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Capítulo 61 - o filho secreto do bilionário

Atualizado: há 4 dias

O filho secreto do bilionário
O filho secreto do bilionário

Alessia se levantou rapidamente, aflita. Era nítido em seu rosto que algo a incomodava. Carlota a observou, assustada e sem entender o que de fato acontecia. De repente o rosto dela tornou-se branco como uma folha de papel. 


— Você está se sentindo bem? – se aproximou devagar, analisando o rosto de Alessia – não gostou do vestido?


Alessia olhou para a mulher, parada a sua frente sem ter ouvido ou entendido nenhuma palavra sequer. Ela precisava sair e encontrar Fred tentando convencê-lo a esperar mais alguns dias. Ela não tinha dinheiro para dar a ele e nem tempo para conseguir.  


Carlota, por outro lado, continuando a pensar que o problema era o vestido, passou a analisá-lo e disser a Alessia todos os seus pontos positivos, mas Alessia não ligou para nenhum deles, ela queria sair dali imediatamente e resolver aquele problema. 


— Preciso ir ao banheiro – forçou um sorriso quando, ignorando todas as palavras da sogra, foi em direção ao cômodo e se trancou ali. 


Carlota ficou decepcionada com a atitude dela, ainda mais tendo o esforço e dedicação diante daquele casamento, onde nenhum dos noivos pareciam ser gratos.  


No banheiro, com o coração saltando no peito, ela digitou uma mensagem para Fred, pedindo para que ele fosse um pouco mais paciente. 


“Preciso de tempo para conseguir o dinheiro. Espere que eu me case com Benjamim e resolveremos tudo.” 


Enviou a mensagem e aguardou uma resposta. Carlota bateu na porta perguntando se Alessia precisava de ajuda. Ouvindo claramente suas palavras dessa vez, o rosto de Alessia desmoronou cada vez mais levemente em angústia e seu coração palpitou de dor. 


Fred demorava demais para enviar uma resposta e ela já não tinha tempo.  


— Estou bem, Carlota – ela disse com a voz alta além do normal, carregada de impaciência – podemos deixar o vestido para depois? 


Carlota encostou o ouvido na porta de madeira desgastada, embora escutasse bem as palavras ditas por ela, tinha esperança de ouvir algo a mais que comprovasse que Alessia mentia. Era nítido que a garota não estava nada bem.  


— Sinto muito, querida, mas não temos muito tempo – ela disse, enquanto abaixava a cabeça e observava o belo vestido em suas mãos – o seu tão sonhado casamento já é amanhã. 


Carlota tinha que lembrar o quanto Alessia sonhara com aquele casamento? Fechando os olhos ela refletiu sobre o momento em que vivia. Nada estava saindo como ela imaginou e sonhou, ao contrário, Alessia não queria se casar às pressas, ela desejava desfrutar de cada momento de preparação, mas até mesmo isso estava sendo tirado. 


Ela soltou o ar com pungência, quando voltou a dizer, com os olhos agora vidrados na tela do celular. 


— Preciso só de alguns minutos sozinha, Carlota – tentou usar o tom neutro para não transparecer o quanto estava aborrecida e nervosa – por favor, me deixe sozinha. 


Carlota ficou com o olhar preso na porta fechada, decepcionada. Abaixou o olhar para o relógio segundos depois e pensando bastante sobre aquilo, lhe disse: 


— Vou sair para almoçar e depois volto para discutir os últimos detalhes. Aproveite minha ausência para experimentar o seu vestido. 


Não houve nenhuma resposta do outro lado, apenas os saltos se instalando no piso de madeira, indo em direção à cama, onde Carlota colocou o vestido delicadamente. Logo em seguida, ela saiu do quarto, descendo as escadas e indo embora da casa.



Só quando o silêncio voltou a ser sua única companhia, que Alessia finalmente saiu do banheiro. Percebendo estar sozinha, ela trancou-se no quarto e caminhou de um lado a outro, esperando que Fred lesse sua mensagem e mandasse a ela uma resposta satisfatória.  


O celular vibrou. Uma mensagem de Fred. 


“A minha mãe está morrendo, Alessia. Preciso desse dinheiro amanhã antes do casamento, caso contrário todos saberão a verdade.” 


O coração afundou no peito dela e Alessia sentiu uma forte tontura a atingir. Ela precisou sentar-se na cama para não desabar de vez. Como ela conseguiria aquele dinheiro tão rapidamente? 


Lagrimas escorreram pelo seu rosto e o desespero tomou conta do cenário atual. 


Do outro lado da cidade, Carlota entrou em casa e se surpreendeu vendo Benjamim almoçando tranquilamente na sala de estar. Aproximou-se dele cautelosamente, mas ele ignorava-a como se ela já não existisse. 


Vagarosamente sentou-se ao seu lado e cruzando as mãos sobre a mesa, fez uma abordagem bastante arriscada. 


— Eu estava na casa da Alessia – olhou nos olhos dele, mas Benjamim não a olhou – precisa saber o que está acontecendo com sua noiva, benjamim. Aquela menina não está bem. Estou preocupada com a saúde do meu neto. 


Benjamim levou a taça até os lábios e bebeu um gole do vinho. Tentou ignorar o quanto sua mãe parecia egoísta dizendo aquilo. Pensava somente no neto que sempre desejou e passava por cima de todos ao redor apenas para conseguir o que tanto queria.  


Voltou a encher o garfo de comida e enfiá-lo na boca, sem responder nenhum momento. 


— Até quando vai agir dessa forma? – ela se irritou, batendo com as mãos sobre a mesa enquanto o peso do silêncio esmagava seu coração – um dia você perceberá que tudo o que estou fazendo é para o seu bem e quando estiver com o seu filho nos braços, vai se lembrar de minhas palavras. 


O olhar frio dele se encontrou com o dela. Benjamim pensou azedamente, mas logo em seguida dispensou o pensamento. Precisou agir com a razão e esquecer o quanto estava ferido pelas atitudes irresponsáveis de sua mãe. 


— Estou indo embora dessa casa – lhe comunicou, quando levou o guardanapo até os lábios, indicando que havia terminado sua refeição – partirei hoje à noite. 


— O quê? – Carlota o observou se levantar para partir, quando rapidamente o interceptou, colocando o corpo na frente dela – Achei que depois do casamento, você e a Alessia iriam morar aqui. 


— Não existe eu e a Alessia – ele a fuzilou com o olhar – irei morar sozinho e a Alessia ficará aqui com a senhora. Esse casamento é uma enorme farsa e eu não serei obrigado a viver debaixo do mesmo teto de uma mulher a qual eu não mais suporto. 


— Não pode fazer isso, Benjamim – ela olhou para ele, vendo a determinação rodopiando em seus olhos - não pode casar e abandonar sua esposa. 


— Eu posso, como vou fazer – ele pegou o paletó sobre a cadeira e o vestiu, preparando-se para voltar ao trabalho – a senhora não deseja tanto um neto? Desfrute desse momento então.  


Carlota sentiu o coração doer mais uma vez, enquanto tentava convencer a si que ele mudaria de ideia. Seu filho não poderia agir tão cruelmente assim, castigando não somente ela, mas Alessia e o filho que ela esperava.

 

 

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