Capítulo 89 - o filho secreto do bilionário
- 26 de fev.
- 5 min de leitura
Atualizado: 27 de fev.

As palavras de Antonela martelavam na mente de Henrico, como um veneno injetado em seu corpo, atrofiando seus órgãos e o matando lentamente. Ele estava sentado em sua cadeira velha, que rangia todas às vezes que ele se mexia, enquanto olhava para o vazio, pensando como estaria Adam naquele momento.
Fabricio entrou na sala e o viu distraído. O chamou algumas vezes, mas Henrico demorou para perceber sua presença ali.
— Você fez o que eu pedi? – ele levantou o olhar de repente, assustando Fabricio.
— Sim, senhor – ele respondeu, apertando os dedos das mãos – a dona Carmélia está aqui para falar com o senhor.
Henrico levantou-se imediatamente, cheio de expectativas. Mas Fabrício não se moveu, o que o deixou um pouco irritado.
— Está esperando o que, rapaz? – sua voz tornou-se ríspida – mande-a entrar.
Fabricio agitou-se, olhando para Henrico e girando os calcanhares desajeitadamente e caminhando para fora da sala. Nem um minuto havia se passado quando Carmélia entrou na sala dele, e os dois se entreolharam, desconfortáveis um com a presença do outro.
Ele fez um gesto, silencioso para que ela se sentasse e só depois de alguns segundos ele começou a falar.
— Como está o Adam? – A pergunta fez o rosto de Carmélia se contorcer e Henrico perceber que o garoto não estava nada bem.
— O quadro dele não mudou desde o dia que você o viu – ela disse – isso faz o quê? Uma semana?
Henrico se levantou como se a angústia explodisse dentro do seu peito, de modo que ele não conseguia se conformar. Antonela havia o impedido de ver o próprio neto, não permitindo que ele se aproximasse ou tentasse ajudá-la.
Ele nunca imaginou que o desprezo dela o machucaria tanto.
— E o resultado dos exames? – ele a olhou cheio de expectativas.
— Negativo – a esperança de Henrico murchou dentro dele – nem você e nem a Antonela são compatíveis com o menino.
Ele precisou se sentar novamente. Mal conseguiu sentir as pernas. Acomodou a cabeça entre as mãos entrelaçadas e fechou os olhos, deixando a dor e a culpa tomar conta dele de vez. O que ele poderia fazer para ajudar Antonela a salvar a vida de Adam?
Ele queria levantar-se daquela cadeira e ir ao hospital convencê-la a aceitar sua ajuda, mas ele também era orgulhoso. Ele também tinha dificuldades em pedir perdão.
— Precisa convencê-la a contar a verdade ao Benjamim – ele elevou o olhar até Carmélia – ele pode ser um doador compatível.
— A Antonela está irredutível em relação a isso – ela disse, desviando o olhar – disse que vai esperar um doador aparecer.
Henrico levantou-se pela segunda vez, batendo a mão sobre a mesa velha de madeira. A explosão dele causou um susto enorme em Carmélia. Henrico estava inconformado. A teimosia de Antonela poderia ceifar a vida do filho dela.
Enquanto isso, ele era obrigado a permanecer ali de braços cruzados, sem poder fazer nada para reverter a situação.
— Diga a ela que se não contar ao Benjamim toda a verdade, eu direi.
Os olhos dele se esbugalharam na proporção que Carmélia se levantava, assustada com a declaração dele.
— Eu tentei conversar com ela sobre tudo o que está acontecendo – Carmélia sentiu a respiração ficar presa em seus pulmões - quem melhor do que eu poderia explicar a ela tudo o que aconteceu quando Francesca soube que você tivera uma amante? Mas a Antonela disse que não se interessava em saber. Que não permitiria que nada ocupasse suas preocupações com Adam.
— Eu não quero que você convença a ela sobre minha traição – lembrou-se de repente porque detestava tanto Carmélia – quero que você a convença sobre o Benjamim.
Os olhos de Carmélia se abriram instantaneamente quando ela percebeu a voz alta de Henrico se intensificando cada vez mais. Ela conhecia bem o temperamento dele. Sabia o quanto era difícil convencê-lo de que suas decisões nem sempre eram as corretas, mas ela não teve tempo de abrir os lábios para prosseguir com o diálogo.
Fabricio entrou no escritório os interrompendo. O garoto parecia aflito.
— O senhor tem uma visita.
Henrico fez uma careta para ele demonstrando sua irritação.
— Peça para voltar outra hora – voltou a bater com os punhos sobre a mesa.
— Nem mesmo se essa visita for eu?
A voz de Benjamim rompeu a voz furiosa de Henrico. Ele entrou no lugar e seus olhos imediatamente recaíram sobre Carmélia. Benjamim já havia visto a mulher algumas vezes e a reconheceria em qualquer lugar.
Ficou surpresa que ela estivesse de pé, recuperada.
Pressionando os lábios com força, Carmélia olhou nos olhos de Benjamim e soube que era hora de partir. Apanhou sua bolsa, olhou para Henrico pela última vez e decidiu sair em silêncio. Não ousaria falar qualquer coisa para não se comprometer depois.
Benjamim a observou ir embora, com algumas palavras presas em sua garganta. Ela pensou em perguntar à Carmélia como ela estava, já que Dominique havia faltado vários dias de trabalho para cuidar da mãe, internada em um hospital.
— Ela não é a mãe da Dominique? – perguntou, mas não esperou resposta – que bom que ela está bem, depois de tantos dias internada em um hospital.
Henrico olhou para ele confuso, depois de alguns segundos, entendeu finalmente o que havia acontecido.
— Então foi isso que a Antonela disse para você? – Benjamim levou o olhar até ele, em dúvida – ela disse que a Carmélia estava internada em um hospital?
E esse não era o motivo de Dominique estar faltando ao trabalho?
Esse pensamento invadiu sua mente no mesmo instante em que os olhos de Henrico o alcançaram. Tinha alguma coisa de errado nessa história, ele conseguiu ver isso no semblante de Henrico.
— Parece que você me esconde algo – as palavras de Benjamim amplificaram a ansiedade que existia em Henrico.
O homem abaixou imediatamente o olhar, achando que não tinha direito de fazer aquilo. Antonela jamais o perdoaria caso ele lhe contasse a verdade. Mas Henrico sentiu que poderia forçar a situação para que os dois se encontrassem e conversassem sobre aquilo.
— Aconselho que você mesmo pergunte à Antonela sobre isso – sua voz tremulou – mas posso afirmar que a Carmélia não esteve doente em momento algum.
Benjamim o fitou nos olhos, espantado com a revelação, e certificou-se de que havia entendido o que Henrico acabara de dizer. Ele ficou paralisado por alguns poucos segundos e depois foi embora, se afastando, enquanto caminhava pelo corredor escuro da velha fábrica.
Havia ido até a fábrica para saber notícias sobre Antonela e estava voltando com um problema para resolver.
Antes de partir, ligou para Dominique e exigiu que ela estivesse em seu escritório antes do seu retorno.
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