Capítulo 60 - o filho secreto do bilionário
- Erica Christieh

- há 6 dias
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Atualizado: há 4 dias

Era esperado que Henrico fizesse isso, afinal, dar a Alessia uma boa lição por contrariá-lo era o normal. Alessia também já esperava por isso, mas o que ouviu dos lábios de seu pai em seguida a surpreendeu completamente.
— Você sabia da verdade, não é mesmo Alessia? – a pergunta a pegou desprevenida – sabia que a Antonela tivera um filho, que o menino é herdeiro do Benjamim.
Espantada com a maneira como ele dizia aquilo e temendo que Benjamim ainda estivesse por perto, Alessia correu em direção à porta e a trancou. Sua atitude não fazia nenhum sentido, mas depois de tudo o que ela havia feito para segurar Benjamim, obrigando-o a se casar com ela, o cuidado era o mínimo naquele momento.
— Não sei do que o senhor está falando – fingiu desentendimento, passando por ele de cabeça baixa e voltando a atenção para o celular que segurava.
Mas ela agia de forma tão eloquente, como se a informação não fosse nenhuma novidade, que fez Henrico ter certeza de que Alessia sabia de tudo, desde o princípio.
Ele avançou na direção dela e arrancando o celular de suas mãos o jogou contra a parede. Um grito abafado foi ouvido e os olhos de Alessia recaíram imediatamente sobre o aparelho jogado no chão.
— Por isso insistiu tanto para a Antonela ir embora da cidade, porque temia que o Benjamim descobrisse tudo e desistisse de casar-se com você – o rosto de Henrico se contorceu de nojo – o que você pensou, Alessia? Que poderia manipular as pessoas ao seu redor para sempre?
— Foi por isso que o senhor pediu para ela ficar? – correu na direção do celular despedaçado, ele ainda funcionava, milagrosamente, e então olhou para o pai com grande desprezo – vai me dizer que agora ama a Antonela e o bastardo do filho que ela insiste em dizer que é do Benjamim?
Quando ela terminou, Henrico sentia seu coração acelerado enquanto tentava ignorar o que ouvia.
— Meus motivos não te interessam. Deveria estar agradecida por eu não ter contado ao Benjamim toda a verdade, porque certamente ele merece saber.
— O senhor não faria isso, porque não se importa com nada além do dinheiro – ela gritou – mas certamente vai encontrar um motivo futuro para tirar vantagem do filho bastardo da Antonela.
Henrico chegou a levantar o braço para dar um tapa no rosto dela, mas imediatamente desistiu. Um pensamento repentino, vago, indistinto a princípio, começou a se cristalizar na mente de Henrico. Ele abaixou o olhar na mesma velocidade que o braço levantado e percebeu haver perdido o controle da própria família.
— Benjamim saberá garantidamente que Arthur é filho dele – Alessia notou uma inquietude na voz de Henrico e teve um mau pressentimento – a questão é, ele vai odiá-la mais por isso?
— Do que está falando, pai? – os olhos dela encheram-se de lagrimas – o senhor, não está pensando em contar para ele a verdade?
Henrico balançou a cabeça com o que pareceu indiferença e manteve-se em silêncio, fazendo o desespero de Alessia aumentar desproporcionalmente.
— O senhor não deveria ter impedido ela de partir – falou Alessia, encolhendo os ombros com impotência – por que o senhor fez isso pai?
— Era o que a Francesca iria querer que eu fizesse – ele respondeu finalmente, ainda que Alessia não encontrasse verdade em suas palavras – preocupe-se apenas com o seu casamento, Alessia e com o filho que você carrega no ventre.
Por um instante, Alessia pareceu ficar sem resposta, observando em silêncio Henrico voltar a abrir a porta e sair lentamente do seu quarto. Como ela conseguiria ser feliz ao lado de Benjamim com Antonela por perto, ainda mais com o filho legítimo de Benjamim? Como conseguiria esconder esse segredo por muito tempo? Ainda mais sabendo que dentro dela não havia herdeiro nenhum?
Ela colocou as duas mãos sobre a cabeça, quando Henrico voltou, como se tivesse esquecido de dizer algo.
— Fique longe da sua irmã e do filho dela – ele apontou o dedo na direção de Alessia – se não quiser arrumar confusão comigo também.
Era inacreditável que Henrico defendesse Antonela naquela altura do campeonato. Ela soltou um grito agudo de dor e desespero e caiu de joelhos no quarto. Estava pronta para se afogar em lágrimas quando ouviu vozes vindo do andar de baixo e percebeu imediatamente que as reconhecia.
Levantou-se apressadamente e enxugou o rosto encharcado. O que Carlota estaria fazendo àquela hora em sua casa? Correu para o banheiro quando percebeu que os passos se aproximavam, subindo a velha escada na direção dela. Olhou-se no espelho, sua aparência era péssima, mas Alessia não teria tempo para disfarçar o quanto estava sofrendo naquele momento.
Ouviu Carlota chamá-la e demorou um pouco para atendê-la. Quando finalmente o olhar de Carlota recaiu sobre ela, ela se surpreendeu com suas feições.
— Você está bem, querida? – Carlota examinou o rosto dela, vermelho, indicando que havia chorado minutos antes.
Ela não respondeu de imediato, depois sorriu escondendo a tensão que havia dentro dela.
— A aproximação do casamento está me deixando angustiada – as desculpas dela eram horríveis e pela expressão no rosto de Carlota, nada convincentes.
— O Benjamim não disse nada desagradável a você? – Alessia franziu o cenho em dúvida – porque comigo ele usa o tratamento do silêncio. Tem me castigado por esse casamento da maneira mais cruel.
— O Benjamim não disse nada – Alessia abaixou o olhar. Ela amava fazer o bom papel de vítima – estou apenas nervosa com tudo o que está acontecendo.
Carlota não soube ao certo o que fazer a respeito daquele casamento. Desde que essa decisão havia sido forçada e apressada, os ânimos de todos os envolvidos se afloraram ao máximo. Carlota tentou não se sentir culpada ou pensar que o que estava fazendo era um grande erro. Abaixou o olhar até a barriga de Alessia e imaginou seu neto crescendo bem e saudável, vivendo em uma família feliz. Somente aquilo importava de fato.
— Você não deve se estressar para não afetar o bebê – ela disse e sorriu, em seguida, colocando algumas sacolas que carregava no chão – eu trouxe o seu vestido de noiva para experimentar. Devo lembrá-la de que o casamento acontecerá amanhã, por isso devemos nos apressar.
Alessia forçou um sorriso, estranhando o fato de não estar feliz com aquilo. Olhou para o vestido que Carlota havia retirado do cabide, mas tornou-se indiferente aquilo. Ela não conseguia parar de pensar em como resolveria o problema que ela mesmo arrumara. Precisava engravidar de Benjamim o mais rápido possível e arrumar um bom plano para desaparecer com Antonela e o filho herdeiro da família Dylon.
O vibrar insistente do celular despertou ela de volta à realidade. Alessia olhou para a tela do celular quebrado e percebeu não conhecer o número. Resolveu não atender. Um minuto depois, uma mensagem surgiu em sua caixa postal, fazendo o coração de Alessia bater descontroladamente, assim que ela leu seu conteúdo.
“Todos sabem que o seu casamento com Benjamim será amanhã ao anoitecer. Devo lembrá-lo de que você ainda me deve a outra parte do dinheiro. Você tem até amanhã ao entardecer para me pagar o que prometeu, caso contrário todos saberão que você não está grávida de Benjamim Dylon.”
Assinado, Fred.
Aquilo só podia ser um pesadelo, pensou Alessia.
Um terrível pesadelo.
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