Capítulo 71 - o filho secreto do bilionário
- 6 de fev.
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Atualizado: 27 de fev.

Antonela se preparava para fechar a fábrica e voltar para casa. Olhou as horas no relógio e seu coração se afundou no peito. Benjamim já devia estar casado com Alessia e os dois estariam partindo para a lua de mel.
Era estranho pensar que uma mentira havia mudado todo o rumo da história. Que deveria ser ela a mulher de Benjamim e não Alessia. Dominique tinha toda a razão quando dizia que ela havia conseguido o que tanto desejava.
Pensava sobre isso, quando sentiu o toque de Fabricio no seu ombro. Ela girou o pescoço rapidamente, assustada e olhou nos olhos do garoto.
— Eu não tive a intenção de assustá-la – ele recolheu a mão quase imediatamente – mas olhe, aquelas não são a Dominique e Carmélia?
Apontou para o outro lado da rua e Antonela avistou a figura de duas mulheres, caminhando pela rua mal iluminada, quase correndo. A pouca luminosidade e a distância dificultou ela as reconhecer de imediato, mas quando Antonela teve certeza de que eram elas mesmo, quase teve um ataque.
— Será que o casamento acabou mais cedo? – Fabricio disse, olhando as horas. Era demasiadamente cedo para o retorno delas.
Antonela concordou que esse era o único motivo para elas voltarem rapidamente, mas quando Dominique se aproximou com um sorriso de vitória no rosto, Antonela soube que algo a mais havia de fato acontecido.
Ela estava vibrante, saltava e gritava na rua como se o time do coração tivesse acabado de ganhar o campeonato.
— Pare imediatamente com isso, Dominique – disse Carmélia a recriminando por sua infantilidade.
Dominique, não dando ouvidos à própria mãe, continuou, quando chegou a envolver Antonela em um abraço. Antonela, por outro lado, completamente confusa, sentiu o abraço apertado arrancando-lhe o folego e viu-a se afastar, ansiosa para contar o que havia acontecido.
— O casamento foi cancelado.
Os olhos de Antonela se arregalaram e seu coração parou de bater quase instantaneamente. Ela estava paralisada com o que acabara de ouvir. Seu rosto tornou-se branco, quando ela foi transportada para o passado e se lembrou da noite em que havia sido abandonada no altar por Benjamim. Mas ela não conseguiu dizer uma palavra sequer e nem perguntar o que havia acontecido.
— Você não vai acreditar no que de fato aconteceu, amiga – Dominique estava a um passo de explodir de tanta alegria. Era um imenso prazer para ela dar aquela notícia para Antonela – o Benjamim fez com ela o mesmo que ela o obrigou a fazer com você.
— Está me dizendo que ele a abandonou no altar? – a voz foi mais um sussurro, quase inelidível.
Dominique balançou a cabeça com um sorriso escancarado. Ela se divertia prazerosamente com a tragédia da vida de Alessia. Sua vingança pessoal estava realizada.
— Não deveria dar uma notícia dessa assim, Dominique – Carmélia a repreendeu pela segunda vez, quando avistando Adam o pegou em seus braços – afinal, estamos falando da irmã dela.
— Está me dizendo que está com pena daquela infeliz? – Dominique disse, revirando os olhos – devo lembrá-la de que foi exatamente isso que a Alessia fez com a Antonela? Devido à mentira dela, Benjamim a abandonou no altar.
— Arrancar esse sorriso do rosto já seria o suficiente – Carmélia lhe lançou um olhar reprovador – a noite foi horrível. O casamento que nem aconteceu um circo de horrores. A Antonela não é obrigada a partilhar do seu deboche.
— Não seja dramática, mãe – ela disse observando Carmélia se afastar com adam nos braços e entrar no velho Chevette que estava há muitos metros de distância – pelo menos a vida foi justa, dando a cada um o que merece.
Antonela permaneceu quieta por um bom tempo, como se absorvesse tudo o que ouvira. Qual era a chance de aquilo se repetir? Benjamim abandonar outra mulher no altar, ainda mais essa mulher estando grávida dele? Que tipo de homem benjamim realmente era?
Ela começou a duvidar do caráter dele, chegando à conclusão ilusória que jamais o conheceu. Benjamim agora parecia um homem cruel e mesquinho, que feria qualquer mulher que se aproximava dele.
— Por que ele fez isso com ela? - finalmente ela disse as palavras, levantando o olhar até Dominique – a Alessia está gravida. Um herdeiro não era tudo o que ele queria?
— Ninguém sabe os motivos – Dominique lhe disse, dessa vez com o semblante sério. Finalmente ela percebeu o quanto a notícia havia abalado emocionalmente Antonela – mas acredite, ele não faria isso se não tivesse um bom motivo. Alguma coisa a Alessia aprontou.
Por outro lado, Dominique tinha toda a razão. Alessia já havia provado seu poder de manipulação e maldade. Ela conseguiria muitas coisas para conseguir o que realmente queria.
Antonela não suportaria esperar amanhecer para saber de terceiros o que de fato acontecia. Ela precisava ver benjamim e ouvir dos lábios dele o que de fato havia acontecido e ela sabia exatamente onde o encontrara.
Virou-se para Fabrício, que permanecia ouvindo toda a conversa em completo silêncio. A expressão no rosto do rapaz era a mesma que a dela. Dúvidas e choque. Ela o chamou para fecharem a fábrica e pediu para que Dominique a esperasse no carro.
— Quero pedir um favor a você, Fabrício – ela disse – procure o meu pai e certifique-se de que ele está bem.
— Farei isso, Antonela – ele balançou a cabeça, quando ela se girou e foi para o carro.
Já no veículo, Adam dormia tranquilamente nos braços de Carmélia, enquanto Dominique continuava explanando sua alegria pelo fim do casamento de Alessia. Ela era tão autêntica com seus sentimentos que jamais se reprimiria por culpa ou medo de magoar alguém. Os sentimentos eram somente dela e ninguém tinha nada a ver com isso.
— Quero que me leve até o bar para onde estive à noite em que fui abandonada no altar.
O olhar de espanto de Dominique recaiu sobre Antonela e ela ficou com uma expressão abobalhada no rosto. Ela entendia exatamente o que aquilo significava.
— Acha que ele vai estar lá? - perguntou, quando Antonela girou e olhou com determinação para o nada à sua frente.
— Não custa descobrir – ela disse, envolvendo o cinto de segurança no corpo – preciso ouvir ele confessar seus motivos para cometer o mesmo erro duas vezes.
— Isso não foi um erro – Dominique girou a chave e ligou o motor do velho Chevette – isso foi uma reparação histórica, e a Alessia mereceu.
Carmélia instalou os lábios logo atrás, mas não disse nada dessa vez. Conhecia Dominique o suficiente para saber que ela falaria sobre aquele episódio por semanas. Resolveu então não dar a ela mais motivos para se divertir.
Dominique dirigiu até onde Antonela gostaria de estar e parou em frente ao local completamente lotado.
— Como vai voltar para casa? – perguntou, quando girou para olhá-la já saindo do veículo – sabe que pode me ligar que virei buscá-la.
— Não se preocupe – ela se inclinou para olhá-la pela última vez – apenas cuide do Adam para mim. Volto em breve.
Antonela se afastou e viu Dominique dirigir para longe até virar as esquinas e desaparecer. Viu-se novamente em frente ao bar que trazia consigo tantas lembranças. Ela demorou mais do que deveria para caminhar até a entrada do local. Temeu estar certa e encontrar Benjamim dentro daquele lugar, como da primeira vez em que se viram.
Era tarde demais para desistir. Soltou um longo suspiro, quando deu o primeiro passo, depois outro e quando percebeu já estava no lugar lotado, com cheiro de bebida e cigarros e com uma música insuportavelmente alta.
Ela passou os olhos pelo lugar, quando o avistou, vestido com um paletó, sentado no balcão em frente ao bar. Tinha um copo cheio de bebida em uma das mãos e o olhar vazio, completamente perdido.
Sentiu o coração disparar quando se aproximou. Sentou-se ao lado dele sem que Benjamim reparasse em sua presença e então ela usou uma frase de que certamente ele se lembraria.
— Há alguma festa a fantasia na cidade, que eu não estou sabendo?
O timbre da voz dela o despertou e, lentamente, como se não acreditasse, ele girou o pescoço, se deparando com Antonela parada sentada ao seu lado. Havia um abismo nos olhos dele que quase afundou Antonela na escuridão.
— Antonela – ele disse.
A história se repetia mais uma vez. Dessa vez, com sinais claros de um final diferente.
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