Capítulo 62 - o filho secreto do bilionário
- Erica Christieh

- há 4 dias
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As notícias sobre o casamento da Alessia ganharam destaque naquela manhã. O grande dia, o qual ela havia sonhado por três longos anos, finalmente aconteceria.
Antonela estava sentada, com as mãos apoiadas no balcão, enquanto tomava uma xícara de café e lia as notícias daquele dia. Sentiu a garganta fechar e o líquido ficar preso, descendo lenta e dolorosamente, quase a fazendo sufocar.
Ela mal havia percebido a presença de Carmélia, que parou para observá-la e perceber uma tristeza contínua se formar em seu belo rosto. O fato de Antonela não ter voltado no assunto do dia anterior e nem ter lhe dado uma boa bronca por se meter em sua vida fez ela se sentir um pouco melhor.
Aliás, nenhuma das duas havia conversado sobre aquilo, mas Carmélia precisou se explicar.
— O que foi? – perguntou Carmélia, fazendo ela girar a cabeça para olhá-la – está assim devido à minha atitude em trazer seu pai até aqui?
Antonela ergueu a sobrancelha em uma expressão de dúvida.
— Você fez o que acreditou ser o melhor – voltou a abaixar o olhar para a tela do celular – hoje é o casamento da Alessia com o benjamim.
Carmélia entendeu tudo assim que ela disse essas palavras. Porém, não deixou de se surpreender com a pressa que Antonela tinha em compreender e perdoar as pessoas. Percebendo então que ela não estava disposta a falar sobre o passado, puxou uma cadeira e sentou-se em frente a ela.
— Você já decidiu o que vai fazer sobre isso?
Antonela engoliu em seco diante da pergunta dela.
— Sobre o que está falando? – fingiu desentendimento, embora, no fundo, compreendesse perfeitamente o que Carmélia havia dito.
— Sobre esse casamento ridículo, da sua irmã com o pai do seu filho – fez uma pausa, notando surpresa na expressão de Antonela – vai deixar que isso aconteça?
— E por que eu deveria impedir? – Antonela soltou um riso de desespero.
— A Alessia impediu que você se casasse com ele – enfatizou, mas Antonela não gostou da comparação - não que você seja igual a ela, mas não fazer nada será decretar que ela venceu.
— Isso não é uma disputa, Carmélia – imediatamente Antonela girou as costas para ela, incomodada com o rumo que a conversa tomava – devo lembrá-la de que isso também foi uma decisão do Benjamim. Ele podia ter ido atrás de mim quando descobriu que a Alessia mentiu sobre o meu verdadeiro estado de saúde, mas ele não foi. Ao contrário, resolveu se casar com ela para tentar diminuir a culpa que ele carregava.
Carmélia concordando imediatamente com seu comentário, levantou-se para aprofundar mais ainda suas argumentações. Ela também não suportava a ideia de ver Alessia se dando bem em cima de tanto sofrimento.
— Eu não vou dar uma de advogada do diabo e defender o Benjamim. Ele errou tanto quanto Alessia – prendeu a respiração de repente e depois a soltou com a conclusão de seu pensamento – mas você o ama e deu a ele o herdeiro que ele tanto queria. Por esse motivo, não devia permitir que ele se case com sua irmã.
A tristeza se aprofundou dentro dela.
— A Alessia também está gravida.
Concluiu como se esse argumento fosse o bastante. Quando estava pronta para se afundar nas palavras de Carmélia e vê-la tentar outra vez convencê-la de suas objeções, o seu celular vibrou insistentemente em cima do balcão.
Seu olhar recaiu sobre ele, quando se aproximou e levou um susto ao perceber quem a ligava. Segurou o celular em mãos e, atendendo à ligação, levou lentamente o aparelho até o ouvido.
— Pai? – ela fez uma careta, esperando uma resposta ofensiva do outro lado da linha.
Desde quando ela voltou, Henrico nunca havia ligado para ela, embora Antonela tivesse seu número intacto em seus contatos, ele permanecia ali, como um fantasma fazendo-a lembrar que tinha um pai vivo, que agia como um morto.
— Quero que venha para a fábrica imediatamente – ele ordenou com frieza – hoje é o casamento da Alessia e precisarei me ausentar. Você cuidará de tudo para mim.
O coração de Antonela se apertou ao imaginar o que significaria o tudo de Henrico.
Ela estava pronta para questioná-lo, quando a ligação foi encerrada abruptamente.
Antonela ficou com o aparelho nas mãos, olhando para Carmélia como se não acreditasse no que estava acontecendo. Só depois de alguns minutos, enquanto Carmélia insistia para que Antonela lhe contasse o que havia acontecido, ela finalmente foi até o quarto e trocando de roupa saiu.
Caminhou pela estrada de chão, parando em frente a parada. Incrivelmente Dominique havia ido trabalhar. Nem mesmo no dia do seu casamento, Benjamim dispensara seus funcionários. Pensando nisso, ela até mesmo sentiu-se aliviada por não mais trabalhar para ele. Não suportaria olhá-lo sabendo que dali algumas horas ele estaria casado com sua irmã mais nova.
Meia hora depois ela estava em frente a fábrica. Ficou parada olhando para o que agora, era um velho prédio e uma nostalgia invadiu seu peito quase a sufocando. Lembrou-se do quanto Henrico amava aquele lugar e dedicou sua vida inteira para erguer seus negócios, que agora caíam aos pedaços.
Isso não justificava ele querer vender as próprias filhas para recuperar seu amor da falência, mas ela não deixou de sentir-se feliz em saber que a fábrica se ergueria com a ajuda de Benjamim.
Quando percebeu o tempo em que ficara parada olhando para o prédio que caía em ruínas, caminhou apressadamente para dentro do lugar. Antonela conhecia a fábrica com a palma de suas mãos. Quando era criança, corria pelos corredores com Alessia e Dominique. Essa lembrança fez um sorriso repuxar seus lábios e seus olhos encherem-se de lágrimas.
Era triste ver aquele lugar vazio, ainda mais sabendo que um dia foi amiga da sua irmã e agora não passavam de duas estranhas.
— Está atrasada – a voz de Henrico surgiu logo atrás dela, fazendo Antonela se assustar – me acompanhe, por favor.
Antonela observou seu semblante ranzinza, sem nenhuma simpatia com ela, girar as costas e caminhar em direção à sala de direção. Antonela não ousou se explicar, muito menos pedir desculpas, sabia que Henrico detestava qualquer tipo de bajulação.
Entrou na sala, agora escura e com os vidros lascados. As paredes sujas demonstravam o abandono do lugar, mesmo assim a mesa de Henrico permanecia intacta exatamente como Antonela se lembrava.
Ouviu um barulho vindo da porta e se deparou com Fabrício, ansioso, esperando reencontrá-la.
— Senhorita, Antonela – os olhos do garoto brilharam – como é bom vê-la novamente.
Antonela estendeu a mão para cumprimentá-lo, feliz em saber que Fabrício permanecia trabalhando para o seu pai.
— Não tenho tempo para as suas formalidades, Antonela – Henrico bateu na mesa com uma expressão irritada no rosto – você está aqui para trabalhar.
Antonela engoliu a seco, mas resolveu não dizer nada, apenas obedecer.
— Quero que organize toda essa documentação para mim e anuncie vagas para novos funcionários – ele disse e Antonela conseguiu ver pontadas de satisfação em seu rosto – as máquinas voltarão a funcionar, graças ao dinheiro do benjamim.
Mas a felicidade de Antonela desapareceu rapidamente ao ouvir o nome dele. Viu Henrico pegar o seu chapéu e sair da fábrica, indo se preparar para o casamento de Alessia.
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