Capítulo 72 - o filho secreto do bilionário
- 6 de fev.
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Atualizado: 27 de fev.

Benjamim olhou nos olhos dela, tentando decifrá-la. Depois desviou o olhar, elevando o copo até os lábios e bebendo o resto da bebida que sobrara. Esperou o coração parar de bater tão freneticamente enquanto formulava a pergunta certa para fazer a ela.
— Como sabia que eu estava aqui? – voltou a olhar para ela, a estudando com atenção.
Antonela não conseguiu permanecer com o olhar no dele. Girou a cabeça para o outro lado e apertou um pouco mais o casaco em volta de si, enquanto pigarreava.
— Para onde mais você iria após abandonar uma mulher no altar? – voltou a olhá-lo, o fuzilando com seu questionamento.
Um sorriso irônico repuxou os lábios de Benjamim e Antonela não gostou nada daquilo. Ela se arrependeu daquelas palavras no mesmo instante que as pronunciou. Sentiu um arrepio percorrer o seu corpo ao imaginar que resposta ele daria.
Não havia ido até ali para discutir com Benjamim, mas para entender seus motivos.
— Você se espantaria se eu dissesse – ele abaixou a cabeça e olhou para o copo vazio em suas mãos passando os dedos sobre ele.
A boca de Benjamim se abriu e logo em seguida se fechou enquanto tudo, cada lembrança, ressurgia como uma enxurrada, o afogando lentamente sem que ele conseguisse emergir.
Durante algum tempo, Antonela só conseguiu encará-lo.
— Uma vez você me disse que não se importava – nesse momento, ele voltou a encarar seus olhos – disse que não se lembrava daquela noite em que tudo o que aconteceu foi insignificante. Mas você está aqui, no mesmo lugar que nos conhecemos, repetindo as mesmas frases que falamos um para o outro.
O coração de Antonela começou a acelerar incontrolavelmente. Os dois ficaram parados se encarando e nenhum desviou o olhar.
— Eu não estou aqui para falar sobre nós dois – Antonela limpou a garganta e tentou disfarçar o quanto falar sobre aquilo a deixava nervosa – quero saber por que abandonou a Alessia no altar.
Benjamim reprimiu um sorriso. Agora, sim, ele estava entendendo. Então, ele pensou em uma resposta que não fosse tão direta e que não chocasse tanto Antonela como chocou a ele. Desviando o olhar, enfiou a mão no paletó e retirou o verdadeiro exame de gravidez e o direcionou a ela.
Antonela olhou para o papel amassado, percebendo que aquilo havia passado por muitas mãos diferente até chegar a ele. Ao menos a impressão que dava era essa.
— A resposta que você quer estar aí – o tom que ele usou e a urgência em suas palavras fez o cabelo da nuca de Antonela se arrepiarem.
Ela se inclinou e pegou finalmente o papel em mãos. Agora, toda a sua atenção estava direcionada ao objeto que segurava. Lentamente foi o desdobrando, como um presente bem embrulhado, cheio de expectativa e medo também.
Agora, aberto em suas mãos, passou os olhos sobre as letras grifadas. Ela mal acreditou no que lia. Sentiu-se nauseada e no segundo seguinte furiosa.
Alessia mentiu pela segunda vez para casar-se com Benjamim. Aquilo era horrível. Pior de tudo, completamente doentio.
Ela balançou a cabeça, desejando de repente que Benjamim não o tivesse mostrado a verdade. Antonela inspirou fundo, levando os dedos até as têmporas.
Não, Alessia não iria tão longe assim, ou iria? Ela balançou a cabeça pela segunda vez, não querendo pensar sobre aquilo. Mesmo assim ficou calada, sem saber o que dizer a ele.
— A Alessia nunca esteve grávida – Benjamim disse isso e seu rosto se contorceu – e ela usou isso para forçar o casamento entre nós dois. Ela sabia que um herdeiro seria o único motivo que me uniria a ela.
Antonela o encarou como se estivesse em choque. Sentiu o corpo endurecer e seus pensamentos partirem em direções opostas.
E se ela contasse a ele sobre o Adam? Ele também se juntaria a ela apenas por um herdeiro?
— Sinto muito – as palavras soaram ridículas, mas foram as primeiras que lhe ocorreram – como descobriu?
— Sei, o que vou dizer vai chocar você – ele fez uma pequena pausa. Era doloroso repetir a mesma história – Alessia usou a fragilidade de um enfermeiro no hospital em que Henrico estava internado. Ofereceu a ele uma enorme quantia para ele falsificar o exame de gravidez.
— Como? – Antonela sentiu um peso esmagando seu estomago por dentro, como se tivesse levado um soco – eu não entendo.
— Eu também não – foi sincero – mas o enfermeiro tem uma mãe morrendo em um hospital e ele precisava urgentemente de uma enorme quantia para arcar com o tratamento dela. Então ele aceitou, mas Alessia não cumpriu com o combinado e pagou só metade do dinheiro.
— Onde Alessia conseguiu dinheiro?
Por alguns instantes, Benjamim ficou calado, sentindo um bolo que lhe obstruía a garganta. Antonela não podia pensar que aquilo fosse verdade.
— Ela roubou da fábrica do seu pai.
Ela engoliu em seco. Seus olhos faiscaram. Antonela passou um tempo sentada sem dizer nada. Absorvendo a verdade como uma comida amarga, difícil de ser digerida. Agora tudo fazia sentido.
Imaginou como Henrico se sentiria quando soubesse a verdade. Imaginou como Alessia se sairia quando toda a verdade fosse exposta em seu belo rosto.
— Paguei a fiança do Frederico, o enfermeiro coagido pela sua irmã – Benjamim prosseguiu – depois levei ele até o hospital onde a mãe dele está internada e paguei todo o tratamento dela. E agora estou aqui, bebendo para ter coragem de voltar para casa e acabar com isso de uma vez por todas.
Antonela percebeu a amargura no tom de voz dele. Ela se silenciou. Não havia nada que pudesse dizer a ele. Nem mesmo se desculpar por fazer um julgamento precipitado de suas atitudes. Ele estava agindo com uma enorme grandeza ao perdoar o enfermeiro e ainda o ajudar a salvar a vida da mãe do rapaz.
Sua atitude era nobre, não havia como descrever o quanto ela agora o admirava por isso.
Depois disso, ninguém se mexeu. Ainda abalados pelo que havia acontecido, ficaram apenas observando o movimento intenso do bar, ouvindo a música que ecoava logo atrás deles.
Benjamim não bebeu mais do que aquele copo. Pagou o que havia consumido ao barman, percebendo ser hora de partir.
— Venha, vou levá-la em casa – ele se levantou sabendo que Antonela resistiria a ideia de acompanhá-lo.
Benjamim tinha muitas coisas presas dentro dele, que precisavam ser ditas para ela, mas aquela não era melhor ocasião. Ele estava cansado, ela também.
Incrivelmente, Antonela não recusou o pedido. Caminhou com ele para fora do bar e entrou no seu carro. Antes que ele desse partida, ela pediu para que ele a levasse para casa de Henrico.
Ele não a questionou, apenas dirigiu, enquanto ela olhava pela janela do carro em movimento. Atravessaram a ponte e foram seguindo as curvas sinuosas até chegarem ao acesso da casa de Henrico.
Ela não saiu do carro na mesma hora. Em vez disso, ficou sentada, segurando as chaves que ainda tinha da antiga casa onde morou a vida inteira. Era um erro ir até ali. Certamente, mas ela não se importou com os conflitos que aconteceriam em seguida.
— Espero que as coisas se resolvam o mais rápido possível – ela disse, quando colocou a mão na maçaneta, incapaz de olhar nos olhos dele.
Ela partiria sem dizer a ele tudo o que precisava. Muitas coisas ficaram presas em sua garganta e que morreriam em seu coração depois daquilo.
Percebendo que ela partiria, Benjamim tocou seu braço, forçando Antonela a olhar para ele.
— Ao menos uma coisa boa aconteceu no meio de toda essa tragédia – ele disse isso, percebendo o rosto dela ficar vermelho de repente – você não foi embora como imaginei que iria. Eu ainda tenho você na minha vida.
Ela apenas escondeu o sorriso que tentou se formar em seus lábios ao ouvi-lo dizer aquilo e então saiu do carro, caminhando até a varanda. Olhou para trás, pela última vez, quando Benjamim acenou e finalmente partiu.
A casa estava escura. Não havia nenhum sinal de presença ali. Ao entrar, ela chamou pelo nome do pai, mas ninguém a respondeu. Antonela estava sozinha e teria tempo suficiente para pensar sobre tudo o que havia acontecido.
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