Capítulo 97 - o filho secreto do bilionário
- 1 de mar.
- 6 min de leitura

Embora soubesse que precisava descansar um pouco mais, Antonela se levantou antes mesmo do sol subir ao céu ou do galo cantarolar, como fazia todas as manhãs. Olhou no relógio, ia dar quatro daquela madrugada. Sentiu a bexiga cheia e saiu do quarto em direção ao banheiro.
Antes, olhou para o lado, para o lugar vazio onde Adam costumava dormir e seu peito voltou a se encher de medo e ansiedade. Ela só desejava que aquele pesadelo terminasse e Adam voltasse o mais rápido possível para o seu lado.
Pensou o quanto estava se sentindo culpada por deixar Adam sozinho com um completo desconhecido para ele. Depois de alguns minutos sentada no vaso sanitário e alimentando seus pensamentos com coisas ruins, ela se levantou, vestiu a roupa e saiu.
Dessa vez, caminhou pelo corredor escuro, que foi se iluminando pouco a pouco conforme ela se aproximava da cozinha. Se deparou com Carmélia sentada atrás do balcão com uma enorme xícara nas mãos.
Os olhos dela se arregalaram ao ver Antonela, mas em seguida os desviou quando percebeu ela se aproximar. Passou por ela em silêncio, dando a volta e parando em frente à geladeira. Retirou uma garrafa com água e, enchendo um copo, o bebeu silenciosamente.
Carmélia se agitou, a última coisa que queria era se sentir mal com a presença de Antonela, embora soubesse que havia errado com ela pela segunda vez. Quando percebeu que ela havia terminado e se retiraria, interceptou, obrigando-a a parar para ouvi-la.
— Por que acordou tão cedo? – a voz dela rompeu o silêncio e Antonela pensou até em deixá-la falando sozinha, mas ela não agia assim com ninguém.
— Não consegui dormir – respondeu de cabeça baixa – e você também parece que não.
Carmélia se levantou e vagarosamente se transferiu para perto dela. Aproximou-se a mão da sua e, quando Antonela levantou, finalmente, o olhar, viu os olhos de Carmélia repletos de lagrimas.
— Sinto muito, se traí sua confiança pela segunda vez – sua voz saiu mais baixa do que deveria – a esperança do Henrico era que o Benjamim soubesse sobre a existência do Adam, e…
Suas palavras foram rompidas pelo movimento brusco que Antonela fez, afastando-a mão da dela. Seu semblante tornou-se sombrio. Era nítido o quanto aquele assunto a incomodava ao ponto de transparecer toda a sua mágoa.
— Eu me lembro de você dizer que Henrico não a suportava, nem mesmo você a ele – Antonela fez uma pausa longa e Carmélia chegou a pensar que o discurso havia terminado – mas nos últimos tempos você tem unido forças com ele para atrapalhar a minha vida.
Carmélia se assustou com as palavras dela e na maneira como elas foram pronunciadas. Encolheu os ombros e deu um passo atrás. Na primeira vez, quando ela correu para pedir ajuda de Henrico e impedir que Antonela partisse, Antonela a perdoou pelo fato de Carmélia cuidar tão bem de Adam. Aquela falta não havia sido tão grave para ela.
O cenário se modificou. Carmélia deveria saber disso. Antonela e Henrico já não estavam se dando tão bem e ir atrás dele pela segunda vez fez Antonela não relevar dessa vez.
— Sinto muito – as palavras escapuliram de repente – eu só desejo que o Adam fique bem, mesmo que para isso você jamais me perdoe.
Antonela observou Carmélia quando uma lagrima escorreu pelos seus olhos, mas ela não conseguiu dizer mais nada. Imediatamente passou por Carmélia e desapareceu no corredor ainda escuro.
Pensou em pedir a ela que exigisse que Henrico não aparecesse mais no hospital para visitar Adam, mas seria inútil. Henrico não desistiria.
Seu coração saltava dentro do seu peito. Ela sentou-se na cama e viu Dominique dormindo tranquilamente. Antonela não ousou voltar a se deitar. Retornou para o banheiro, dessa vez com a esperança de que a água de um bom banho aliviasse a tempestade que havia dentro dela.
Alguns minutos depois, já estava pronta para ir ao hospital. Saiu da casa atravessando a estrada de chão, parando em frente à rodovia, sozinha. Nem mesmo eram seis daquela manhã quando finalmente chegou ao hospital. Entrou na ala de internação infantil e atravessou o corredor branco até o quarto de Adam.
Entrou e se deparou com o garoto sozinho. Não havia nenhum sinal de Benjamim por perto. Ela foi até o menino, percebendo que ele já estava acordado.
— Onde está o Benjamim? – disse isso após oferecer a ele um beijo e analisar suas feições. Não havia nenhum sinal de melhora no menino.
— Eu não sei – disse, com a voz sonolenta – ele é legal. Leu um livro para mim, ontem, até eu dormir.
As palavras de Adam de algum modo acalmaram o coração de Antonela, mas a pergunta que veio em seguida quase a afundou no caos pela segunda vez.
— Ele é o meu pai? – havia muita dúvida no pequeno rosto de Adam – ele pode me ajudar a ir embora desse hospital?
Os olhos de Antonela encheram-se de lágrimas instantaneamente. Um nó sufocou sua garganta de modo que ela achou que não conseguiria responder a ele aquela pergunta. Um período silencioso percorreu, ela segurou a pequena mão dele e o ajudou a ficar sentado. Adam estava fraco e Antonela detestava ter que vê-lo assim.
— Ele é o seu pai – respondeu finalmente, engolindo toda a vontade de chorar – e ele vai ajudar você a sair daqui.
Um sorriso repuxou os lábios dela, demonstrando toda a sua satisfação em responder aquilo. Adam também parecia aliviado com a notícia, embora não tivesse forças nem mesmo para sorrir. Antonela sentia-se aliviada por Benjamim acreditar na palavra dela e não complicar ainda mais a situação em torno daquilo. Observou o médico de Adam entrar no quarto para examiná-lo e, seguindo o procedimento, ela precisou sair do quarto.
Mal havia pisado para o lado de fora, quando se deparou com Benjamim. Ele segurava um copo de plástico nas mãos e pelo aroma era café. Sua blusa branca desabotoada até o meio do peito. O cabelo bagunçado, o cheiro bom do corpo dele exalando, a fez paralisar. Os olhos dele se encontraram com os dela e, inevitavelmente, um sorriso discreto repuxou seus lábios.
Mas Benjamim não parecia feliz em vê-la. Sua postura era arrogante e o olhar gélido passou um recado claro: nada estava bem.
Um alerta surgiu dentro dela. Foi obrigada a retirar o sorriso. Ela quis perguntar a ele como havia sido aquela noite ao lado de Adam. Desejou ter uma conversa tão amigável como da noite passada, mas não foi isso que aconteceu e ela ficou em choque quando Benjamim abriu os lábios e disse, finalmente, o que lhe incomodava.
— Quero fazer o teste de paternidade – os olhos de Antonela se arregalaram.
A garganta dela se apertou ao ver a serenidade no olhar dele.
— Por quê? – disse, gaguejando – você sabe que ele é seu filho.
— Quero ter certeza de que você não está mentindo para mim – levou o copo até a boca e bebeu o resto do líquido e a fuzilou com o olhar pela segunda vez – e faremos esse teste hoje mesmo.
Antonela paralisou com as palavras de Benjamim. Ficou se perguntando o que havia acontecido nas últimas horas para ele mudar tão radicalmente. Havia ressentimento no rosto dele e sua atitude estraçalhou o coração de Antonela.
— Eu aceito fazer o teste – ela o respondeu, agora com o semblante contorcido em ódio – e você vai se arrepender por duvidar de mim.
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