou com Dominique, falando ao celular enquanto lagrimas caiam pelo seu rosto. 


Ele se aproximou cautelosamente e assim que ela encerrou a ligação, ele lhe disse. 


— Você está bem? - a voz dele fez ela se assustar, virando-se rapidamente para olhá-lo – como está a sua mãe? 


Dominique franziu o cenho, estranhando a pergunta. O silêncio dela fez ele prosseguir com a conversa. 


— Encontrei a Antonela ontem no hospital acompanhando a sua mãe - as palavras dele trouxeram clareza sobre suas intenções - e pelo seu comportamento, as coisas não estão ótimas com ela. 


Ela abriu os lábios como se tivesse entendido tudo. Antonela havia mentido para ele para não revelar seu grande segredo.  


— A Carmélia está bem – ela enxugou o rosto, sabendo que a resposta não convenceria Benjamim - não deve se preocupar com isso. 


Dominique abaixou a cabeça e se afastou na intenção de encerrar o assunto. Agora ela sabia do estado grave de saúde do Adam e não concordava em esconder aquele segredo de Benjamim. Se ela ficasse só mais um minuto na companhia dele, poderia cometer um grave erro. 


Benjamim a alcançou de repente, forçando-a parar e olhar nos olhos dele. 


— Deve ir ao hospital cuidar da sua mãe - ele disse, causando surpresa nela – volte a trabalhar quando ela estiver melhor. 


Dominique sentiu-se mal por mentir para ele. Trabalhava para Benjamim há tantos anos e ele nunca havia sido tão solidário com ela. Por outro lado, não podia recusar as suas ordens. Estar ao lado de Antonela naquele momento tão difícil era o que ela mais desejava. 


Ela sentiu um nó sufocando sua garganta ao olhar nos olhos dele, sabendo que Benjamim tinha um filho doente em um hospital, o qual ele não conhecia. Aquilo lhe pareceu tão injusto e cruel. 


Sua missão era convencer Antonela a contar toda a verdade a ele.  


Ficou parada por vários segundos, presa nos próprios pensamentos, sem perceber que Benjamim a observava silenciosamente. 


— Você pode ir agora – ele disse, passando por ela e entrando no elevador – desejo melhoras a sua mãe. 


O elevador se fechou sem que Dominique tivesse a chance de dizer qualquer coisa. Tentando não pensar muito nos problemas de Dominique e no quanto ela parecia mal com aquela situação. Ele pegou o celular e ligou para a jornalista que havia entrevistado Alessia no dia anterior.  


— Estou disposto a dar minha versão sobre os fatos – ele disse a ela – espero você no meu escritório nas próximas horas. 


Encerrou a ligação e se preparou para enfrentar mais um dia difícil e salvar os negócios da sua família.

 

 

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