Capítulo 86 - o filho secreto do bilionário
- 23 de fev.
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Atualizado: 27 de fev.

Claramente ouvindo as palavras do médico dessa vez, seu rosto desmoronou em dor e desespero. Ele explicava a Antonela as inúmeras possibilidades de tratamento que Adam iria passar, mas era como se ela não escutasse, era como se o medo de perder o filho a cegasse completamente.
Percebendo que Antonela ficava pálida cada vez que o médico se aprofundava no assunto, Dominique a agarrou e tirou Antonela dali. Estava sendo difícil para ela ver o filho de apenas três anos, com uma doença tão grave, sem que ela pudesse fazer nada para salvá-lo.
— Precisa ir para casa descansar – sugeriu Dominique – posso ficar com o Adam hoje e revezar com minha mãe.
— Eu não vou a lugar nenhum – ela se agitou disposta a voltar para o lado do filho, mas Dominique a impediu.
— Você precisa estar bem para cuidar dele – ela insistiu – precisa cuidar de você também.
— Eu já fiquei tempo demais longe dele e olha onde o meu filho veio parar – ela se irritou, seu rosto ganhou tons rosados e uma lagrima desceu por eles – estou com medo, Dominique.
Dominique sentiu o peito se apertar ao ouvi-la dizer aquilo. Se inclinou e a abraçou para tentar confortá-la.
— Vai ficar tudo bem – ela sussurrou, enquanto acariciava as costas dela – você ouviu o que o médico disse. Há grandes possibilidades de o Adam reagir bem ao tratamento e ter uma vida normal.
Ela fechou os olhos, inspirou o ar com pungência e deu voz aos seus pensamentos mais intensos.
— E se ele não reagir às transfusões, aos medicamentos? – se afastou, sentindo o corpo estremecer – onde vamos arrumar um doador de medula para ele?
Dominique engoliu a seco ao sentir a resposta na ponta da língua. Ela sabia exatamente onde conseguir um doador, mas não era o momento para eles terem aquela conversa. Ela observou Henrico se aproximar e deixou Antonela sozinha por um momento, para tentar convencê-lo a levá-la para casa.
Depois desse momento difícil, a atitude de Henrico surpreendeu a todos. Antonela agora podia sentir um pouco mais do seu coração, sentir o vínculo que havia sido quebrado entre eles, ficar mais forte dessa vez, mas não percebeu que as coisas poderiam piorar para que finalmente isso pudesse acontecer.
Ele não demorou a convencê-la. Antonela sabia que Adam estaria seguro na companhia de Carmélia e Dominique. Naquele momento todas as diferenças haviam sido postas de lado para que todos de alguma forma pudessem ajudar Adam a se recuperar.
Voltaram para casa de ônibus, silenciosamente. Embora Henrico tivesse muito o que dizer a Antonela, ele não fez.
Antonela sentia seus olhos queimarem e arderem. Lagrimas ameaçando a todo momento derramar. Sentia seu corpo dolorido, as pernas latejando a cada passo que dava em direção à casa. Seu estômago doía de fome. Certamente não se lembrava de passar por um momento tão difícil como aquele, no qual ela não via esperança.
A única coisa que se ouvia eram os passos apressados indo em direção à residência, até Antonela sentir Henrico parando no meio do percurso. Ela olhou para o rosto dele sem entender o que acontecia e viu seu semblante tornar-se sombrio. Girou o pescoço e seus olhos se encontraram com os de Alessia, parada a poucos centímetros dela.
Alessia levantou a mão tão rapidamente, desferindo um tapa no rosto de Antonela, que ela não teve tempo de se defender. Imediatamente, Henrico avançou em sua direção e segurou a mulher, a afastando.
— Achou que me manteria preso naquele inferno? - ela gritava como uma menina mimada – me expulsou de casa para colocar a vadia da minha irmã no meu lugar?
— Cale a boca Alessia – ele alterou o tom de voz com os olhos bem abertos – você sabe os motivos por que eu a expulsei de casa.
Antonela passou a mão no rosto que ardia. Um turbilhão de emoções parecia dominá-la. Com um misto de confusão e cansaço, ela sentia como se tivesse sido jogada para o alto antes de cair.
Depois de algum tempo, ela se aproximou de Henrico e contrariou as intenções de Alessia em prolongar a confusão.
— Não deve se importar com isso pai – lançou um olhar fulminante até a Alessia – vamos para casa. Precisamos descansar.
— Agora quer que o meu pai também me despreze? – Alessia se apressou, colocando o corpo em frente para que Antonela não prosseguisse – conseguiu o melhor emprego na fábrica, conseguiu seu lugar de volta na minha casa, o que mais falta para você se sentir satisfeita?
— Isso não é uma disputa Alessia – Antonela sentiu que agora estava ao ponto de explodir – nem tudo é sobre você. Acredita que só você tem problemas? Vai se surpreender quando perceber que não.
Desviou o corpo para partir, mas Alessia segurou em seu braço disposta a tornar o dia de Antonela mais difícil ainda.
— O Benjamim declarou para a cidade inteira que eu mentir sobre a gravidez – Antonela revirou os olhos – ele está jogando o nome da nossa família na lama e nenhum de vocês dois parecem se importar.
Antonela puxou o braço abruptamente, obrigando-a soltar. Literalmente aquela informação não pioraria o seu humor.
— Autorizei que ele fizesse – as palavras de Henrico fizeram o comportamento de Alessia mudar subitamente – você merecia um castigo. Merecia ter suas mentiras expostas para que todos pudessem ver.
— O que você fez? – Seu rosto estava contorcido de raiva, mas ela não conseguiu dizer nada mais depois disso.
— Volte para a fábrica imediatamente – sem conseguir se conter, a voz de Henrico aumentou – nenhum de nós dois precisamos de mais problemas para nos preocupar.
— E que problema pode ser pior do que ver o nome da sua família jogado na lama?
— O filho da Antonela está doente – Henrico a encarou com frieza, mas não esperou que Alessia compreendesse.
Sentiu um nó se formando em sua garganta ao se lembrar de que acabara de conhecer o novo neto e agora arriscava perdê-lo se algo não fosse feito urgentemente. O semblante de Henrico denunciou o quanto a situação de Adam era grave, porém o vazio nos nossos olhos de Alessia acrescentou um ar maldoso à sua figura. As próximas palavras que saíram dos seus lábios foram firmes e inflexíveis.
— Espero que ele morra – subitamente, Antonela sentiu sua garganta se fechar ao ouvi-la dizer aquilo – e que o Benjamim jamais conheça o filho bastardo.
Antes que pudesse sofrer represália, Alessia girou os calcanhares e saiu apressadamente dali. Henrico fechou os punhos, pensou em segui-la e exigir que ela se retratasse, mas Antonela não permitiu que ele se movesse. Magoada com as palavras da irmã, entrou em casa arrastando Henrico. Estava cansada demais para prolongar discussões.
A declaração de Alessia rasgou o seu peito como uma faca afiada e, antes de dormir, ela chorou pelo peso que causaram em seu coração. Quando despertou, já era tarde. O sol se enfraquecia lentamente, se escondendo por detrás das montanhas.
Ela sentou-se no sofá, ouvindo passos arrastados se aproximando e a figura de Henrico sentou-se ao seu lado no sofá. Ele segurava uma xícara de café que inclinou para ela. Desde o momento em que saíram do hospital, não trocaram nenhuma palavra, mas Henrico sentia que não podia mais guardar sua opinião.
Se recostando, ele olhou para ela com o coração afundado no peito e lhe disse:
— Chegou a hora de falarmos sobre a possibilidade de relevar ao Benjamim que ele tem um filho.
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